sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Um dia aprendemos

Depois de algum tempo você aprende a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começa a aprender que beijos não são contratos  e presentes não são promessas
E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprende a construir todas as suas estradas no hoje,
porque o terreno amanhã é incerto demais para os
planos,
e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.
Depois de um tempo você aprende que o sol queima
se ficar exposto por muito tempo.
E aprende que não importa o quanto você se importe,
algumas pessoas simplesmente não se importam…
E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa,
ela vai feri-lo de vez em quando
e você precisa perdoá-la por isso.
Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobre que se leva anos para se construir confiança
e apenas segundos para destrui-la,
e que você pode fazer coisas num instante,
das quais se arrependerá pelo resto da vida.
Aprende que as verdadeiras amizades continuam a crescer
mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que você tem na vida,
mas quem você tem na vida.
E que bons amigos são a família que nos permitiram
escolher.
Aprende que não temos que mudar de amigos
se compreendemos que os amigos mudam,
percebe que o seu melhor amigo
e você podem fazer qualquer coisa,
ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobre que devemos deixar as pessoas que amamos com
palavras amorosas,
pode ser a última vez que as vejamos.
Aprende que as circunstâncias e os ambientes
tem influência sobre nós,
mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começa a aprender que não se deve
comparar com os outros,
mas com o melhor que pode ser.
Descobre que se leva muito tempo
para se tornar a pessoa que quer ser,
e que o tempo é curto.
Aprende que não importa onde já chegou,
mas onde está indo, mas se você não
sabe para onde está indo,
qualquer lugar serve.
Aprende que, ou você controla os seus actos
ou eles o controlarão, e que ser
flexível não significa ser fraco
ou não ter personalidade,
pois não importa quão delicada
e frágil seja uma situação,
sempre existem dois lados.
Aprende que heróis são pessoas
que fizeram o que era necessário fazer,
enfrentando as consequências.
Aprende que paciência requer muita prática.
Descobre que algumas vezes
a pessoa que você espera que o chute,
quando você cai é uma das poucas
que o ajudam a levantar-se.
Aprende que maturidade tem mais a ver
com os tipos de experiências que se
teve, e o que você aprendeu com elas,
do que com quantos aniversários você celebrou.
Aprende que há mais dos seus pais em você
do que você supunha.
Aprende que nunca se deve dizer
a uma criança que sonhos são miragens,
poucas coisas são tão humilhantes,
e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.
Aprende que quando está com raiva
tem o direito de estar com raiva, mas isso
não lhe dá o direito de ser cruel.
Descobre que só porque alguém não o ama do
jeito que você quer que ame,
não significa que esse alguém não sabe amar,
contudo, o ama como pode,
pois existem pessoas que nos amam,
mas simplesmente não sabem como demonstrar
ou viver isso.
Aprende que nem sempre é suficiente
ser perdoado por alguém,
algumas vezes você tem que aprender
a perdoar-se a si mesmo.
Aprende que com a mesma severidade com que julga,
você será em algum momento condenado.
Aprende que não importa em quantos
pedaços o seu coração foi partido,
o mundo não pára para que você o conserte.
Aprende que o tempo não é algo que possa
voltar para trás, portanto, plante seu jardim
e decore sua alma,
ao invés de esperar que alguém lhe traga flores…
E você aprende que realmente pode suportar…
que realmente é forte,
e que pode ir muito mais longe depois de
pensar que não se pode mais.
E que realmente a vida tem valor
e que você tem valor diante da vida!
Nossas dúvidas são traidoras
e nos fazem perder o bem que poderíamos
conquistar, se não fosse o medo de tentar.
 
William Shakespeare

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O perigo do Silicone Industrial


A idéia é tentadora: conseguir um corpo cheio de curvas com aplicações de um silicone líquido encontrado em qualquer supermercado, a preços bem acessíveis. Seria perfeito, se o produto conhecido como silicone industrial ou líquido, geralmente usado para impermeabilizar azulejos, limpar peças de avião, pneus e lustrar painéis de carro, não fizesse mal à saúde e as seqüelas de sua aplicação não fossem tão dolorosas.
Complicações decorrentes da aplicação desse material foram a causa da morte de uma dançarina em Juiz de Fora (MG) no dia 2 de junho. Um travesti, que também injetou o silicone no corpo, continua no hospital municipal da cidade desde o dia 21 de maio, onde foi submetido a várias operações para tentar remover o produto.
A aplicação de silicone industrial no corpo pode causar infecções, necroses de pele e músculo, além de obstruir vasos sanguíneos e levar à morte. De acordo com o diretor geral da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o médico Douglas Jorge, a remoção do produto é muito complicada. “Como o silicone é líquido e não é envolvido por uma membrana resistente, ele se espalha pelo corpo. Para remover, é preciso tirar partes do tecido muscular e fica um defeito enorme”, explicou o médico. “O processo de cicatrização é longo. Dependendo da área, é possível tirar com lipoaspiração, mas às vezes uma cirurgia mais radical é a única alternativa”, afirmou.
A experiência dolorosa, vivida por um travesti de 55 anos, morador de Juiz de Fora, foi relatada em entrevista ao G1. Ele pede para ser identificado como ‘Paula’. No início da década de 1980, ele fez aplicações de silicone líquido no quadril e no joelho que não deram problema por alguns anos. “Em 1995, sofri um acidente de carro e o silicone que havia colocado no quadril ‘empedrou’. Em 1998, aquele que estava no joelho 'escorreu' e passei a sentir muitas dores”, contou.
Paula passou por cirurgias para tirar o silicone, mas ainda tem problemas. “Tomava cortisona, mas me fazia muito mal. Até hoje, tenho que tomar antibióticos porque sinto muita dor”, disse. “Colocar uma prótese de silicone não tem problema, mas o silicone líquido eu não aconselho a ninguém. Jamais faria de novo”, afirma.
Cirurgião plástico do Hospital Universitário de Juiz de Fora, o médico Marilho Tadeu Dorneles acredita que a falta de informação e o baixo preço do silicone industrial são fatores que podem levar as pessoas a realizarem aplicações no corpo. “No corpo, sempre vai causar problemas. Não pode ser utilizado em hipótese nenhuma”, explicou. Segundo ele, o material utilizado em cirurgias plásticas é diferente.
Problema antigo
Desde a década 70, o silicone industrial é muito utilizado, principalmente, por travestis, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. No entanto, os médicos estão surpresos com o número cada vez maior de mulheres que estão aplicando esse tipo de silicone.
O cirurgião plástico Marilho Dorneles disse que atualmente trata três mulheres que fizeram aplicações. “Duas aplicaram nos seios, o que provocou ‘siliconoma’ (uma espécie de tumor causado pela reação do organismo ao produto). Outra utilizou o silicone na face. O produto escorreu e ela ficou com aparência deformada”, disse.
O cirurgião plástico Douglas Jorge confirma que o problema é antigo. “Mesmo quando o silicone líquido foi usado na medicina, esse era um produto com fórmula diferente. Ele era utilizado em pequenas quantidades”, disse.
O G1 entrou em contato com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e com o Ministério da Saúde, mas os órgãos não possuem estatísticas oficiais sobre o uso inadequado do silicone industrial.
Conselho
A orientação para quem aplicou silicone industrial no próprio corpo é uma só: procure um médico. “As pessoas só procuram o médico quando estão com problemas, com dores e deformidades. Somente um especialista vai conseguir avaliar a gravidade de cada caso. Se surgirem complicações, apenas o médico pode intervir”, afirmou Douglas Jorge. “É preciso muito cuidado, pois cada caso é diferente”, disse. 



