É sabido que precisamos de muita paciência e dedicação para obtermos
sabedoria capaz e hábil para lidar com o coração do homem - o nosso. "Na
vossa paciência possuí as vossas almas", Luc.21:19. A intenção deste escrito é apetrechar
todos aqueles que gostariam de entender melhor o coração do homem e suas
vertentes para aconselharem melhor e aprenderem a lidar e a limpar seus
próprios corações também. É urgente estarmos limpos e irrepreensíveis diante de
Jesus e através d'Ele. O instrumento que tento usar aqui para uma melhor
compreensão do funcionamento dos nossos corações é a ilustração de que todo o
coração do homem, toda a virtude ou defeito tem sempre dois lados (e, por
vezes, mais que dois). A verdade que pretendo realçar é que existem mais fatores
a levar em conta quando lidamos com pecados ou virtudes. Tendo esta ideia dos
dois lados de cada coração mais enraizada em nós, é óbvio que obteremos uma
melhor perspectiva de como nos aprofundarmos na justiça de coração, na santidade
e na simplicidade de uma vida celestial aqui na terra. Precisamos ter em conta
como nosso coração funciona, expondo defeitos na luz e evidenciando a vida de
Jesus, ainda que essa vida se manifeste em nós ou através de nós sem que nos
apercebamos.
Precisamos saber lidar com a esquerda e com a direita em simultâneo. Por
exemplo, não saberemos lidar com o fanatismo, anulando-o, se não soubermos que
devemos lidar com aquela impulsividade e impaciência de pular por cima dos
meios que levam aos fins, isto é, lidar com aquelas coisas que fazem o fanático
esticar a mão para os fins sem querer passar pelos meios. Sabemos que o
fanático não é aquilo que tenta ou aparenta ser porque não gosta de passar pela
regeneração de tudo que é e faz. Um fanático é um mentiroso e engana-se a ele
mesmo. Existem essas vertentes nele que muito poucos se dão conta porque ele
exerce pressão para desviar as atenções e os sentimentos daqueles com quem
fala, fazendo as pessoas sentirem aversão e repúdio pelo que faz. Fanatismo é tentar
pular o muro e recusar entrar pela porta. É a recusa de ter de passar pela
vergonha de fora do arraial e tentar obter acesso direto à vida eterna sem
abdicar do coração terreno, Heb.13:12,13. Precisamos saber quais as origens do fanatismo
vendo seus outros lados e causas. É a causa que dá à luz o comportamento, o
sentimento, a atitude, etc. "Então a concupiscência, havendo concebido, dá
à luz o pecado", Tiago 1:15. Eu creio firmemente que cada coração tem seus dois próprios lados,
seja esse coração bom ou ruim. Creio, também, que precisamos saber, lidar aprofundadamente
com ambos os lados, sob pena de os pecados permanecerem intactos devido à sua
escassa exposição à luz e, no tocante às virtudes, evitar que permaneçam
pálidas e sem vida se não nos apercebermos como elas funcionam em nós. Só assim
"a paciência terá sua obra completa em nós". E na medida que nos
formos apercebendo que a obra exclusiva do Espírito Santo na terra é a
transformação de corações desde a sua raiz, logo nos dedicaremos a essa obra
com maior dedicação e atenção. Só os sábios conseguem salvar almas. "O que
ganha almas, sábio é", Prov.11:30. Sem sabedoria, ninguém ganha almas
para Jesus, ainda que as ganhe para a igreja. Podemos ter a certeza que toda a
obra incompleta não será considerada obra no juízo final. Que Deus consiga que
todos nós, sem exceção, sejamos achados tão inocentes diante d'Ele quanto achou
Daniel na cova dos leões. E Deus não nega o que vê e nem altera a Sua percepção
ou visão das coisas.
Irei exemplificar, na medida de minhas capacidades e dentro daquela
visão que Deus me deu, esta vertente da duplicidade do coração. Mais não será
possível. Mas, creio que importante é prevalecer a ideia de que precisamos
urgentemente de lidar mais aprofundadamente e mais amplamente com nosso coração
na aplicação de todas as verdades do evangelho. Um dia, surgiu-me esta
revelação sobre os dois lados do coração do homem quando seguia em meu carro,
meditando. Achei-a maravilhosa demais, mas, mais a maneira simples como tudo se
processou dentro de mim. Com o tempo, tudo se foi abrindo e expandindo para
outras áreas e aquilo que começou por ser uma página é agora um livro. É bom
ver como o mais ignorante e mais simples dos seres também é capaz de ter acesso
e retirar proveito da sabedoria de Deus. Basta pedir-Lhe. Sinto, contudo, que
poderia escrever indefinidamente sobre este assunto. Mas, muito mel cansa,
ainda que seja mel bom. Existem muitos mais exemplos, mas, como disse,
importante é enraizar esta ideia de que devemos contar com as varias vertentes
do nosso coração. É bom que você tenha a liberdade e a sabedoria de conseguir
saber mais desta faceta humana e que consiga chegar ao ponto onde a verdade
"penetra até a divisão de alma e espírito, de juntas e medulas para
discernir os pensamentos e intenções do (seu) coração". Espero, também,
conseguir evitar que se façam muitos juízos esporádicos, precipitados e errados
sobre o coração do homem. Que Deus nos abençoe muito. Amém.
- A
simpatia dum hipócrita é encantadora e logo colhe a atenção dos que olham;
o parecer dum homem humilde e sério na sua simplicidade é penetrante e por
vezes desconcertante, desencorajando-nos a aproximarmo-nos dele. Mas, em
nenhum dos casos deve seguir os primeiros instintos de seu coração, isto
é, entregar-se ao hipócrita ou afastar-se da simplicidade, pois não existe
simpatia maior que a de um homem honesto e simples de consciência e de
coração, como também não existe maior dureza de coração que a dum
hipócrita simpático e fingido.
- A
porta da paz de espírito encontra-se, muitas vezes, entre as dunas das
dúvidas acertadas, enquanto as portas para as tempestades de alma acham-se
entre as certezas em erro.
- Toda
a tentação é o oposto daquilo que você é ou então será o oposto daquilo
que deveria ser. Muito raramente será aquilo que você é, pois, então,
seria um modo de vida e não uma tentação.
- Quem
se abrasa em desejo será sempre alguém que nunca se satisfará, nem mesmo
quando se enche de tudo quanto o seu desejo pode assimilar e receber; mas,
quem não se vicia emocionalmente, será uma pessoa quase sempre satisfeita
e facilmente alegre.
- Um
inimigo é alguém que ajudará seu inimigo contra você; amigo é aquele que
ajudará seu inimigo a arranjar-se com seu Criador e consigo a ponto de se
amarem para sempre e não aquele que tenta manter-vos afastados um do
outro. Quem o ajuda contra seu inimigo, é inimigo
se sua alma. Quem o ajuda a concertar-se com quem tem algo contra si, ama
sua alma e defende o seu bem-estar.
- Qualquer
língua tem tantos músculos para falar quantos terá para se conter. Mas,
seu motor de arranque está dentro do coração e o botão para ligar e
desligar acha-se na paz de espírito e na paz de consciência. Quem fala
demais, fala porque nunca tem paz e por essa razão necessita que outros
pressionem seu botão por ele.
- Uma
língua que se cala acertadamente conhece sempre o teor da tentação de
falar quando não deve, pois de que outro modo tomaria conhecimento de
quando se deve calar? Muitos preocupam-se porque são tentados quando
deviam dar graças a Deus pela maioria de suas tentações, pois são elas que
nos manifestam que caminho não devemos trilhar e em que não devemos
pensar. O contraste que a tentação oferece abre a porta para a
santidade se estivermos fazendo as coisas através do Senhor.
Se estivermos de acordo com o Senhor e, assim, obtivermos graça, a
tentação servirá para ajudar-nos a ver o caminho que devemos seguir ou, no
mínimo, o caminho que não devemos seguir. Não devemos ter receio de sermos
tentados se estivermos no caminho da santidade. As tentações contrastam o
caminho para nós. Vamos regozijar-nos nas provações e sob tentações. É
durante uma tempestade que se destacam os lugares quietos e sossegados.
- A
tentação tem o poder de nos atrair para cair, quanto tem o poder de nos
fazer subir o próximo degrau da santidade. Sem tentação não existiriam
demônios, é certo, mas sem ela também nunca existiriam santos num mundo
como o nosso.
- Estar
calado quando se deveria falar é pecado, tal como quem fala muito peca
muito; mas, quem sabe calar-se sabia e oportunamente, será homem para ser
sempre tentado a estar calado quando deveria falar. Todas as virtudes têm
sua contra semelhança pecaminosa – acautele-se.
- Qualquer
boca que lisonjeia é boca feita para criticar, pois quem lisonjeia e quem
critica têm o mesmo coração. Quem agrada pessoas é pessoa feita para
desagradá-las também - só a pessoa que agrada pode tornar-se desagradável
ao interromper os agrados. Quem agrada pessoas é egoísta e quer ser
agradado. Quando não é agradado, pode desagradar os outros. Só desagrada
quem agrada e só agrada quem é capaz de desagradar. Se você não tiver boca
ou coração para lisonjear, não terá boca ou coração para criticar. O
problema é que, aquilo que somos para com as pessoas e lhes fazemos,
faremos para Deus assim que as circunstâncias se proporcionarem. Todo
aquele que lisonjeia pessoas, pode lisonjear Deus achando que isso é
louvor. São esses os tais que se amarguram e criticam Deus facilmente,
também. Lisonjas e críticas nunca funcionam. "Falareis falsamente por
Deus, e por ele proferireis mentiras? Fareis aceitação da sua pessoa? Contendereis
a favor de Deus? Ser-vos-ia bom, se ele vos esquadrinhasse? Ou zombareis
dele, como quem zomba de um homem? Certamente vos repreenderá, se em
oculto vos deixardes levar de respeitos humanos", Jó 13:7-8,10. Os amigos de Jó eram culpados neste aspecto
e cometiam esse tipo de pecado.
