terça-feira, 24 de agosto de 2010

Envelhecer sendo gay: O caminho da autoaceitação


Um dos medos mais angustiantes de muitos homossexuais é o de envelhecer.
Influenciados pelo estereotipo da “bicha” velha, patética e solitária e mergulhados numa cultura que valoriza excessivamente a beleza e a juventude, muitos gays vivem em permanente aflição pelo passar dos anos.
Solidão, amargura e abandono são alguns dos sentimentos expressos como parte da fantasia de envelhecer como homossexual. Culto ao corpo exagerado, uso e abuso de tratamentos estéticos e adoração de estilo de vida jovem são algumas concretas que muitos encontram para lidar objetivamente com esse medo.
Porém, por melhores que sejam os resultados aparentes dessa luta contra o tempo e mais eficazes os mecanismos de defesa e negação da realidade, não há como evitar as transformações que o processo de envelhecimento traz nas nossas vidas.
Para nos homossexuais, esse processo implica, alem das dificuldades naturais decorrentes das mudanças físicas, alterações na saúde e preocupação com o futuro, também questões relativas ao duplo preconceito – de idade e de orientação sexual – da sociedade em geral, e da comunidade homossexual em particular. Nossa comunidade, fortemente orientada para a juventude, não prove muitos espaços e oportunidades
para a convivência harmônica entre as diferentes gerações e não parece muito interessada em aproveitar a enorme riqueza que essa convivência pode oferecer.
Condicionados que somos a nos sentirmos física e emocionalmente atraídos por um padrão muito limitado de beleza e juventude, acabamos por excluir todos aqueles que não se enquadram nesse padrão e a desconsiderar a experiência dos mais velhos como um bem a ser respeitado e valorizado.
Alem disso, muitos homossexuais, em função do preconceito, precisaram se afastar física e/ou emocionalmente de suas famílias biológicas e, consequentemente não podem contar com a maturidade com o eventual suporte afetivo e/ou econômico frequentemente oferecido pelo núcleo familiar. Situação que se agrava quando a orientação sexual desses indivíduos não é reconhecida ou mesmo conhecida por seus familiares.
Também a ausência de filhos costuma gerar em alguns sentimentos de falta de “continuidade”, muitas vezes acompanhado por fortes sentimentos de frustração e de ausência de um sentido maior para a vida.
Ainda que esse quadro pareça sombrio e aparentemente sem saída, é importante ressaltar que muitos homossexuais, a respeito de todas as dificuldades aqui descritas, são capazes de adaptar plenamente ao processo de envelhecimento de extrair o máximo de cada uma das diferentes fases da vida.
São normalmente indivíduos que se desenvolveram alto grau de auto aceitação e conseguiram resolver satisfatoriamente os principais conflitos relacionados a sexualidade . Indivíduos que sentem que a vida valeu a pena, que se realizarem em áreas importantes e que continuam a encontrar alegria, satisfação e inspiração em suas vidas, independentemente da idade. Possuem geralmente uma auto estima alta e uma auto imagem positiva e como resultado, sentem-se menos vulneráveis em relação aos ditames da cultura dominante, seja ela hétero ou homossexual.
“Seus caminhos, embora sempre pessoais, têm em comum a apreciação, tanto pela promessa estimulante da juventude, como também, pela riqueza estimulante da maturidade.” (Miriam Ehrenberg)

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