O sonho de ficar com seios fartos e quadril delineado virou pesadelo na vida de Alexsandra (os nomes dos entrevistados são fictícios), um travesti de 33 anos, de Rio Preto. Há cinco anos, ela decidiu “ficar mais feminina” e colocou silicone - fez as mamas, bumbum, culote. Mas não chegou a desfrutar das novas curvas. O produto migrou pelo corpo, desceu pela pernas e, devido à lei da gravidade, se alojou nos pés, deformando-os. O silicone aplicado nela não era cirúrgico, mas sim industrial. Do tipo usado para lustrar peças de avião, o mesmo utilizado na limpeza de pneus e painéis de automóveis. O produto foi aplicado por uma ‘bombadeira’ - travesti mais velho, que faz as vezes de cirurgião plástico e ‘opera’ outros transgêneros. Porém, sem qualquer conhecimento médico ou pelo menos mínimas condições de higiene. Como o serviço é feito de forma clandestina, a identidade dos travestis que aplicam o silicone industrial é guardada a sete chaves pelas clientes. Ninguém sabe, ninguém viu. É a lei do silêncio, pois a prática, classificada como curandeirismo, é proibida por lei e considerada crime segundo o Código Penal Brasileiro.

Quem prescrever, ministrar ou aplicar, habitualmente, qualquer substância em outrém, segundo o artigo 284, está sujeito à pena de reclusão de seis meses a dois anos. O delito pode ser agravado se a vítima tiver complicações ou morrer. O autor pode ser indiciado por lesão corporal ou até homicídio. Pelo menos metade dos travestis de Rio Preto (há 246 em atividade, segundo o Programa Municipal de Controle e Prevenção às Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST/Aids) aplicou o silicone industrial em alguma parte do corpo e teve complicações sérias. No caso de Alexsandra, o produto causou entupimento de veias e trombose nas pernas e ainda há risco de amputação de membros. A primeira aplicação foi em 2001, em São Paulo. “Fiz seio e quadril”, relembra. No ano passado, já em Rio Preto, Alexsandra refez algumas partes do corpo com bombadeiras da cidade - atualmente são três que prestam o serviço - mas o produto desceu para as pernas e se alojou nos pés, deixando-os parecidos a patas de elefante.

Causas
O travesti, que nasce homem e é homossexual assumido, prefere se portar como mulher, tanto nos modos como na forma de vestir. Para se tornar mais feminino, têm duas opções, segundo eles: o uso de hormônios ou a aplicação de silicone. O primeiro não é liberado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Eu usava anticoncepcional feminino, mas com o tempo ele deixa de fazer efeito”, diz Jaqueline, 28 anos. O segundo não é aplicado por médicos em homens, pois fere o Código de Ética dos profissionais do ramo, segundo o Conselho Federal de Medicina. A prática é interpretada como mudança de sexo. Assim, o baixo custo do produto em comparação à colocação de prótese cirúrgica aliado à negativa dos médicos por uma cirurgia figuram como os principais fatores apontados pelos travetis para optar pela técnica clandestina. Enquanto a aplicação de uma prótese de silicone nos seios no consultório de um cirurgião plástico, gira em torno de R$ 10 mil, o litro do silicone industrial em uma bombadeira não passa de R$ 300. A aplicação completa sai por menos de R$ 1 mil.

"Antes de colocar o tipo industrial, fui a quatro cirurgiões mas nenhum quis colocar uma prótese de seios em mim. Todos alegaram que eram especializados apenas em estética feminina e não estavam familiarizados com a prática em homens", afirma Alexsandra. O fácil acesso ao silicone industrial também colabora. A reportagem conseguiu comprar bisnagas de silicone industrial em lojas que comercializam produtos automotivos e materiais de construção sem quaisquer restrições por parte dos vendedores. Um tubo de 100 gramas custa, em média, R$ 4,50. Outro motivo que leva os travestis ao uso de silicone industrial é a cobrança de outros travestis. “Os mais velhos viram pra gente e dizem que se não tivermos bunda, peito, não vamos pegar ninguém. Somos chamados de surfistas”, afirma Jaqueline, 28 anos.