- Não existe orgulho que não esteja construído
sobre sentimentos de inferioridade. Deixem-me explicar. Quando uma
pessoa sofre de complexos de inferioridade, a sua natureza contra-ataca
achando algo do que se sentir orgulhosa. O mesmo acontece em relação a
sentimentos de culpa onde a pessoa recusa reconhecer suas culpas. O
sentimento de culpa leva a pessoa a encontrar instintivamente onde se auto
justificar. É assim que o mecanismo humano funciona. As pessoas encontram
sempre o seu próprio caminho como saída para algo que parece ser uma
crise. "Cada um se desviou por seu próprio caminho". Por isso,
sempre que lidar com problemas desses ou similares, tente lembrar sempre o
outro lado invisível da questão, isto é, o outro lado do coração do homem
e da verdade. O homem sente orgulho porque se sente inferior ou
inferiorizado devido à verdade que se expressa dentro de si em relação ao
seu estado decaído. Todo homem foi criado conforme a imagem de Deus.
Nenhum homem tem como escapar à sua própria criação ou constituição e
natureza. Logo, vivendo de maneira diferente daquilo que sua natureza
entende como sua constituição, leva qualquer ser a sentir-se inferior ou
perdido. Todos os sentimentos de orgulho, a partir de então, são uma mera
consequência da busca de estabilidade e de compensações. Como o homem
recusa conhecer seu estado pecaminoso, busca alternativas para sua própria
estabilidade interior. O orgulho, a auto justificação e outras coisas mais
são apenas duas formas de "caminhos próprios". Existem muitas
mais. A afirmação que quero fazer aqui é que todo o ser orgulhoso é um ser
que se sente inferior ou, no mínimo, inferiorizado. O orgulho é uma
'necessidade' de afirmação. O orgulho é um contra-ataque, uma reação. O
homem vive num estado inferior ao da sua criação. Por essa razão reage
como bicho orgulhoso. O homem faz tudo isso porque recusa fazer o que
deve: voltar às suas origens usando todos os meios da graça. Mas, a graça
é precisamente o poder oposto àquele que o orgulho concebe e onde se revê.
Quando Deus nos chama a "voltar", significa isso mesmo: voltar
às origens da criação. Por essa razão é que só os mais pequenos deste mudo
poderão ser os maiores. Os mais pequenos deste mundo são seres satisfeitos
e assegurados em Jesus e Seu poder. A falta de satisfação ou de segurança
advém do fato do homem encontrar-se separado de Deus e de estar vivendo de
uma maneira para a qual não foi criado. Por essa razão busca refugio no
orgulho e na auto justificação. Pense em Jesebel e na razão por que ela
"pintou-se em volta dos olhos, enfeitou a sua cabeça". Ela era
uma pessoa má e sentia-se feia. Ela era feia e sua consciência não mentia.
Por essa razão tentou encontrar uma forma de compensação. A sua maldade
era um tormento e ela reagia mal quanto a isso.
- Qualquer
um que diga boas coisas de si lisonjeando-o, será sempre alguém que também
pode dizer coisas más a seu respeito caso não receba uma recompensa como
retribuição pelo bem que acha que lhe fez falando. Acautele-se contra
lisonjeadores e nunca confie neles, antes trate-os como quem pode espalhar
questões sobre o seu próximo. Quem lisonjeia também é maldizente, sem
sombra de dúvida - são uma e a mesma pessoa!
- A
morte interior é a causa e a consequência do pecado no homem, a qual, em
seu engano, acha-se sempre viva; mas, quem é vivente por se haver
encontrado com Deus pessoalmente e factualmente, pode ser assolado pela
dúvida sobre a Vida porque a sua vida tornou-se diferente daquilo que
estava habituado e porque ouve a morte falar em sua soberba alegando ser
ela a vivente. As pessoas acreditam mais naquilo que ouvem do que na
verdade, mesmo que possam ouvir a verdade também. Por isso, o morto,
frequentemente, acha-se vivo sentindo a morte dentro dele, tanto quanto os
vivos podem ainda achar-se mortos sentindo a vida pelo lado de dentro. O
maior engano, no entanto, é quando o morto é crente evangélico ou o crente
evangélico for morto - ele achará que é muito vivo!
- Qualquer
pessoa que diz ser algo em sua soberba, é sempre alguém que irá desesperar
em tempos difíceis, pois qualquer tipo de arrogância é sinal de fraqueza
camuflada. É a forma que os humanos adotaram para encobrir, a qual
tornou-se natural e inconsciente. Mas, todo aquele que confia e despeja
simplicidade diante da turbulência, estando seu Deus, será sempre alguém
que nem no meio da riqueza deixará de ser simples e um humilde honrador do
seu Criador, pois reflete a imagem com que foi criado e não o que possui;
(a soberba é tentar refletir aquilo que possuímos (ou não possuímos) como garantia
de segurança, enquanto a humildade é deixar transparecer aquilo que somos
- não o que achamos que somos - independentemente do que possuímos ou
somos). Em todo caso, tal como a paz de espírito é uma tentação para
qualquer soberbo, também a turbulência pode vir a afetar quem conhece Deus
embora nem um nem outro consigam sair de seu posto por eles, a não ser que
o soberbo seja transformado encontrando o seu Criador ou o homem humilde e
confiante se deixe seduzir pela soberba do rico e peque. Qualquer um que
se ensoberbece ou confia quando tudo lhe corre bem, será sempre alguém que
desespera quando as coisas, aparentemente, correm mal. Quem se ensoberbece
no abastecimento, é alguém que, na verdade, nunca confia em Deus e o seu
coração não está fixado em Deus e, por essa razão, irá entrar em desespero
facilmente assim que Deus o cobrir de males que não fazem mal a ninguém e
os quais têm o poder de nos fazer bem por haverem saído com o mandamento
de nos transformar.
- Alguém
que se acomoda quando tudo lhe corre bem será sempre alguém que foge
diante de problemas e obstáculos. São os dois lados do mesmo coração.
Qualquer pessoa que enfrenta males com um sorriso e os vence sem ser
hipócrita sorridente, achando-se ainda em Deus no final, será pessoa útil
e trabalhadora em tempos de paz. Quem não faz nada em tempos de paz,
também nunca conseguirá fazer alguma coisa em tempos de preocupações,
mesmo que pareça estar muito atarefado por preocupar-se muito sem motivo.
O motivo, a origem das preocupações somos nós e não os problemas que
enfrentamos.
- Crer
em Deus apenas quando tudo nos corre bem é sempre sinônimo de luxúria
escondida; mas, crer em Deus dentro duma tempestade (sendo verdade que
Deus está ali presente de fato) e estar descansadamente confiante sem
fingimento, significa que tal pessoa, mesmo dentro da prosperidade e
fartura, nunca deixará de segurar a mão de Quem criou o mundo em seis
dias, para desviar-se por causa da plenitude que lhe choveu do céu. E
lembremo-nos que Deus descansou depois de trabalhar - não antes e nem
durante o trabalho.
- Toda
a língua que diz coisas erradas em momentos certos também é língua para
dizer coisa certa fora de tempo ou de forma errônea. É por isso que muitos
pregam a verdade sem ser por Deus e não juntam com Jesus, sendo achados
espalhando. Mas, para sintonizar a sua língua bastará ser liberto por
Cristo (e não pela igreja); sintonizar a língua com a inspiração; ser
agradável a Deus de essência; perder o medo de errar; e
desterrar para sempre o desejo de agradar pessoas, sejam estas religiosas
ou não, sejam líderes bíblicos ou não.
- Qualquer
coração que exige, será coração que se recusará receber quando lhe for
dado pela graça.
- Homem
que não crê na verdade, por invisível que esta seja (pois, para o cego a
lua não existe fora da sua imaginação), crê facilmente na mentira e deixa
a sua alma ser levada para a ilusão uma e outra vez sempre que esta lhe
bate à porta, mesmo que note que volta vazio sempre e cada vez que paira
longe de seu Criador crendo em mentiras. Qualquer orgulhoso está tão apto
a descrer da verdade, mesmo sabendo que pode ser verdade, quanto estará
apto a acreditar em uma mentira, mesmo sabendo que não passa de uma
ilusão. Por essa razão, as pessoas trocam a leitura da Bíblia por novelas
e romances imaginários tão facilmente - apenas porque se deixam seduzir
por algo susceptível de lhes intrigar a ponto de se deixarem levar para a
anestesia da morte trazida pelo pecado. Mas, o fato é este: quem não
consegue crer na verdade, acredita na mentira; e quem crê na verdade,
dificilmente crerá na mentira. Todo o coração tem estes seus dois lados.
- Alguém
que confia quando está em Deus, vivendo de Sua presença por dentro e por
fora, será sempre alguém que facilmente entra num ciclo de dúvida assim
que se achar fora dessa mesma presença. Isso ocorre sempre que a presença
é real e o crente simples. Ambas as coisas são fé, pois até a dúvida que
se manifesta é uma reação espontânea a uma verdade, a um fato e a fé é
crer na verdade e reagir a ela. E quando duvidamos fora da presença de
Deus, estamos a reagir a um fato verdadeiro - estamos a reagir bem. Mas,
todo o homem que descrê dentro da presença de Deus, será sempre alguém que
crê com maior facilidade fora dela – ambas as coisas são descrença, tanto
o descrer quando tudo é real e verídico, como o conseguir crer
ilusoriamente. É o mesmo coração que reage dessa maneira distinta em
circunstâncias diferentes, sendo o fator determinante a presença ou a
ausência de Deus. Tanto os crédulos como os incrédulos creem e duvidam,
mas, onde um crê, o outro duvida e vice-versa. Algumas dúvidas de um
crente são, na realidade, consequência duma fé real e que em nada é
fingida, enquanto as certezas de alguém afastado de Deus são sempre
consequência da incredulidade.
- É
preciso ser-se humilde para se receber de uma mão humilde sem sentimentos
de contrariedade, tanto quanto é preciso ser-se arrogante para se ter de
exigir de uma mão caridosa e cheia de simplicidade. O orgulho só recebe do
humilde exigindo dele. No orgulhoso junta-se o egoísmo de querer aquilo
que o amor tem para dar, com o desprezo pela humildade. O fruto, a
consequência, dessa mistura é exigir. Exigir é a saída para o orgulho
receber do seu jeito para, muitas vezes, evitar ter de agradecer. No
entanto, será tão penoso para um humilde receber da mão do orgulho, quanto
será para qualquer orgulhoso receber dum homem simples e humilde. Mas, o
orgulho recebe dele próprio ou de um igual a si, por muito que recuse
transparecer por fora aquilo que é por dentro.
- O
egoísta dá sempre que pode receber algo como contrapartida, mesmo que
aquilo que recebe de volta seja uma mera ovação e o vazio de um elogio.
Dizer que um egoísta não dá, é o engano e a ignorância a falar. No
entanto, é relutante em dar sempre que sabe que não receberá
reconhecimento ou contrapartida pelo que faz. Por outro lado, o amor real
sente relutância em dar sempre que sabe que vai receber uma contrapartida
e tem maior liberdade para dar quando sabe instintivamente que é uma obra
que não será recompensada. No entanto, creio que um homem perfeito dá
sempre livremente em ambas as circunstâncias, pois não tem coração para se
deixar seduzir ou impressionar com aquilo que alguém pode roubar dele ou
dar-lhe em retorno; e tal homem só faz e age conforme é, independentemente
do que se possa passar a seguir. Ele não age conforme a retribuição.
- Qualquer
crente mundano é pior que pagão e tem sempre tendência a crer apenas
quando o Deus verdadeiro é uma mera ilusão ou uma memória de sua mente que
já está ausente dele. O crente mundano acredita no que deseja que fosse
verdade e não consegue crer na verdade. A sua fé é uma forma de tentar
Deus para o poder abençoar em seu próprio proveito, é moeda de troca e
nunca uma constatação de verdades, fatos e realidades. Fé é crer na
verdade - é poder crer em uma verdade - e não é moeda de troca. O
crente são e puro crerá apenas quando se trata da verdade e não consegue
crer quando está lidando com uma mentira. O descrente consegue crer de
acordo com seus desejos e egoísmos, mas, é descrente quando Deus lhe fala
de verdade. Na verdade, é o tipo de coração que cada um tem o responsável
por crer e descrer da verdade ou da mentira. Um descrente crê facilmente
em qualquer mentira, enquanto o coração do crente nunca lhe permite crer
em tal coisa. Afirmar que o ímpio é sempre descrente é estar longe da
verdade, pois, qualquer ímpio crê avidamente em mentiras. Jesus falou
sobre "aquele que pode crer...", Mar.9:23.Existem pessoas que não conseguem crer na
verdade devido ao tipo de coração que alimentam, tal como existem pessoas
incapazes de crer na mentira. Fé é poder crer na verdade - não é crer.
- Um
crente são e puro, na sua simplicidade, entrará em dúvida caso aquilo que
crê seja ilusão, mas, a sua confiança e segurança será tão simples e
natural quanto seu respirar caso não esteja separado de Deus. Na verdade,
nem lhe passa pela cabeça esforçar-se para crer sob tais
circunstâncias e a incredulidade é, para ele, coisa que não entende e nem
assimila facilmente dentro de si. Mas, será preciso um ímpio lutar para crer
em Deus e de que Deus está com ele, tanto quanto será necessária uma luta
para um limpo de coração descrer sempre que a verdade lhe seja real.
Embora pareça, à distância, tratar-se da mesma luta, na verdade, são
coisas muito distintas. Um ímpio luta para crer na verdade e um puro
precisa lutar para crer na mentira. Foi isso que Jesus tentou
explicar quando disse que "todo o homem emprega força para entrar no
Reino de Deus", Luc.16:16. Por
isso, sempre que precisar lutar para crer em Deus, prefira limpar o seu
coração acima de tentar crer. Também é verdade que lutar com Deus da
maneira que Jacó lutou no ribeiro de Jaboque torna-se necessário quando
nosso coração não consegue crer em Deus ou na verdade que Ele falou. É
preferível isso que morrer de incredulidade. E Jesus morreu para que
aqueles que creem não pereçam, João 3:16. Isto significa que podem perecer caso abracem uma mentira ou caso
seu coração não se consiga rever numa verdade. A mentira mata qualquer
pessoa por dentro e por fora.
- A
verdade faz sentido ao coração sadio, tanto quanto esta será algo
questionável para quem tem a natureza do seu coração calcinada pela incredulidade,
a qual deve-se ao fato de haver pecado e separado de Deus; ou, então,
nasceu sendo enganadora e perversa. Ambas as coisas são originadas pelos
maus-tratos que sofreu vivendo fora da realidade de um Deus Vivo,
achando-se entregue às tempestades e à erosão de uma consciência
tranquilizada (calcinada) pelo mal, a qual acredita estar com Deus sempre
que não está. Mas, da mesma forma que um incrédulo questiona a
verdade, assim faz o crente que não é fictício ou iludido em relação à
mentira e à ilusão, pois questiona-a de imediato, surpreendendo mesmo os
que se agradam mutuamente entre si e a si próprios porque são fictícios e
fingidos.
- Quem
agrada os outros é fingido e não ama quem quer agradar. Quem agrada,
ama-se a si próprio e 'ama' para poder ser amado e não para abrir a porta
para derramar o amor que foi derramado em si - se é que foi. 'Amam'
aqueles que poderão 'amá-los' de volta. "Não fazem os gentios o
mesmo?" Qualquer pecador fará qualquer coisa para ser amado e aceite.
Agradar os outros é uma forma de amor-próprio. E tais pessoas podem mesmo
tornar-se más e vingativas caso não alcancem aquele retorno que pretendem
alcançar através de suas ações.
- Um
hipócrita é como um adúltero: tem uma vida alternativa ou paralela da qual
cuida diligentemente. O adúltero tem outra mulher que não é a dele e o
hipócrita apresenta uma vida que não é dele. Essa vida paralela não
necessita ser má em aparência para ser considerada hipócrita por Deus e
pelo bom senso. A outra mulher do adúltero pode ser bonita, bem comportada
e bem educada. Contudo, é a outra mulher e ser bonitinha não dá direitos
ao adúltero para envolver-se com ela e desprezar a sua. O fato é que,
sempre que cuidar da sua vida paralela, a sua verdadeira essência e vida
serão desprezadas ou, no mínimo, menosprezadas. Depois, temos um outro
problema em relação a isso: sempre que ouvir uma palavra bonita, sempre
que ouvir um sermão ou uma palavra capaz de curar a alma, irá aplicar essa
verdade que ouviu à vida paralela e não à essência do seu caráter e
coração. O adúltero dá à amante e não à esposa. A vida paralela deve estar
extinta e não ser cuidada e encorajada. Na verdade, ou cuida de sua vida
verdadeira ou de sua vida paralela. Não é possível cuidar das duas ao
mesmo tempo. Sempre que você se esconde por trás daquilo que acha que é ou
que acha que deve ser e sempre que isso se torna razão para causar uma boa
impressão aos demais e a si próprio, lembre que a verdadeira vida dentro
de si está sendo morta aos poucos pelo desprezo. Jesus veio para libertar
essa vida e para que ela seja verdadeiramente livre. Já alguma vez se
sentiu seco por dentro? Não será isso porque a sua essência da sua vida
está sendo desprezada e morre à sede? Por essa razão é que o fim dos
tempos será muito difícil: o conhecimento sobre os bons modos e as boas
virtudes estará disseminado pelo mundo inteiro. É lógico que a hipocrisia
irá alimentar-se desse conhecimento que se encontra espalhado por todos os
cantos do mundo. Certamente que, ao cuidar da vida paralela, a humildade
extinguir-se-á, pois sermos o que somos é a base, a verdadeira essência da
humildade. A única alternativa que resta para quem cuida da vida paralela
é o orgulho - até mesmo quando a vida paralela esconde bem esse orgulho.
Na verdade, a vida paralela só serve para uma coisa: para esconder e
disfarçar. A vida paralela só existe para poder encobrir aquilo que
achamos que não podemos revelar. Nunca poderá expor, cuidar e purificar
através da luz a sua verdadeira essência enquanto cuidar da vida
alternativa. Cuidar da outra vida é o oposto de andar na luz, pois, é
esconder. Qual das duas vidas você irá manter e cuidar? Da sua ou da
outra? A verdade é: se cuida de uma, a outra morrerá. São os dois lados da
mesma verdade. Você escolhe qual das duas irá cuidar e qual das duas irá
desprezar.
- Qualquer
homem que mente é sempre alguém que tem dificuldade em crer em uma verdade
também, da mesma forma que um homem de coração verdadeiro logo se
questiona acusando a dúvida assim que surge uma mentira no ar ou dentro de
si, mesmo que camuflada. A diferença reside no espírito de quem ouve e no
de quem fala, algo que se sente e se nota no ar. Também existe um gênero de
pressentimento à verdade entre dois verdadeiros, pois as pessoas
entendem-se mais por aquilo que são, do que por aquilo que dizem uns aos
outros. "Acaso andarão dois juntos se não estiverem de
acordo?" Amós 3:3.
Por norma, as pessoas do mundo tentam entender-se ou desentender-se
através da hipocrisia e do fingimento. Ser mau é o outro lado dos que são
hipócritas. Os filhos do reino tentam entender-se por aquilo que realmente
são por dentro e os hipócritas através daquilo que não são. E o
comportamento das pessoas costuma ser condicionado pelo jeito daqueles com
quem dialogam ou conversam. Aquilo que sou, influencia o que a outra vai
demonstrar ser diante de mim. Sempre que você vive abertamente e
espontaneamente tudo aquilo que é, qualquer homem mau é incitado e tentado
a fazer o mesmo. É uma consequência ou resposta natural ao seu
comportamento sincero. Só vai depender de quem influencia quem. Ora, os
maus não conseguirão manter esse tipo de comportamento aberto e sincero
por muito tempo, pois, acham que têm muito para esconder. Estando expostos
sentem-se ameaçados. Essa é a melhor maneira de evitar que os
escarnecedores se sentem à nossa mesa. Não se "aguentarão na
assembleia dos justos", Sal.1:5. As pessoas só andarão juntas sendo iguais. Seja você aquilo que
é, tal qual Deus é o que é. Nunca se atreva a esconder a sua justiça, o
seu coração, a sua vida diante de quem é errado de coração.