Bombadeira:

:: Travesti que ‘bomba’, isto é, injeta silicone industrial por meio de seringas

Emplacar:

:: Termo utilizado para o tempo que o silicone leva para petrificar no organismo

Erguedor:

:: Sutiã com bojos recortados, utilizados para moldar os seios

Surfista:

:: Travesti que não tem silicone no corpo


Hélio Tuzi
Travesti Alexsandra aplicou silicone e produto migrou para os pés

Produto é aplicado com agulha veterinária
Deitado em uma cama ou sentado em uma cadeira, o travesti que vai colocar silicone industrial leva até 50 picadas de agulha por vez - que tem a espessura e tamanho de um palito de dente - para a inserção do produto. Em poucas situações, é aplicada anestesia. Na maioria dos casos, a bombadeira dá um pano para que a cliente morda e “esqueça” a dor. Cada aplicação dura, em média, quatro horas. Mas o tempo da intervenção pode variar conforme a parte do corpo e quantidade do produto a ser injetada. O silicone chega a Rio Preto por Sedex, é mais barato e vem puro. A encomenda é feita por litros e o fornecimento é realizado mensalmente às bombadeiras. Cada litro é comercializado por até R$ 300. A técnica de aplicação muda conforme a parte do corpo que será bombada. Para “criar seios”, o travesti coloca um sutiã sem os bojos, o “erguedor”, apenas com a armação e o amarra bem forte. Em seguida, a bombadeira com o auxílio de uma seringa de 40ml injeta o silicone sob a pele. O produto geralmente fica em um copo, desses normais, de vidro.

A aplicação dura até 4 horas. O travesti deve ficar em repouso por um mês, sem pegar peso ou levantar da cama. É o tempo que leva para “emplacar”, isto é, para que o silicone, que é injetado na forma líquida, se petrifique. Quando a aplicação ocorre nos quadris ou nádegas, cintos ou faixas são amarradas nas pernas para dar a forma arredondada ao corpo. Os buracos deixados pelas picadas de agulhas são tampados com esmalte ou com cola do tipo instantânea e papel laminado, que vem em maços de cigarro. “Quando fiz os seios, a divisão entre uma mama e outra foi feita com a própria seringa que foi apertada na pele para dar a idéia de separação. A dor das picadas é insuportável, mas o desejo de ficar bonita é maior. Mas me arrependi, não recomendo”, diz Alexsandra. A travesti Suelen, 28 anos, fez a aplicação no rosto e quadris. “Sou soropositiva e tive lipodistrofia (perda de gordura generalizada em determinados locais do corpo). O silicone desceu para minhas pernas e pés. Formou bolotas, o médico disse que não tem como retirar”, afirma.

Na região, o último registro de seqüelas graves atribuídas ao uso de silicone foi em 2004, quando dois travestis e uma mulher de 31 anos fizeram aplicações com uma bombadeira de Barretos. A.T.S foi submetida à mastectomia radical (dois seios) e retirada parcial do tecido peitoral após implante do produto. No caso de E.R.C e M.H.M, ambos de 18 anos, houve necrose de parte do tecido peitoral, além de infecção generalizada. Cada um injetou cerca de 300 mililitros de silicone industrial nos dois lados do peito. A aplicação foi feita por outro travesti, L.C.S, 33, conhecido como Stefanie, e seu companheiro, o desempregado V.S., 30, que foram presos na época após investigações pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Barretos. A dupla foi indiciada por le-são corporal gravíssima. Em caso de condenação, a pena varia de 2 a 8 anos de reclusão, como está previsto no artigo 129 do Código Penal.

Letal
Para o cirurgião plástico Antônio Roberto Bozola, a aplicação de implante de silicone industrial é totalmente contra-indicada. "Essa substância deve ser utilizada apenas para fins automotivos, não em um ser humano", diz. O médico explica que o produto não é autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e sequer reconhecido pelo Ministério da Saúde. Em contato com o organismo, o silicone industrial pode causar contaminações bacterianas dos tecidos onde foi aplicado, além de fibrose progressiva, em que o material fica petrificado e endurece as regiões por onde migrou dentro do corpo da vítima. Em alguns casos, o silicone industrial ataca o sistema linfático, obstruindo a passagem da linfa, o que pode causar embolias e inchaços nas áreas atingidas. "O produto pode causar danos irreversíveis aos pulmões, fígado, rins e cerébro”, afirma Bozola.

Travesti aprendeu a aplicar em si mesmo
Roberto, 26 anos, nasceu homem. Aos 13 anos se descobriu homossexual. Dois anos depois, foi expulso de casa pelo pai. Mudou-se de Rio Preto, foi para São Paulo e começou a se prostituir. Mudou de nome, virou Sheila. Logo fez amizade com um travesti mais velho e, aconselhado por ele, fez sua primeira aplicação de silicone industrial em uma bombadeira. Gastou R$ 850. Anos depois, já de volta a Rio Preto, queria ter mais corpo, então decidiu se bombar sozinho.

Diário da Região - Por que decidiu se bombar?
Sheila - As bombadeiras cobram caro e sabia que o produto era bem mais barato se fosse comprado direto, sem atravessadores. Um litro sem passar por elas custa só R$ 70.

Diário - E como conseguiu o produto?
Sheila - Tenho algumas amigas que aplicaram o silicone desses comprados em lojas de carro, mas como vem pouco no tubo, não compensava. Então descolei o endereço de uma empresa, não lembro mais o nome da cidade, e enviava uma carta pra eles, dizendo o produto que queria e a quantidade. Eles respondiam e mandavam um boleto, que eu pagava em qualquer agência bancária.

Diário - E como eles enviavam o silicone industrial?
Sheila - Pelo correio, por sedex. Vinha o galãozinho de um litro na porta de casa. Sem preocupação.

Diário - E para se aplicar, o que você usava?
Sheila - Uma seringa de 40ml e agulha 12 por 42.

Diário - 12 por 42?
Sheila - É a espessura, é de uso veterinário, de dar injeção em cavalo.