"Porquanto, qualquer que, entre esta geração adúltera e
pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também dele
se envergonhará o Filho do homem quando vier na glória de seu Pai com os
santos anjos", Mar.8:38.
- Qualquer
hipócrita sente dentro dele uma necessidade e uma força impelindo-o para
justificar-se tanto a ele próprio, quanto tudo aquilo que sente. Ele crê
instintivamente que precisa parecer aquilo que não é colocando nele
próprio um sorriso que acha que não pode ter naturalmente e nem de outro
modo. Nenhum hipócrita pode achar que temos condições para sermos
simpáticos e tratar as pessoas de forma cordial e amigável espontaneamente
mostrando apenas aquilo que realmente somos por dentro. Porque o hipócrita
crê que precisa fingir para sorrir, ele afirma que os bondosos são
hipócritas. É o outro lado do seu coração. Ele vê nos outros os próprios
defeitos. Ensina os seus filhos a fingir e a agir de forma premeditada,
pois, crê não ser possível vivermos espontaneamente sem manifestarmos
amargura ou qualquer outro pecado. Ele crê ser seu dever cívico fingir.
Com o tempo, o fingimento torna-se seu instinto natural e reage a tudo de
forma hipócrita e fingida. A água suja acaba por penetrar em todos os
cantos da sua vida. É a isso que Jesus chamou "o fermento dos
fariseus". Por isso, sempre que qualquer fingido deseje ficar longe
de certa pessoa, ele não leva em conta a possibilidade de falar
francamente que não deseja a sua companhia, isto é, dizer as coisas de
forma simples e calma. Logo, tem aquele instinto e necessidade de
tornar-se mau falando a verdade ou, no mínimo, ver-se como mau. Muitas
vezes, grita sem necessidade. Na verdade, crê ser necessário exaltar-se
para ser franco, tal qual crê ser necessário fingir para parecer bondoso.
Ele não consegue ser simples e sem fingimento na simpatia e, por essa
razão, não consegue ser franco e sem fingimento no confronto. Por essa
razão é que creio que a gritaria é própria dos hipócritas e fingidos.
Somente aqueles que agradam pessoas têm um coração capaz de se tornar
desagradável. Se você não agrada pessoas, não tem condições para tornar-se
desagradável para com elas - nem mesmo quando elas se desagradam de si por
culpa própria ou por motivos pessoais. As pessoas sentem-se mal e
desagradadas por causa daquilo que são e não por causa daquilo que você é
quando é sincero.
- Quando
um mentiroso hábil diz uma verdade, todos duvidam do que diz, pois não
sabe ser verdadeiro e todos notam a tremedeira da sua voz. O mesmo já não
acontece quando mente. Do mesmo modo, sempre se ouve um terremoto na voz
dum verdadeiro de coração quando mente e nota-se a sua segurança sempre
que diz a verdade. Um mentiroso não é experimentado a falar a verdade e o
verdadeiro a mentir. Caso um mentiroso queira ser convincente sempre que
fala a verdade, precisa muitas palavras para expressá-la da mesma forma
que expressaria qualquer mentira, ora acrescentando argumentos e palavras,
ora agindo de forma contraditória, suspeita e mentirosa.
- Quando
você acrescenta qualquer coisa à verdade, mostra que você não crê
totalmente nela. Este é o outro lado verdadeiro do seu coração. Isso é o
que os mentirosos fazem com a mentira, pois precisam acrescentar muito
para que possa parecer verdade. A verdade não precisa de predicados e
complementos. "Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não; pois o
que passa daí, vem do Maligno", Mat.5:37. Por que outra razão Salomão afirmou que quem
acrescentasse às palavras de Deus seria tido como mentiroso?
É porque qualquer mentiroso acrescenta na verdade tal e qual faria com a
mentira. É um instinto maligno e mentiroso que faz as pessoas agirem dessa
forma. Realmente, esse comportamento provém do Maligno e é comportamento
próprio de quem é ou foi mentiroso.
- Quando
alguém sente culpa e nem sabe do quê, isso nunca pode ser considerado como
convicção de pecado. Isaías especificou que era a sua língua que estava
impura porque aprendeu com o seu povo de impuros lábios, talvez pensando
que era cultura e dever, Is.6:5-7. Uma culpa pouco definida e pouco específica pode vir a ser
considerada como acusação maligna, desejo masoquista ou outra coisa
qualquer, mas, nunca como convicção de pecado. O mal-estar de espírito é
um dos derivados do pecado, mas, vai ter de tornar-se algo específico
porque a pessoa que pode sentir-se culpada sem o ser, por certo, nunca se
sentirá culpada quando e onde deve e evitará olhar as suas culpas
verdadeiras de frente também, porque, as culpas sem nexo, confundem quem
tem dificuldade em reconhecer a verdade e o pecado que realmente cometeu.
Quem se culpa e se acusa morbidamente é sempre alguém que encobre o seu
verdadeiro ser ou tem ainda o hábito de assim proceder, culpando-se e
recusando manifestar as suas verdadeiras culpas. Culpar-se é encobrir ou
tentar desculpar e quem encobre seus pecados nunca prosperará, Prov.28:13. O coração de cada homem tem sempre esses
dois lados. E também será verdade que, quem olhar suas culpas reais de
frente nunca se aperceberá da ilusão em forma de se culpar.
- Quem
evita alguém porque não gosta dessa pessoa, será sempre alguém que se
aproxima de quem gosta também e nem num nem no outro caso levará em conta
a vontade de Deus para elas. Quem desagrada por escolha pessoal, desagrada
Deus e agrada aos homens. Só desagradará pessoas quem quer agradá-las,
porque a promessa faz a dívida e a dívida gera a cobrança.
- Quem
evita um servo de Deus porque não aprecia alguns dos seus jeitos, sendo
mesquinho sobre certos assuntos em detrimento de outros, também terá
tendência para aproximar-se de um servo de Satanás se não desgostar de
suas maneiras, aceitando mesmo o mal final também porque gosta do jeito
inicial dele. Por isso é que os maus ainda se apresentam como bons: porque
os humanos seguem as aparências mesmo que digam que não o fazem e mesmo
que tenham conhecimento dessa situação. Depois de se desapontarem, correm
para voltarem atrás e tornam a fazer o mesmo uma e outra vez até sua vida
chegar ao fim. Caso pudessem viver mil anos, mil anos correriam atrás de
todo tipo de engano desse tipo. Esse é o estado de espírito de quem foi
criado perfeito e que agora vive do mal, morrendo para Deus cada dia
enquanto acha que vive d'Ele.
- Quem
se torna desgostoso e amargurado devido àqueles jeitos que a verdade
usa e são absolutamente necessários para o progresso da Vida em uma
pessoa, aceitará os jeitos dele próprio, os quais nunca se
transformarão em Vida e apenas geram a morte.
- Quem
se torna mesquinho sobre coisas insignificantes quando alguém lhe quer
trazer outras importantes e salvadoras, levando as coisas insignificantes
preferencialmente em conta, certamente também aceitará a morte oferecida
subtilmente. O mal e o bem não se acham nas infantilidades das pessoas,
mas, na essência do mais secreto do coração. A pessoa implica com a casca
porque não gosta do grão que está dentro dela ou aceita a casca porque
gosta do mal oco que ela contém. Se alguém implica e se aborrece com o
exterior de alguma coisa, certamente está evitando o seu interior.
- Se
sei lidar com o menor dos seres muito naturalmente sem sentir-me superior
a ele em nenhum aspecto, também tenho um coração que se sentirá à vontade
com a pessoa mais importante de todas. Se me sentir superior ao menor,
sentir-me-ei em tudo inferior ao maior. É uma lei da natureza. Quem se
sente igual ao que é considerado menor, sentir-se-á igual ao maior também,
pois sabe que as pessoas que Deus criou são todas iguais.
- Todo
homem que recusa ver uma boa conduta ou de encetá-la, será sempre alguém
que recusará desviar o olhar duma má conduta porque só ele próprio sabe o
que faz. Existem coisas que acontecem sempre juntas, conjuntos de
atitudes, dois lados de um mesmo coração. Então, quem se desvia do bem
dirige-se para o mal e quem se desvia do mal dirige-se para o bem.
"...Se não procederes bem, o pecado jaz à porta
e sobre ti será o seu desejo", Gen.4:7. Por isso é que a Bíblia apenas diz para nos
desviarmos do mal, pois o viver do bem estaria claramente implícito.
- É
aquele presunçoso que acha que consegue fazer tudo que também dirá antes
do tempo: "Não consigo!". O presunçoso nunca dirá "Não
posso" quando não consegue fazer - só quando pode! Por essa razão é
que os presunçosos são sempre os primeiros a desistir, pois, não conseguem
fazer aquilo que acham que conseguem. Mas, quem sabe que não consegue é
pessoa apta para ser ajudada por Deus e pelo poder da graça.
- O
humilde em Cristo nunca se achará pequeno demais para grandes tarefas
(porque sabe que é Cristo que as faz mesmo através dele), nem se achará
grande demais para pequenas tarefas.
- Aquele
que se abate quando se acha pequeno e inútil é aquele que quer ser
exaltado. Têm um e o mesmo pecado, um e o mesmo coração. Ambos não levam
Deus em conta. Só se abate quem se exalta e só se exalta quem será
abatido. E quem não se importa de ser pequeno porque o é, também poderá ser
exaltado porque não será afetado sendo-o. Só os que se humilham e assim
podem permanecer serão e permanecerão exaltados.
- Todo
aquele que se culpa é sempre uma pessoa que também se desculpa. É o mesmo
coração que tem dois lados e é coração que recusa corrigir-se.
- Quem
se aflige contra um malfeitor, é pessoa que terá inveja se esse malfeitor
obtiver algum sucesso, Prov.24:19. É o mesmo coração com os seus dois lados, como as moedas.
- Qualquer
pessoa ansiosa por uma mudança é pessoa insatisfeita e levará com ela o
coração que tem para onde quer que vá, isto é, se mudar de lugar
continuará igual. Não se deve buscar mudança por causa da insatisfação que
não vem de Deus. Devemos antes buscar mudança de coração e não mudança de
lugar, ambiente ou emprego. "Filho meu, teme ao Senhor e não te
envolvas com os que gostam de mudanças", Prov.24:21.
- Qualquer
apressado é sempre pessoa que se atrasa - ele terá as faculdades de se
atrasar porque é apressado e deixa coisas pendentes que exigirão atenção
mais tarde ou mais cedo, como também terá a faculdade de se apressar
porque se atrasa.
- O
coração que se aquieta facilmente na presença de Deus, é coração que se
inquieta com a Sua ausência. Todo coração que se aquieta na ausência de
Deus, inquietar-se-á com a Sua presença.
- Quem
está errado e quem está certo acham-se num mesmo ponto de partida, pois
devemos ter em conta que estar certo ou errado e reconhecê-lo, nunca será
o fim de uma questão porque pode ser o inicio de uma vivência em conjunto,
sendo que o entendimento não separa ninguém - antes une as pessoas. Quem
está certo ainda pode vir a errar até ao fim do seu percurso e quem parte
errado pode corrigir-se a tempo. O homem na cruz não se corrigiu no último
momento?
- Não
critique quem está errado porque está errado, pois se o fizer terá inveja
de quem está certo em vez de aproveitar para usufruir da alegria o que
Deus deu a outro para beneficiá-lo a si.
- Esta
moeda também tem dois lados: quem reconhece seus erros facilmente será a
primeira pessoa a conseguir estar certa. Quanto mais naturalmente alguém
reconhecer o seu erro, tanto mais fácil será para tal pessoa conseguir
prosseguir em seu caminho com aquilo que tem de certo. A pessoa que
desiste do que está certo é precisamente aquela que não desiste daquilo em
que erra. A pessoa que se corrige é lúcida e a que não
se corrige não é. This coin also has its two respective sides: if you
recognize and acknowledge your sins and errors easily and openly, if you
indeed walk in the light that way, it shall be very easy for you to be
right and securely guided. It is impossible to be misled if you indeed
walk and remain walking in the light. The easier it is for you to see or to
face an own error in the Light, the happier you shall be to be able to
straighten your ways that way; the easier it shall be to be right and in
full peace with the decisions you make in the Lord; and the easier it
shall be to ignore misleading temptations. The person who finds it
difficult to acknowledge own errors easily slips to wrong decisions and
wrong ways with confidence. That is the other side of not walking in the
Light. That person shall easily feel confident in slippery grounds and
shall doubt in solid ground. That's the curse he gains from not walking in
the light, showing all.
- Andar
com Deus implica andarmos com Deus e também Deus conosco e que isso seja
real e não uma mera crença que assim é. Mas, a pessoa que crê que Deus
está andando com ela sem que isso seja verdade, também irá descrer e achar
que Deus não está com ela quando estiver. Quando um pecador aparecer na
presença de Deus antes da morte, terá de modificar o seu próprio coração
também, pois toda a vida nova requer e exige um coração novo. Também
podemos dizer que todo desviado crê que Deus ainda está com ele. Sansão
levantou-se contra os Filisteus crendo que Deus ainda estava com ele
quando já não estava. Deu-se muito mal. Assim acontecerá consigo também se
você tiver de enfrentar algum pecado gigante e Deus já não estiver consigo
por algum motivo.
- Um
espírito obstinado não persiste em vencer: insiste em destruir-se. Um
espírito humilde e submisso a Deus não é obstinado, mas, persiste em
vencer. As pessoas acham que obstinação é sinônimo de persistência, mas,
na verdade, é sinônimo de desistência; quem teima, ou desistiu ou
desistirá daquilo que Deus tem para ele. Submissão e humildade são sempre
acompanhadas de vitória, vontade e força para chegarmos ao fim de tudo.
Devemos ter em conta que todas as atitudes humanas conseguiram apoderar-se
das palavras de Deus e da verdade para fazerem em sua vida prática o
oposto daquilo que dizem que fazem. Falam de amor quando são amados e
egoístas e não quando só amam sem motivos extras; falam em desistir sempre
que se submetem; falam em vitória quando se orgulham. Muitas coisas mais
poderíamos concluir devido à duplicidade que cada coração humano tem.
- Os
que menos fazem são os que mais se atrasam e as pessoas mais ocupadas são
aquelas que mais frequentemente são pontuais.
- É
mais fácil para Deus corrigir um erro nosso cometido na sinceridade de
nosso coração, mesmo que seja a longo prazo, do que corrigir uma coisa bem
feita através da falsidade.
- Quem
tem coração para terminar as obras que Deus lhe confiou, tem coração para
desistir das obras que não vêm de Deus. Não se sinta mal desistindo de
algumas coisas se está dentro da vontade de Deus. Do outro lado, quem tem
coração para levar as suas próprias obras até ao fim, tem tudo para
desistir das obras de Deus. Quando se render a Deus, o Senhor apenas
aproveitará o coração que tem, aquele que sabe terminar as tarefas que
começa. E não se sinta culpado em abandonar aquelas coisas que não
considera que sejam coisas erradas. Pedro abandonou a pesca e não existe
nada de errado em querer alimentar uma família.
- Quem
desespera esperando uma promessa é pessoa para se alegrar fora de tempo
também. Quem desespera pode facilmente ser enganado com cumprimentos
falsos de tudo aquilo que Deus tem para ela. Quem sabe esperar, sabe
livrar-se de falsos cumprimentos e de enganos.
- Existe,
realmente, o tempo de Deus. Esse tempo pode ser agora, depois ou pode ter
passado por nós sem que nos déssemos conta ou sem que tivéssemos sido
obedientes. Quem não for pessoa para estar atenta e completamente
reconciliada com os tempos de Deus, certamente que é pessoa que tem seus
próprios interesses escondidos, os quais exigem que Deus cumpra e torne
possível. Contudo, esse não é o único problema que tais pessoas enfrentam
sempre que não dão importância ao ritmo e aos batimentos do relógio de
Deus. Elas são pessoas que desesperam facilmente também e têm tudo neles
(todas as condições) para perderem tudo aquilo que Deus tem para eles no
momento que vivem. A verdade é que, todos quantos não estão plenamente
conciliados e uniformizados com as maneiras, os tempos e os modos de Deus
fazer as coisas d'Ele neles, trocam o dia de amanhã com o de hoje
facilmente. Caso isso esteja acontecendo consigo, caso queira viver o dia
de amanhã hoje, certamente perderá o que Deus teria para si hoje. O dia de
hoje será negligenciado ou mesmo desperdiçado. Não temos como servir dois
senhores ao mesmo tempo e nem viver dois dias ao mesmo tempo. Certamente
que um será negligenciado. Qual dos dois negligencia agora só você poderá
decidir. As pessoas que facilmente se esticam para o dia de amanhã,
negligenciam o dia de hoje e, seja porque razão for, não dão seus passos
juntamente com Deus. E, se chegam a juntar alguma coisa, não juntam com
Deus, nem para Ele e nem através d'Ele. Tal comportamento assegura que
amanhã fará o mesmo com o dia de amanhã, pois, o hábito que tem de
negligenciar o dia de hoje, faz distrair-se com aquilo que não pertence ao
dia fazer agora. O coração que tem irá com tal pessoa para o dia de amanhã
também. Não pense que o seu comportamento será diferente amanhã se não
começar a mudar essa atitude já. Não vivendo o dia de hoje implica que
amanhã também não viverá o dia de amanhã porque é esse tipo de coração que
tem dentro de si. E vivendo o dia de hoje somente hoje garante que amanhã
também viverá o dia de amanhã somente amanhã. Você será uma pessoa atenta
e simples. Tenho a certeza que isso é, em parte, a verdadeira essência de
vigiar quando se ora.
- "Porque
não é aprovado aquele que se recomenda a si mesmo, mas, sim aquele a quem
o Senhor recomenda", 2 Cor.10:18. Se isto é verdade, logo, quem se critica a ele próprio também não
obterá mérito. Quem se recomenda e quem se critica é a mesma pessoa e tem
os mesmos motivos quando faz uma e outra coisa. Não podemos esquecer que
qualquer coração normal tem seus dois lados. Existem muitas auto criticas
que são auto defesas e ninguém dá por isso. Não devemos esquecer isso.
- Aqueles
que não conseguem confiar em Jesus por haverem pecado têm um outro lado
igualmente fatal: eles confiam em suas próprias justiças quando são
justos. O que confia em Jesus e em Sua capacidade de regeneração e de
perdão para sair de qualquer pecado, ao tornar-se justo nunca confiará no
fato de haver-se tornado justo. "A justiça do justo não o livrará no
dia da sua transgressão (...) Quando eu disser ao justo que certamente
viverá e, ele, confiando na sua justiça, praticar iniquidade, nenhuma das
suas obras de justiça será lembrada; mas na sua iniquidade, que praticou,
nessa morrerá; quando eu também disser ao ímpio: Certamente morrerás; se
ele se converter do seu pecado (...) certamente viverá, não
morrerá", Ez.33:12,14.
- Os
crentes que andam fora da vontade de Deus (e são muitos), por regra,
acreditam serem pessoas agradáveis a Deus. Na verdade, buscam seus
próprios interesses e desejos e interpretam tal coisa com aquilo que Deus
quer para eles porque são eles que querem. Pensam que
satisfazê-los é satisfazer Deus. Na verdade, esta atitude inconcebível e
tão estranha ao evangelho faz, também, com que as pessoas busquem as
coisas de Deus do jeito deles (para manterem pelo menos um pouco da
sobrevivência da carne); ou, então, buscam que Deus faça, através de Seu
poder e glória, o que eles próprios querem e desejam. De uma forma ou de
outra buscam agradar-se a eles próprios e buscam que Deus os agrade
também. Usam o nome de Deus em vão.
- Qualquer
um que sinta a liberdade de seguir a opinião de outra pessoa, caso fosse
aquilo que Deus diria, também tem nele a liberdade intrínseca de descartar
as más opiniões de pessoas sem sentir-se minimamente afetado com isso.