Diário - E onde se compram a seringa e agulha?
Sheila - Qualquer loja de produtos veterinários. É lógico que a gente não fala pra que é, mente dizendo que é pra algum bicho.

Diário - E como é a aplicação?
Sheila - Amarrava umas borrachinhas pretas na seringa pra não vazar o silicone, ficava de pé e aplicava.

Diário - Sem anestesia?
Sheila - Mais ou menos, tomava uns comprimidos lá pra agüentar a dor.

Diário - E a dor?
Sheila - É insuportável, mas vale tudo pra ficar bonita.

Diário - Já bombou alguém?
Sheila - Já ajudei algumas amigas a se bombar, mas todas já tinham silicone. Na primeira vez, a gente vai na bombadeira, geralmente quando quer um serviço bem feito, mas depois muitas se aplicam.
Hélio Tuzi
Silicone industrial migrou das nádegas para a perna de travesti

Projeto vai orientar sobre o uso
O registro freqüente de deformações em travestis pelo uso de silicone industrial levou o Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)/Aids de Rio Preto a iniciar a elaboração de um projeto específico para redução de danos do produto, que deve ser lançado ainda neste semestre. Segundo Vivian Maria de Araújo, coordenadora do programa Sidadania, que orienta sobre formas de prevenção a profissionais do sexo, as primeiras ações do projeto foram realizadas em 2005 com a aplicação de um questionário, que foi respondido pelos travestis. Composto por perguntas que pediam a descrição de como foi a aplicação do silicone industrial e o porquê da adesão à prática, o questionário foi preenchido por 20 travestis de Rio Preto e duas bombadeiras. Foram gravados ainda o depoimento de cada um e realizadas fotos das partes do corpo que ficaram deformadas.

De posse das informações, o DST/Aids já realizou uma oficina de orientação com o grupo e explicou as técnicas que podem reduzir os danos causados pelo uso do silicone, que é inadequado. O material coletado servirá de base para o lançamento de uma cartilha que será distribuída aos travestis e também para novas capacitações. “Fui para Petrópolis conhecer o trabalho de uma bombadeira de lá, que não teve problemas com as clientes. A partir daí, foram elaboradas sugestões de como diminuir os riscos de infecção. Não adianta somente condenar a prática, porque ela vai continuar acontecendo na surdina. É preciso orientar sobre os perigos implícitos”, afirma Vivian. A coordenadora afirma que umas das conclusões do programa é de que os travestis recorrem ao uso de silicone industrial por pura falta de opção. “A rede de saúde não disponibiliza tratamento hormonal para eles, apenas para mulheres. Os cirurgiões plásticos se negam a colocar próteses neles, a única saída é recorrer à clandestinidade.”

Sidadania
Os 2,2 mil profissionais do sexo de Rio Preto - sejam eles homens, mulheres ou travestis - são assistidos pelo Programa Sidadania, que prevê orientação sobre doenças sexualmente transmissíveis e sexo seguro. O projeto atende atualmente 2.216 pessoas, sendo 1.883 mulheres, 246 travestis e 92 garotos de programa. Criado há mais de 10 anos e mantido pelo Programa Municipal de DST/Aids, o projeto tem três agentes de saúde e uma coordenadora que orientam os profissionais do sexo "in loco" - são visitadas avenidas, a área central da cidade e também a zona do meretrício. "Eles recebem explicações sobre os sintomas das doenças que podem ser contraídas no sexo sem proteção, conseqüências da ingestão de hormônios sem acompanhamento médico e os perigos da aplicação de silicone industrial", diz Vivian.

O Sidadania promove ainda semanalmente oficinas para debate sobre doenças mais graves e que também ser adquiridas por meio do sexo sem prevenção como a hepatite e Aids. Semanalmente, todos os envolvidos também recebem preservativos, que são distribuídos gratuitamente. O projeto ainda mantém um convênio com a Unidade Básica de Saúde (UBS) da Vila Mayor onde os profissionais do sexo são atendidos por médicos da rede pública. "Poucos têm convênios particulares, a maioria depende do SUS (Sistema Único de Saúde)", afirma a coordenadora do Sidadania.
Hélio Tuzi
Cirurgião plástico Bozola condena o uso do silicone industrial

Médicos não põem silicone em homens
Segundo o médico Antonio Carmo Graziosi, coordenador estadual da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, os médicos não realizam intervenções para inserção de próteses de silicone, principalmente mamárias, em homens. “Não é eticamente correto, pois seria o mesmo que realizar uma mudança de sexo. Não há legislação para isso ainda, apenas no caso de transexuais (indivíduos que nascem com disforia de gênero, são homens ou mulheres, mas não pensam, não agem e nem se sentem como sendo de tal sexo)”, diz Graziosi. O coordenador explica que existe um consenso geral entre os cirurgiões plásticos para não adotar a prática. “Seria necessário que o indivíduo fosse submetido, como no caso dos transexuais, a uma série de critérios como avaliação psicológica e autorização do Conselho Regional de Medicina (Cremesp)”, afirma.

Para o coordenador do Departamento de Cirurgia Plástica do Hospital de Base, Antônio Roberto Bozola, como o procedimento não é regulamentado, caso ocorra algum erro em uma possível intervenção masculina, o médico pode ser processado. “São três formas de proibição - por nós, médicos, pela Justiça e pela sociedade, é consensual”, diz. A única forma apontada por ele para um homem receber silicone legalmente é pedir permissão ao Conselho Federal de Medicina, por requerimento. A direção do órgão foi procurada pela reportagem, mas não retornou o contato.

A injeção direta de silicone nas mamas:
      Este tipo de procedimento NÃO DEVE SER CONFUNDIDO COM A CIRURGIA DE INCLUSÃO DE IMPLANTES MAMÁRIOS NEM SER EXECUTADO SOB NENHUMA CIRCUNSTÂNCIA:
O silicone geralmente é de origem industrial e não apresenta condições para seu uso em medicina.