Liberdade na obediência é, também, libertação da carne e do mal. Os
libertos deles próprios conseguem ser obedientes a Deus e ao que é certo
fazer-se. Por outro lado, todo aquele que não tem a liberdade natural de
ser obediente a uma opinião correta de outra pessoa, terá tudo nele para
ouvir sempre uma opinião errada e enganadora. Tal coração tem um preparo
especial para ser obediente à carne, ao mal, ao próprio e ao diabo. Está
preparado, pronto e pré-disposto para fazê-lo. Do mesmo modo, o coração
obediente tem um preparo e uma formação para ser obediente naturalmente,
sendo essa a sua natureza.
- Caso
consiga aceitar facilmente que alguém destrua a sua vida espiritual, com
certeza que também tem todas as capacidades de rejeitar prontamente e
instintivamente que alguém venha reconstruir a sua vida de forma real e
verdadeira. Terá uma aversão natural por cada tijolo espiritual, por cada
fundamento que tenha vida e que seja claro e incisivo. Vai sentir-se,
também, ressentido com tudo aquilo que opera uma mudança verdadeira e
eterna em sua atitude.
- Todo
aquele que consegue ser obediente a Deus de forma natural e de maneira
instintiva e simples, tem tudo dentro dele para desobedecer e descartar
com simplicidade aterradora tudo quanto não vem de Deus. Em outras
palavras, se quiser ter uma aversão natural para tudo quando vem da carne
ou de um enganador, basta tentar viver a vida de Deus de forma natural -
tão natural como se nunca tivesse experimentado outro tipo de vida. É só
tentar que funcionará com os limpos de coração. Obediência forçada não é
próprio de ovelha e quem se força a ser obediente a Deus ainda tem um tipo
de coração errado. Caso não consiga ser obediente a Deus de forma simples,
sábia e quase inconsciente, é claro que tem todas as aptidões para sê-lo
para com a carne e o mal. A obediência forçada não pode ser considerada
como obediência. Quando muito, pode ser uma candidata a ser tornada
ovelha. "Oh Senhor, não desejas sacrifício..." Então,
busque a obediência de ovelha - busque tornar-se ovelha.
- Sempre
que tenha medo de entregar-se ou de render-se à vontade de Deus sem
hesitações ou medo e colocar condições para entregar-se a ela
incondicionalmente, precisa saber que esse mal tem seu outro lado: você
tem medo de perder o seu estilo de vida, sua própria força e meios de
conseguir as coisas que ainda deseja. Não teme apenas aventurar-se
incondicionalmente na vontade de Deus, mas, também teme sair da sua
própria vontade. Assegure que resolve o problema pelos dois lados, caso
contrario ele voltará uma e outra vez com mais força.
- Se
você se tornou morno devido a algum pecado que cometeu em alguma fase de
sua vida e nunca o confessou ou, digamos, se você tolera algum pecado
mesmo que nunca o pratique, estamos perante um dilema: nem vive para Deus
e nem vive para o diabo. Isto é, as pessoas mornas para com o pecado
certamente que também serão mornas para com Jesus. Se você for frio
(gelado!) para o pecado, será quente para Deus. Só não pode ser morno para
o pecado se quiser ser um fogo de Deus. "...De seus anjos faz ventos
e de seus ministros labaredas de fogo", Heb.1:7.
- Sonhar
acordado tem um problema duplo: abre a porta para se crer na mentira e
fecha a porta para a fé, isto é, para poder crer somente naquilo que é
verdade e real. Contudo, a parte mais perigosa é quando a pessoa crê na
mentira e na verdade em simultâneo, pois, irá, com toda a certeza, lidar
com verdades da mesma maneira superficial que lida com as suas mentiras e
fantasias. E quem crê em mentiras raramente crê que sejam mentiras.
Enquanto a verdade for verdade e a mentira for mentira em nossa cabeça (e por
muito que a verdade nos desaponte quando não anda misturada com a
mentira), existe maior esperança do que quando a mentira e a verdade são
colocadas a um mesmo nível. As pessoas nunca se entregam de maneira séria
ao que sabem ser mentiras e sonhos. Logo, criam um coração que não se
entrega a Deus por crerem na verdade da mesma maneira que creriam na
mentira e, também, criam um coração que desconfia da verdade (tal e qual
desconfiaria da mentira). Por isso, fica sempre com um pé atrás quando é
Deus quem fala, criando um coração que não leva as coisas a sério. E o
coração que criamos andará sempre conosco. Parte do salário de uma vida de
mentira é lidar com a verdade de maneira superficial, pois o coração
torna-se superficial, desconfiado, protagonista, proteccionista, sonhador
e melancólico porque aloja fantasias. Sabe instintivamente que não pode
lidar com mentiras de modo profundo e sério e, por essa razão, lida com as
verdades com esse mesmo espírito superficial. Então, lembre-se de
complementar a sua decisão de crer somente na verdade com uma
transformação de hábitos e de coração muito profunda e séria. A entrega
total à verdade é uma condição inegociável para podermos ser viventes.
Crer na verdade sem mudar os hábitos superficiais do coração seria um maior
desastre do que crer na mentira. Lembre-se constantemente que estamos
perante uma luta entre vida e morte e não apenas perante um mero desafio
do desejo. Leve sempre em conta esta duplicidade de seu coração e trate de
seu coração levando-a em conta se quer realmente viver de e para Jesus.
Precisamos saber que é necessário mudar o coração e ensiná-lo a levar a
sério toda a verdade quando aprendemos a crer na verdade
incondicionalmente.
- Sem
qualquer margem para a dúvida, podemos afirmar que a intenção clara de
Deus com cada palavra que expressa é que surja a fé e que se creia
incondicionalmente e infalivelmente no que Ele diz (porque Ele é
verdadeiro). É por essa razão que faz promessas sobre aquilo que ainda não
pode fazer conosco. Dito isto, podemos afirmar que quando o fruto final do
que Deus diz é a fé sóbria (uma que não seja apenas sentimental e
fingida), então, não importa se tal palavra foi uma promessa ou a se foi
uma maldição. Quando Deus pronuncia uma maldição e dela nasce a fé em
algum coração, essa pessoa salva-se. Aconteceu inúmeras vezes que as
pessoas creram e arrependeram-se através de pré-anúncios de maldições ou
castigos. Um dos casos mais conhecidos foi o da cidade de Níneve sob a
pregação de Jonas. Quando a fé é o objetivo exclusivo das palavras de
Deus, não importa que sejam promessas ou maldições que Deus pronuncie ou
anuncie. João Batista chamou raça de víboras aos Fariseus e eles creram,
isto é, não rejeitaram as suas palavras porque era a verdade o que lhes
dizia. Por isso, não tema expressar cada palavra de Deus da forma mais clara,
mais simples e mais direta. Importante é que, no final, exista uma fé não
fingida em quem gostou ou não gostou daquilo que você disse. Quem gostou
do que ouviu não é (em nada) diferente de quem não gostou de ouvir, pois,
quem gosta de ouvir deve ouvir porque é verdade o que ouve e não porque
gosta. E se alguém que não gosta de ouvir sabe que aquilo que ouve é
verdade, estará sempre em vantagem sobre quem ouve com gosto, pois, está
mais perto de assumir a verdade como verdade em sua vida através do temor.
Por essa razão é que é crime não falarmos a verdade, acrescentar-lhe ou
tirar algo dela. Você teme que alguém alcance fé e se salve? Mas, agora
pense comigo: por que razão Deus pronunciaria uma promessa ou uma maldição
antes do tempo? Deus não poderia fazer logo aquilo que promete fazer mais
tarde ou pronunciar-se somente no momento que fosse fazer o que diz, ou
não pronunciar-se sequer? E é aqui que vemos toda a sabedoria de Deus no
tocante à duplicidade do coração do homem: se Deus pronunciar uma maldição
sobre alguém e essa pessoa ressentir-se de modo a amargurar-se ou
afastar-se definitivamente de Deus, ela também não estaria apta para
receber uma promessa sem orgulhar-se da atenção recebida, algo que também
terminaria em condenação. Isto é, quem se ressente de uma repreensão
também se orgulha da atenção de uma promessa e muito mais da
concretização. Na verdade, não importa se a palavra de Deus é uma promessa
ou uma repreensão - desde que seja verdade que irá acontecer. O efeito
final deve ser o mesmo: a fé pura e humilde.
- Existem
duas fases em nossa vida cristã que parecem, em tudo, ser semelhantes não
o sendo. Uma é aquela quando ainda nutrimos um certo amor secreto pelo
pecado. A outra é quando nutrimos um ódio secreto pelo pecado. A única
semelhança é serem fases de secretismo. Aqui, vemos que podemos tirar
melhores apontamentos e conclusões sobre a verdade se levarmos em conta
esta verdade sobre a duplicidade do coração do homem. Sempre que a pessoa
ama o pecado secretamente, irremediavelmente crê que odeia o pecado. E
quem odeia o pecado secretamente, muitas vezes, só o faz em segredo porque
crê que o ama. As acusações em quem odeia o pecado, ainda que seja um ódio
limitado pela falta de sabedoria e do conhecimento de Deus, fazem-no
sentir ou crer que ama o pecado. A confiança e a ausência de acusações
(por parte do diabo) em quem ama o pecado secretamente, fazem-no crer que
odeia o pecado e que está livre de si próprio. As acusações convencem e
inibem a confiança dos puros de coração e a confiança arrogante dos
impuros fá-los cair no poço do engano e, eventualmente, no lago de fogo.
Mas, tem mais: os que se sentem acusados também são presas fáceis da
amargura e da incoerência. Os seguros na falsidade parecem ser seguros e
coerentes, isto é, aparentemente felizes. Os acusados pelo diabo confundem
tentações com pecado e os arrogantes confundem pecado com tentação. Os
acusados também aprendem a ser misericordiosos porque são colocados em
terrenos de acusação. Logo, a tentação de acusar e de julgar é o terreno
onde um coração puro resolve fazer o oposto, isto é, ser misericordioso de
coração (não apenas na aparência) e coerente com a verdade. Mas, tais
pessoas só se tornarão verdadeiramente misericordiosos recusando aceitar o
pecado e demonstrando o poder que liberta dele. Aceitando o pecado sob
desculpa de ser misericordioso, não torna ninguém misericordioso e antes
conivente e cooperador do pecado. Os que não se tornam misericordiosos de
verdade poderão ser lavados por cominhos que os fazem julgar os outros e
julgam, principalmente e preferencialmente, aqueles que estão certos.
- Todo
aquele que se torna incapaz de confiar no seu próprio entendimento das
coisas será sempre a pessoa mais convicta quando recebe e vê o
entendimento de Deus sobre essas mesmas coisas. O inverso disto também é
verdade: quem confia no seu próprio entendimento sobre coisas importantes,
desconfiará do entendimento que Deus dá - caso lhe seja dado a ver como
Deus tenciona resolvê-las. Você quer ter fé em si próprio ou em Deus? As
duas coisas juntas não será possível ter. O mesmo podemos dizer dos que se
sentem fortes e fracos, capazes e incapazes. Todos os que, pela carne, são
incapazes, serão vasos de puro poder e força nas mãos de Jesus. "Diga
o fraco, 'Eu sou forte'". Mas, conte com a realidade desta
verdade em todos os casos.
- Existe
um outro lado perigoso naqueles que não sabem ou não querem separar
verdade de verdade e mentira de mentira, isto é, colocar cada coisa em sua
própria perspectiva. Distinguindo entre coisas do mesmo gênero seria o
equivalente a distinguir entre os membros de uma família. Só assim será
reforçado o discernimento (um dom raro e muito útil nos dias de hoje). A
pior coisa que pode acontecer a pessoas que não conseguem discernir é
tornarem-se capazes de rejeitar verdades por troca de mentiras. As
verdades são desprezadas somente porque alguém não consegue entender,
aceitar ou encarar alguma verdade tal como é. As mentiras, contudo, são
bem aceites pela carne porque confortam-na. A maneira da mentira conseguir
entrar em uma vida é, também, ser aceite como um todo, isto é, sem ser
dissecada e desmembrada. Sabemos que aquele que evita discernir está mais
apto a aceitar mentiras e todo aquele que é honesto e persistente na
avaliação das coisas de Deus e dos homens é pessoa mais apta a viver da e
na verdade. Os cientistas não separam genes de genes e bactérias de
bactérias? E o desenvolvimento do conhecimento nessa área não se deve
maioritariamente a essa prática? Tal como a doença prevalece onde não há
investigação séria e paciente, também a mentira prospera onde o
discernimento não é pratica constante em uma vida espiritual. Do mesmo
modo, podemos afirmar que a verdade prevalece sempre onde o discernimento
é sério, honesto, simples, dedicado e objetivo, tal e qual a saúde existe
onde a investigação é dedicada e precisa. São os dois lados desta verdade.
- Aquele
que se justifica também tem uma mão que facilmente lança pedras sobre os
que, em sua perspectiva, erram. Quem se justifica também se sente acusado
do nada, pois, o seu coração criou o hábito ou instinto macabro de se
justificar por tudo e por nada. Os que se justificam sentem-se ameaçados
até quando não existe ameaça. Na verdade, a auto justificação pode ser a
consequência da obra da própria consciência ao longo dos anos. A pessoa
sente-se acusada do lado de dentro e a defesa torna-se a sua segunda
natureza, seu instinto natural. Lançando pedras sobre os outros, ou
concordando com quem as atira, ou tecendo culpas a estranhos, ou tendo um
coração que ordena que se lancem pedras sobre alguém que fala, cria a
oportunidade para uma consciência manchada escapar desviando as atenções
dela própria. Tal agitação faz crer que um outro é culpado daquilo que se
sente acusada. Por essa razão é que Jesus afirma que, quem julga, será
julgado pelos mesmos pecados que acusa e vê nos outros, pois, por alguma
razão tem consciência deles. "Aquele que nunca pecou, seja ele a
atirar a primeira pedra". Jesus é muito sábio em inverter a direção
das pedras para o próprio. Na verdade, todos os acusadores se justificam a
eles mesmos na mesma medida com que acusam. Auto justificação não é nada
mais que uma cobertura para o pecador-acusador. O outro lado de um acusador
é e será sempre a auto justificação e quem se justifica tem
necessariamente de acusar e justificar-se porque não quer reconhecer os
seus pecados.
- Existem
mais duas coisas onde se detecta esta dualidade do coração do homem: na
paciência e na impaciência. A impaciência é parceira frequente de sonhar
acordado. Sonhar acordado e impaciência são inseparáveis, tal como
paciência e fidelidade. Sonhar acordado permite à pessoa "viver"
aquilo que Deus não pode dar logo ou, então, não vai dar sequer. A
paciência, por seu turno, consegue esperar e receber as coisas certas em
seu devido tempo. Por essa razão é que a paciência se consegue preparar
para receber e a impaciência nunca permite essa preparação. A impaciência
adia ou anula por completo o momento de receber, pois, quem sonha nunca se
prepara e só recebem os que estão preparados. A paciência adianta a obra
da preparação porque não perde tempo com banalidades irreais. Deus só pode
dar a quem é pessoa preparada para receber e, depois, continua sendo
pessoa que permanece igualmente fiel após haver recebido. Se não o fizesse
assim, não seria um Deus de amor. Por isso, a paciência tem como virtude o
conseguir acabar com o sonhar acordado. Daí que sobra tempo para a pessoa
preparar-se, caso se dedique à preparação em vez de dormir. Mas, não é apenas
isso que consegue: na verdade, liberta-nos de um tipo de escravatura que é
a principal causa da despreparação. Uma pessoa convenientemente preparada
é pessoa para manter-se fiel ao que recebe. Isso significa que é pessoa
que está apta para receber sem, com isso, destruir a própria alma. José
não mudou depois de haver-se tornado a pessoa mais importante do Egito.
Ele saiu do posto mais vil para o mais importante do Egito de um dia para
o outro. Você conseguiria sair da escravatura diretamente para o cargo mais
importante do seu país sem mudar seu coração em relação a Deus e ao seu
próximo? Por que razão José o conseguiu? Você está preparado para ser fiel
a Deus? Deus pode dar-lhe o céu neste preciso momento? Sonhar acordado,
além de ser uma forma de preguiça, é uma forma de teimosia. Quando é que
começaremos a ver as coisas grandiosas de Deus como reais, as quais
esperam encontrar pessoas prontas, isto é, pessoas que as recebam como se
nunca tivessem vivido de outra maneira? " ...Preparar para o Senhor
um povo bem disposto (prontificado)", Luc.1:17. Sonhar acordado estará sempre associado ao
irreal e ao impossível. E sonhar com o que poderia tornar-se real é uma
das faces da impaciência. Outra face é a despreparação e a falta de
fidelidade. Também existe um perigo real em quem sonha acordado: quando
vier o que Deus promete, a pessoa pode descrer e ofender Deus ou mesmo
rejeitar o que Deus lhe traz por não ser igual ao que imaginava receber em
seus sonhos de preguiça. Os judeus não rejeitaram Cristo? Por que razão,
você acha, veio João Baptista "preparar um povo (com coração)
disposto para Deus"? Não estavam preparados para receber o Cristo que
tanto esperavam porque Cristo chegou até eles de uma forma que não
esperavam. "Veio para o que era seu e os seus não o receberam", João 1:11. Jesus veio sem nada para oferecer além de
Vida Real. Mesmo que O recebamos, mas, sem alegria, é, para Deus, uma
forma de rejeição. Mas, tem mais. Você já viu pessoas terem medo da
realidade? A impaciência e o sonhar acordado estão estreitamente ligados à
timidez que Deus condena. "Por que sois assim tímidos? Ainda não
tendes fé?", Mar.4:40.
"Mas, quanto aos tímidos (...) a sua parte será no lago ardente de
fogo e enxofre, que é a segunda morte", Apoc.21:8. Por outro lado, encarar a realidade das
coisas grandiosas de Deus permite-nos, mais dia, menos dia, receber o céu
aqui na terra como se nunca tivéssemos experimentado outra coisa.
"...Os dias do céu sobre a terra...", Deut.11:21. A paciência aliada à realidade das coisas
grandiosas de Deus também impulsiona a obediência, pois, motiva o homem a
preparar-se criando um coração entregue, rendido e submisso
continuadamente. Sonhar acordado também permite à pessoa uma vida
própria paralela. E como ninguém consegue viver duas vidas ao
mesmo tempo e nem servir dois senhores, essa vida paralela anula a vida de
Deus em nós depois de descartá-la. Sonhar não permite a realidade de Deus
que está para além daquilo que possamos imaginar. E se Deus entrar em
alguma vida de sonhador, Ele será sempre um hóspede indesejado porque Ele
é real. E nenhum dono de um coração deve sentir-se hóspede naquilo que é
seu por direito - muito menos um hóspede indesejado.
- Agora
falemos sobre esquecer e lembrar. Muitos creem que esquecer é um mau
hábito. Pode ser. Contudo, nunca nos podemos esquecer que tanto o lembrar
quanto o esquecer são faculdades humanas das quais dependemos para nosso
dia-a-dia. Tenhamos em conta que lembrar o mal é tão mau quanto é esquecer
o bem ou aquilo que é bom e oportuno lembrar. Eu creio que tanto o
esquecer quanto o lembrar podem ser boas faculdades da criatura. Esquecer
e lembrar, quanto a mim, estão em pé de igualdade e ambas as coisas podem
ser usadas tanto de forma útil quanto pecaminosa. Esquecer de certas
coisas abre espaço para nos lembrarmos de outras. Não é fácil e nem útil
lembrar de várias coisas ao mesmo tempo. A concentração exige uma boa
memória quanto uma boa facilidade para "esquecer" (abandonar) o
que está fora do contexto daquilo que nos devemos lembrar em dado momento.