O material é aplicado através de uma injeção direta dentro do tecido mamário (sem a proteção conferida pela cobertura dos implantes) »
.
Em contato direto com o organismo, o silicone industrial provoca uma reação inflamatória intensa (com dor periódica), evoluindo para fibrose (cicatrização interna com formação de uma massa endurecida envolvendo o material injetado e os tecidos em contato com ele) »
.
O desenho ao lado mostra a massa de fibrose (F) sendo aberta, deixando à mostra o silicone injetado (S) no seu interior »

Essa massa fibrosa pode ocupar quase toda a glândula mamária (G), exigindo a execução de uma mastectomia subctânea (retirada cirúrgica da glândula) para o tratamento da dor e das deformidades.



domingo, 21 de agosto de 2011

Dicionario LGBT

Aurélia (Dicionário Gay) É o que tem pra hoje!!!


Por Penélope C.


Uhuull!!!! Adoooroooo!!


Vi uma mona hoje, lindíssima, estava luxuosa mesmo e abalou com sua beleza quem a via passar...
Mas, como nada é perfeito nessa vida, percebi que ela é bagaceira e aprontou um bas-fond, só porque um cara pediu um aqué para ela. Se ele quisesse dar a Elza, tudo bem, mas não... de Lady ela se transformou em naja. Que pena! Quem vê rostinho lindo, não vê a essência mesmo.
Tô bege! Rosa chiclete!!!! Tô passada mesmoo!! Rss.

Entenderam toda a estórinha que contei para vocês? Quem nunca ouviu alguma palavra diferente aos nossos ouvidos, oriundas do vocabulário gay, não é mesmo? A grande maioria nos faz rir, é divertida e incorporou-se na sociedade como um todo. Muitos utilizam e, às vezes, nem sabem de onde saiu. Na verdade, quem mais difunde esse vocabulário são os gays (homens) e provam que a nossa classe é preocupada até mesmo com as questões linguísticas do nosso idioma! rs. Além disso, tem uma criatividade e humor implacável!!

Abaixo, deixo, para quem não conhece, um pouquinho das palavras mais utilizadas da Aurélia:


"A Bete Faria" - Modo de se referir a um homem que cobiça
"Aleijo" - Problema

"Alôca" - Finaliza frases que pretendem ser bem-humoradas


"Aqué" - Dinheiro

"Aqüendar" - Palavra multiuso. Seu significado depende da utilização. Pode ser "comer", "transar", "escutar", "participar"

"Atender"- Fazer sexo


"Bagaceira" - De baixo nível

"Barbie" - Homossexual com corpo trabalhado

"Bas-fond" (leia-se bafôn) - Bagunça, confusão, bochicho

"BF" - Homossexuais com mais de 30 anos, ricos e chiques

"Bee" ou "Bil" - Nome meigo para amigo gay

"Bofescândalo" - Homem gostoso

"Bolacha" - Nome meigo para lésbica

"Caminhoneira" (sin. de "furiosa") - Lésbica bem masculina

"Cascabói" - Usada por homossexuais mais velhos, designa alguém carrancudo, chato

"Caso" - Namorado

"Coió" - Agressão homofóbica

"Cona" (ou conam) - Derivado de maricona, é o homossexual mais velho

"Desaqüendar" - Desembaçar

"Elza" - Roubo

"Entendido/a" - Gay/lésbica

"Fazer" - Transar com

"Ferver" - Animar

"Fufa" - Lésbica

"Gay-friendly" - Simpatizante

"GDC" - Gay de cabeça, pessoa com comportamento gay, mas com preferência sexual hétero

"GLBT" - Gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros

"GLS" - Gays, lésbicas e simpatizantes

"Hype" (leia-se raipe) - O que está sendo badalado

"Lady" - Lésbica bem feminina

"Laleska" - Pessoa cafona

"Luxuosa" - Expressão de aprovação para alguém bem produzido, bonito ou hype

"Mala" - Volume na calça, pênis; também significa pessoa chata

"Mancha" - É o homossexual superfeminino

"Me deixa!" - Grito de guerra

"Me erra!" - Me larga

"Melhorada" - Alguém que era péssimo e melhorou ou alguém feio que deu um truque na feiúra

"Mona" - Mulher ou alguém muito efeminado

"Monaocó" - Junção de mona com ocó (homem hétero), é o gay bem masculino, que não dá pinta

"Montada" - Travestida, produzida

"Naja" - Fofoqueira, intrigueira

"Não estou podendo" - Não quero, não estou a fim

"Não ser obrigado/a" - Ter algo melhor para fazer

"Ocó" - Homem

"Odara" - Grande, bonito, cheio de vida


"Panqueca" - Passivo

"PAM" - Sigla para "passivo até a morte"

"Quebrar louça" - Quando dois homossexuais transam

"Rodrigues" - Alguém comprometido cujo/a parceiro/a está viajando

"Sandália" - A mulher da lésbica masculinizada

"Sair do armário" - Assumir a homossexualidade

"Sapa, Sapata" - Lésbica

"Se Jogar" - Entrar em uma situação sem pensar muito

"Simpatizante" - Pessoa heterossexual ou não-definida sexualmente que freqüenta ambientes gays

"Straight" - Heterossexual

"Tia" - Homossexual mais velho ou é o mesmo que izer que ta com HIV, " ta com a tia".

"Tô passada" (sin. de "Tô bege") - Expressão de espanto

"Trava" - Travesti

"Uó" - Tudo que é ruim

"Urso" (ou Bear) - Homem peludo, também associado a homem de aspecto másculo ou gordinho

"Vitaminada" - Robusta, bonita

"Versátil" - Homossexual que gosta de ter tanto o papel de ativo como o de passivo

"Virar" - Passar da condição de heterossexual para a de homossexual ou vice-versa (a primeira opção eu já vi, mas a segunda, nunca!rs)





Essas palavras "sapata", "bolacha", etc., podem deletar do vocabulário, tá? Coisa horrível isso! hehehehe Até "entendida" é melhor que isso! Afinal, em alguma coisa somos entendidas, não é mesmo? hihihihi

Preferência Sexual



  Tema Principal Casais
Quando se fala que tem gosto pra tudo nesse mundo ninguém acreditou, porém é a mais pura verdade.
Antes era mulher com homem e ficava por ai, se você escolhesse outra coisa coitado, tava ferrado.
Hoje está tudo liberado e tem gente pegando até cavalo.


Tudo na origem é mais certinho, ninguém nasce já fora do armário ou incubado, é uma questão que vai se desenvolvendo com o tempo e no fim, a pessoa mesmo não tem motivo para ser assim, apenas é.
(Claro que tem casos e casos, mas isso a gente não comenta).
Tudo bem que cientificamente muitos profissionais tentam chegar a uma explicação que chega a ser fora do “normal”, mas ninguém consegue realmente provar que a pessoa nasce com tais necessidades diferentes.

Começa tudo pelo fato do sexo ser somente para a procriação, porém nós e alguns animais como cães, vacas, gatos entre outros também fazem sexo, como nós, por puro prazer.
Em teoria sempre é o homem e a mulher, mas isso é somente pelo fato de serem os únicos seres vivos que juntos geram uma vida.
Ninguém disse que é proibido ter prazer de outras formas, e isso é visto hoje em dia fazendo parte da humanidade.

Tem uma história que dizem que toda mulher já pensou, sentiu ou teve vontade de ser lésbica, talvez seja verdade, eu preferencialmente gosto de um bom bofe na minha frente gostoso e musculoso que me faça ir às alturas na cama, mas quem disse que mulher não é capaz de levar outra as alturas com um belo sexo oral? E porque não os dois?
A preferência sexual é algo completamente relativo e depende de cada um (e de outro que goste do mesmo que você). Todo homem gay que eu conheço, ou já tenha visto é lindo de morrer, por isso não culpo os outros meninos ultra gatos que tenham vontade de deitar com um desses, até eu que sou mais boba gostaria. Um bom exemplo de um gay que é de arrancar suspiros de toda mulher e homem é o Ricky Martin, com aquele corpo perfeito, um sorriso contagiante e uma cara de santinho daquelas... Gente, que estrago!

Não sei que explicação e como surgiu tudo isso, vai saber se Moisés, príncipe do Egito, não era gay e transava com todos os seus discípulos? Que Rá me perdoe, mas quem vai me provar o contrário?

O prazer é a base dessas preferências, o ser humano busca primeiramente pelo prazer na sua conquista. Nenhum homem chega numa mulher pensando “Que quadris largos perfeitos para acomodar uma criança na gestação” ou “Meu filho iria se satisfazer tomando leite nesses seios fartos.”, o instinto selvagem do ser humano muitas vezes fala mais alto que o próprio coração, a primeira imagem é a que fica, ou seja, a pessoa se aproxima de quem lhe atrai primeiro pela aparência, o resto é conseqüência; seja esta atração por homens, mulheres, bis e etc.

Muitos dizem que mulheres que eram héteros passaram a ser lésbicas por não conseguir em nenhum homem as qualidades que ela encontrou em uma mulher, no caso dos homossexuais a mesma coisa, mas será que é verdade? O mundo hoje está realmente ficando com essa variedade toda porque ninguém mais sabe satisfazer ninguém do jeito certo?

Sinceramente, acho que o prazer é a chave de tudo. Pergunte àquele seu amigo gay o porquê ele escolheu ser gay? Certeza que ele vai dizer que não sentiu atração nenhuma por alguma mulher ou se ele for romântico, que não achou a mulher certa. (o que é mentira, toda panela tem uma tampa). Nós temos um instinto forte e usamos nosso lado selvagem na hora de escolher o que realmente vai nos fazer sentir como se estivéssemos na floresta com um Tarzan de tanguinha ou com uma Jane de saia rasgada.

Porque da preferência masculina



sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Faz toda Diferença...


Talvez algum dia de sua existência você olhou para o horizonte
buscando encontrar respostas aos problemas de sua vida e não encontrou as soluções que buscava, mergulhou em seus pensamentos tentando se encontrar e nada, apenas um vazio e o barulho silencioso dos escombros da solidão da alma, percebe que os olhos choram e não sabe porque que sente uma dor á explodir no peito e não tem o que fazer para conter tamanha dor, a noite chega e novamente sente a dor do abandono, esta rodeado de pessoas e se senti sozinho essa é a maior de todas as solidões. A madrugada chega e o sono não vem, os pensamentos voam desordenadamente e não atingiu conclusão alguma, mais um dia amanhece e se foi outra noite de angustia. Quando se olha no espelho encontra-se com um derrotado, desanimado e desmotivado para a vida, sem forças para continuar a lutar e enfrentar os problemas impostos pelas situações delicadas que se deparou na sua existência e novamente sente brotar mais um lagrima que vem acompanhada de uma dor maior em seu peito, sente o coração se derramando em lagrimas. Pela manhã tem dificuldades de ouvir os cânticos dos pássaros, a beleza do raiar do sol, contemplar as lindas flores dos jardins. Essas são crises do coração e da alma que quase todos temos que passar para obter os grandes aprendizados da vida
(Particulas do livro experiências de um gigante.. de Nilson ferreira)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O que é POLIAMOR...




Poliamor é um tipo de relação em que cada pessoa tem a liberdade de manter mais do que um relacionamento ao mesmo tempo. Não segue a monogamia como modelo de felicidade, o que não implica, porém, a promiscuidade. Não se trata de procurar obsessivamente novas relações pelo facto de ter essa possibilidade sempre em aberto, mas sim de viver naturalmente tendo essa liberdade em mente.
 O Poliamor pressupõe uma total honestidade no seio da relação. Não se trata de enganar nem magoar ninguém. Tem como princípio que todas as pessoas envolvidas estão a par da situação e se sentem confortáveis com ela.
 Difere de outras formas de não-monogamia pelo facto de aceitar a afectividade em relação a mais do que uma pessoa. Tal como o próprio nome indica, poliamor significa muitos amores, ou seja, a possibilidade de amar mais do que uma pessoa ao mesmo tempo. Chamar-lhe amor, paixão, desejo, atracção, ou carinho, é apenas uma questão de terminologia. A ideia principal é admitir essa variedade de sentimentos que se desenvolvem em relação a várias pessoas, e que vão para além da mera relação sexual. 
 O Poliamor aceita como facto evidente que todas as pessoas têm sentimentos em relação a outras que as rodeiam. E que isto não põe necessariamente em causa sentimentos ou relações anteriores. Aliás, o ciúme não tem lugar neste tipo de relação. Primeiro porque nenhuma relação está posta em causa pela mera existência de outra, mas sim pela sua própria capacidade de se manter ou não. Segundo, porque a principal causa do ciúme, a insegurança, é praticamente eliminada, já que a abertura é total. Não havendo consequências restritivas para um comportamento, deixa de haver razão para esconder seja o que for. Cada pessoa tem o domínio total da situação, e a liberdade para fazer escolhas a qualquer momento.
Suzana, 42 anos, arquiteta, foi casada três vezes e está separada há cinco anos. Sua última separação ocorreu quando ela percebeu que, além do marido, amava outro homem. Apesar de não desejar a separação, não teve outro jeito. O marido não aceitou essa situação. Tiveram sérias brigas e a ruptura não foi nada tranquila. A partir daí, Suzana decidiu mudar o padrão de sua vida amorosa. “Não quero mais saber de ter um único parceiro fixo e estável para tudo, e ter uma vida cheia de regras. Não estou mais disposta a me enquadrar em nada. Agora, me tornei adepta do poliamor. Acredito que, da mesma forma que amamos vários filhos e amigos, podemos ter relações amorosas/sexuais com várias pessoas ao mesmo tempo.”
Muitos se surpreendem com o relato acima. Entretanto, sabemos que o amor é uma construção social. Quando analisamos a sua história constatamos que os comportamentos amorosos e as expectativas em relação à própria vida a dois variam de época e lugar. Há enormes diferenças, por exemplo, entre o amor vivido na Grécia clássica, na Idade Média, no século XVIII e na atualidade.
A partir da primeira metade do século XX, temos sido regidos pelo mito do amor romântico. Este tipo de amor, calcado na idealização do outro e na ideia de fusão entre os amantes, na qual um só tem olhos para o outro, deixa de ser atraente. Está surgindo uma nova dimensão do amor, onde há mais troca e tentativa de um equilíbrio, sem sacrifícios. As fantasias do amor romântico se baseiam na dependência entre os amantes. Por essa razão, elas não conseguem mais satisfazer os anseios daqueles que pretendem se relacionar com seus parceiros como eles são e viver de forma mais independente.
Concordo com o psicanalista Jurandir Freire Costa quando diz que “o amor erótico não é apenas uma atração sexual acompanhada de sentimentos ternos — enlevo, carinho, preocupação, cuidado, dedicação, devoção etc.— ou violentos — desejos de posse exclusiva, ciúmes, desconfianças, rivalidades etc. Pensar no amor dessa maneira já faz parte do aprendizado amoroso, pois significa estar convencido de que ele foi sempre o que é hoje, ou seja, uma emoção sem memória e sem história.”
Acredito que a tendência seja o desejo de viver um amor baseado na amizade. Para isso são necessárias novas estratégias, novas táticas por meio de experiências nunca antes tentadas. O amor romântico começa a sair de cena, levando com ele a idealização do par amoroso, com a ideia dos dois se transformar num só e, consequentemente, a exigência de exclusividade. Com isso, abre-se a possibilidade de se amar e de se relacionar sexualmente com mais de uma pessoa ao mesmo tempo. O poliamor deve ampliar, portanto, o espaço que ocupa na vida amorosa do mundo ocidental.
No poliamor as pessoas podem estabelecer relações íntimas, profundas e eventualmente duradouras com vários (as) parceiros (as) simultaneamente. Poliamor como movimento existe de um modo visível e organizado nos Estados Unidos nos últimos vinte anos, acompanhado de perto por movimentos na Alemanha e Reino Unido. Recentemente, a imprensa começou a cobrir abertamente quer o movimento poliamor em si, quer episódios que lhe são ligados. Em novembro de 2005 realizou-se a Primeira Conferência Internacional sobre Poliamor em Hamburgo, Alemanha.
Nesse tipo de amor uma pessoa pode amar seu parceiro fixo e amar também as pessoas com quem tem relacionamentos extraconjugais ou até mesmo ter relacionamentos amorosos múltiplos em que há sentimento de amor recíproco entre todas as partes envolvidas. Os poliamoristas argumentam que não se trata de procurar obsessivamente novas relações pelo fato de ter essa possibilidade sempre em aberto, mas sim de viver naturalmente tendo essa liberdade em mente. Para eles, o poliamor pressupõe uma total honestidade na relação. Não se trata de enganar nem magoar ninguém. Tem como princípio que todas as pessoas envolvidas estão a par da situação e se sentem confortáveis com ela. A idéia principal é admitir essa variedade de sentimentos que se desenvolvem em relação a várias pessoas, e que vão para além da mera relação sexual.
Nan Wise, uma psicoterapeuta americana que pratica o poliamor, reconhece que é preciso muita estabilidade emocional. Ela é casada com John Wise há 24 anos e os dois mantêm uma relação amorosa com outro casal, Júlio e Amy. Como muitas dessas relações, Nan tem com John sua “relação primária”, e com Júlio e Amy uma relação secundária, termos que servem para atribuir níveis de importância a quem participa de um mesmo grupo.
Embora a relação amorosa entre três ou mais pessoas permaneça à margem da sociedade, os que a praticam são cada vez mais visíveis ao compartilhar sua experiência. Diversos sites oferecem desde dicas para a relação entre poliamantes até músicas, ensaios, artigos de opinião, filmes e literatura de ficção sobre o assunto. A Polyamory Society é uma organização sem fins lucrativos que promove e apóia os interesses de indivíduos com relacionamentos ou famílias múltiplas.
Para a escritora americana Barbara Foster, que estuda o poliamor e o pratica com seu marido há mais de 20 anos, se trata de um movimento social muito importante e que está na moda. Os poliamoristas advertem que essa prática amorosa é uma escolha, assim como é a monogamia, e traz consigo tantos ou mais desafios. Ela definitivamente não é uma solução para um mau casamento ou outros problemas de relacionamento.
Naturalmente, ninguém chega ao poliamor de uma hora para outra, isto é resultado de um longo processo de desenvolvimento pessoal, do qual, por enquanto, poucos são capazes. É necessária toda uma revisão de conceitos, de condicionamentos culturais e emocionais, para ver as coisas a partir de outro paradigma. Entretanto, os poliamoristas também sustentam o direito de qualquer um optar pela monogamia como escolha de vida e acreditam que essa seja a escolha certa para muitas pessoas.
A psicóloga americana Deborah Anapol, autora do livro Polyamory: The New Love Without Limits diz: "Nossa cultura coloca tanta ênfase na monogamia de modo que poucas pessoas se dão conta de que podem decidir sobre quantos parceiros amorosos/sexuais desejam ter. Ainda mais difícil de aceitar é a ideia de que uma relação de múltiplos parceiros possa ser estável, responsável, consensual, enriquecedora e duradoura. Poliamor não é sinônimo de promiscuidade".
É importante ressaltar que o poliamor não é a única forma satisfatória de relacionamento amoroso. Cada pessoa deve ter o direito de escolher a que mais se adapta às suas necessidades e características de personalidade. Mário Polly, um adepto dessa prática, diz que “provavelmente, muitos anos irão passar ainda até que o poliamor seja uma forma de relacionamento universalmente aceita e praticada sem barreiras legais e preconceitos sociais. As pessoas que estão praticando o poliamor atualmente são como desbravadores de um novo continente, abrindo caminhos para chegar onde nenhum homem jamais esteve e tornar realidade a utopia de que novas formas de relacionamento são possíveis como alternativa à antiga ditadura da monogamia compulsória”.


     
 Estou de volta ao blog depois de um tempo ausente devido a alguns probleminhas pessoais. Trago nesse retorno um novo depoimento: Celeste é casada com Caleb e namora Kara e William, um outro casal, pais de um menininho. Juntos, eles escrevem o blog "The Road Taken" contando como está sendo a descoberta e o desenvolvimento desse novo relacionamento.
     Um dos textos achei muito interessante, pois se trata de uma pequena lista sobre como as coisas são ao namorar duas pessoas ao mesmo tempo e chegar em terceiro numa relação já existente. Algumas coisas são boas, até divertidas, e outras são mais um choque de realidade àqueles que pensam que é fácil manter um relacionamento do tipo. Ser monogâmico significa ter exclusividade. Ser poliamorista requer entender que seus parceiros não estão ali só por você, como bem diz Celeste "Eles têm uma história da qual você não faz parte, e isso precisa fazer você feliz".
     O texto abaixo foi escrito por Celeste e traduzido e reproduzido na íntegra, lembrando que o faço com a permissão dos autores com a condição de fornecer um link para site e o texto original. Portanto, poderão encontrá-lo ao fim do depoimento.



Como é namorar um casal


  • Há sempre alguém com quem se aconchegar, e você nem sempre sabe quem está afagando sua cabeça. 
  • Há muito mais encontros: encontros com ele, encontros com ela, encontros entre somente os dois, encontros entre os três.
  • Você tem que lembrar de dois aniversários, não apenas um, mas você ganha mais bolo.
  • Você precisa de uma mesa para três no dia dos namorados e muita persistência para conseguir a reserva. 
  • Brigas entre duas pessoas nunca são somente entre duas pessoas. Elas são igualmente dolorosas para a terceira. 
  • Algumas vezes você se sente de fora. Outras vezes você faz com que alguém que gosta se sinta de fora. 
  • Você se reveza ficando no meio. É maravilhoso, mas quente demais. 
  • As chances aumentam em 50% de que não será você a fazer o jantar. 
  • Coordenar três cronogramas é desafiador. 
  • Você tem o dobro de beijos. 
  • Vocês provavelmente não poderão ter um banho de banheira todos juntos. 
  • Você tem que ter tempo no relacionamento para cada pessoa e um outro para todas juntas. 
  • Você não tem com nenhum o que eles têm um com o outro... ainda. 
  • Você recebe ajuda de um sobre estar em relacionamento com o outro. 
  • Você aprende com o relacionamento deles, observando de perto como funciona. 
  • Dedicar seu tempo a uma pessoa é ótimo, mas só conta para aquela pessoa. Você tem muito mais trabalho a fazer!
  • Divertido é mais divertido. Feliz é mais feliz. Excitante é mais excitante. 
  • Conversíveis de dois lugares não são mais atraentes. 
  • Parceiros do mesmo gênero podem trocar roupas, e se tiverem sorte também sapatos. (o que é mais divertido entre mulheres)
  • Planejar as coisas dá mais trabalho, mas os planos não devem abarcar todos o tempo todo. 
  • Estar sozinha pode significar ainda mais sozinha se os outros dois estão juntos. 
  • Você pede duas garrafas de vinho porque uma só não é o suficiente para três. 
  • Eles têm uma história da qual você não faz parte, e isso precisa fazer você feliz. 
  • Mais sexo. 
  • Mais amor.



     O texto acima foi postado originalmente por Celeste no blog "The Road Taken", no dia 3 de Novembro de 2010. Link: http://movingtowardsecstasy.wordpress.com/2010/11/03/what-its-like-dating-a-couple/