Esquecer da maneira certa, isto é, não lembrar delas, permite que
pensemos, meditemos e analisemos o que é importante lembrar naquele
momento. Não será isso a concentração? Esquecer não pode ser pecado, a não
ser que se esqueça por negligência daquilo que devemos lembrar. Temos
vários exemplos na Bíblia onde, esquecendo, as pessoas fizeram a vontade
de Deus. O mordomo de Faraó disse que havia pecado esquecendo-se de José
durante dois anos na prisão. Nós, contudo, sabemos hoje que não foi pecado
e sim providência de Deus. Devemos ter em conta, também, que para nos
lembrarmos de certas coisas não podemos ter mentes ocupadas com aquilo que
Deus não considera importante ou prioritário em dado momento ou em termos
eternos. Mentes ocupadas com preocupações, amarguras, brigas, assuntos
deste mundo (entre outras coisas), não são espontâneas e aptas a lembrarem
do que devem lembrar no momento certo. Mas, como se aplica isto no
contexto dos dois lados do coração do homem? Deveria haver uma mentalidade
que reconhece que lembrar e esquecer devem e podem ser parceiros e não
oponentes. Esquecimento ajuda-nos a lembrar e lembrar ajuda-nos a
esquecer. Existe uma cumplicidade entre uma e a outra coisa que devemos e
podemos aproveitar ao máximo sem sentimentos de culpa. É verdade que todas
as coisas boas têm o seu demônio, isto é, cada virtude tem a sua imitação
pecaminosa. Existe uma aplicação errada e pecaminosa desta cumplicidade
entre esquecer e lembrar. Esquecer o que devemos abrirá a porta para nos
lembrarmos do que não devemos. Esquecer de forma natural aqueles pecados
confessados pelo nome e verdadeiramente perdoados abre a porta para nos
lembrarmos do Senhor e vê-Lo tal e qual Ele é. Mas, lembrarmo-nos de
pecados que nunca confessamos pelo nome será muito útil para qualquer um
que deseja viver na luz e confessá-los um por um. Dependendo das
circunstâncias, esquecer ou lembrar tanto pode ser bom como mau. Vemos,
por isso, que deve e pode existir uma verdadeira cooperação, utilização ou
gestão inteligente e útil entre esquecer e lembrar. Ninguém consegue
lembrar de uma coisa importante sem esquecer o que não é importante.
Ninguém consegue lembrar sem esquecer e nem esquecer sem lembrar-se de
algo diferente. Evite antagonizar cooperadores, isto é, os dois lados da
mesma virtude.
- Já
conheceu pessoas que mudam de ideias por tudo e por nada ou de um momento
para o outro? É mais difícil destacar um só problema do outro lado deste
coração. Existem, de fato, vários problemas em um tal coração instável. É
um lado com muitos deles - é um conjunto. Vamos destacar alguns deles
apenas. Mas, não podemos separar uns dos outros, pois, estão interligados
e são um conjunto de inseparáveis. Normalmente, também morrem juntos
quando se é salvo desses pecados. A pessoa de coração instável vive de
acordo com o que sente e, por vezes, de acordo com aquilo que pensa em
dado momento e todas as suas decisões e atitudes mudam conforme o seu
estado de espírito. As decisões são adaptáveis ao estado de espírito. Estão
aptos (programados) para decidir e fazer de acordo com aquilo que sentem
em cada instante diferente. Mudam como o vento. Esse problema pode e deve
ser resolvido optando pela vontade de Deus, a qual nunca muda. Mas, o mais
importante será achar graça para se manter nessa vontade, custe o que
custar. Essa graça precisa ser achada e mantida fluente e em estado
crescente. Outro problema é a pessoa com esse tipo de coração estar muito
segura sobre um assunto e insegura sobre a mesma coisa no momento seguinte.
Descobrindo a vontade de Deus de forma inequívoca e clara, segurando nela
após essa revelação e até mesmo quando a revelação já estiver meio apagada
da memória, também resolve tal anormalidade caso também haja uma estreita
cooperação com a graça e um negar efetivo da vontade e vida própria.
Também será necessário achar aquele poder vivo e sublime (suave) para
executar tudo com perfeição e espontaneidade crescentes. Isso trará paz de
coração e de espírito igual à do céu. Descobrindo as coisas de Deus de forma
real e viva inspirará e aprofundará a fidelidade e a lealdade, algo que
estorvará para sempre mudanças de humor e de ideias. Outro problema,
(talvez o mais despercebido e disfarçado de todos), é a impaciência.
Podemos ter a certeza que uma das razoes para alguém mudar de ideias
constantemente é a impaciência, muitas vezes aliada à insatisfação sobre
coisas que vão mudando a cada hora por culpa própria. Isso deve ser o que
mais priva alguém de experimentar e achar (de forma viva) a vontade de
Deus para a sua vida total. Tal impaciência nunca permitirá que a vida
abundante tome conta de todo um coração porque essa vida é constante, isto
é, eterna. O coração precisa mudar e tornar-se eterno também, isto é,
constante, sem altos nem baixos. Após essa transformação, uma confiança
mútua entre Deus e homem fará o resto. Se a nossa vida for honestamente
abundante, seremos capazes de confiar em Deus na mesma medida que Ele
confia em nós e vice-versa - isso se formos profundamente honestos. Você é
fiel e quer tornar-se fiel?
- Quando
o homem tem um relacionamento limitado com Deus (ou não tem qualquer
relacionamento real ou digno desse nome com Ele, através do qual tanto
o dom da fé quanto o fruto da
fé brilham intensamente, transformando tudo aquilo que o homem é e pensa),
certamente que tal criatura terá um tipo de fé própria, sustentada na/pela
força da carne. Não existem descrentes. Existem afastados de Deus com
crenças próprias, seja essa crença ateísta ou não. Ninguém deveria
fabricar um tipo de fé própria onde Deus não está realmente presente. E
isso é o que faz quem não se relaciona com Deus de forma real. É
inevitável que assim aconteça. Antes, deveriam tomar consciência de não
terem o relacionamento com Deus que teriam de ter obrigatoriamente. Em vez
de reconhecer a sua situação deplorável e lamentável, criam a sua própria
fé, análise, explicação ou doutrina. Se o Espírito de Deus não estiver
presente de tal forma a poder alimentar e sustentar a fé do homem de
forma exclusiva, devemos parar tudo para
nos relacionarmos com Deus primeiro. Tudo o resto é de menor importância -
muito menor! O outro lado do homem afastado de Deus é ter crenças próprias
e substitutas e uma insegurança que passa invisível, a qual substitui
aquela segurança natural de uma percepção viva da verdade realmente viva.
No homem vivente, contudo, nota-se a ausência de crenças próprias de auto
preservação e auto defensiva. Esse é o seu outro lado, pois, além de não
necessitar delas, tem-nas como uma séria ameaça à realidade da
verdade. Se o homem tentar fabricar uma fé sua, mesmo já estando a
relacionar-se com Jesus de certa forma e de maneira real e inequívoca por
haver-se desviado de seus pecados e, em especial, de pecados de estimação
como a impaciência, má-língua, teimosia e outros, certamente que evitará a
todo custo ser ativo no desenvolver e no viver de uma fé viva e crescente,
pois, ainda mantém o hábito de tentar ter a sua própria. Logo, tornar-se-á
uma pessoa apta a crer em doutrinas convenientes e falsas da graça inativa
ou pouco produtiva que crê experimentar. Dispensa os frutos reais e
consequentes de uma comunhão viva com Jesus. Certamente que também terá
tendência para tornar-se ativo e produtivo nas coisas do mundo. Na
verdade, tal aberração de criatura nunca saberá distinguir a verdade da
mentira que criou em seu próprio coração, isto é, que devemos fazer tudo
pela fé, incluindo o que não levamos conosco para a morte. O homem que
fabrica a sua própria fé só saberá viver e conviver com um tipo de fé que
não funcione e que não seja viva e real. Uma fé viva e real atrapalha a
sua vida mundana e tal criatura aberrante precisa de rejeitar essa fé viva
como falsa para poder manter a sua de conveniência como verdadeira. É um
jogo de conveniências para qualquer tipo de consciência suja. Nenhum
crente carnal prescinde do seu "braço da carne", seja esse braço
qual for ou de quem for. Do outro lado, a verdadeira fé é ativa, relutante
em estar parada ou sem obra feita, isto é, sem apresentar resultados
práticos. Contudo, tem a sua própria maneira de viver através do óleo que
vem do céu. Seu maná, sua fonte de alimento vem do céu, é invisível e,
também, real. Todo descrente ou crente carnal tem a necessidade de manter
a sua falsa fé sob pena de sentir-se perdido e inseguro. Mas, perguntemos:
um perdido real, alguém realmente afastado de Deus deve ou pode dar-se ao
luxo de sentir-se seguro?
- Existe
uma estranha associação entre pecado e tentação da qual raramente nos
apercebemos. Isto é, a maioria das pessoas confunde tentação com pecado e,
consequentemente, o pecado passa muitas vezes despercebido como tentação.
E é uma das circunstâncias onde melhor nos apercebemos de como esta
dualidade do coração do homem funciona. Tenho a certeza que todos quantos
sejam capazes de ver a tentação já como pecado, também serão capazes de
ver o pecado como uma mera tentação. São os dois lados duma mesma verdade.
Isso acontece apenas porque não se diferencia entre pecado e tentação. Não
existe discernimento. Devemos levar sempre em conta esta dualidade dentro
de cada coração. Existem estes dois lados que devemos ter em conta. Por
outro lado, todo aquele que vê pecado como pecado, certamente que estará
apto a ver a tentação como tentação também. Tentação não é pecado e pecado
não é tentação.
- A fé
real, para existir, exige de nós duas coisas: que Deus realmente fale e
não seja mera ficção da cabeça do homem; e, também, que o homem tenha ou
esteja na fase de ter um relacionamento puro, incondicional e igualmente
real com Deus. Sem essas duas coisas não existirá fé não fingida. Sem uma
dessas duas coisas haverá fé deficiente ou fé ineficiente. Não existe fé
fora de um relacionamento genuíno com Jesus, ainda que se ouça a verdade.
E, também, ninguém poderá crer honestamente sem que Deus haja falado. Uma
palavra vinda de Deus é sempre indispensável para haver fé. Nenhuma planta
crescerá fora do solo e, uma vez no solo, não crescerá sem alimento e
água. Bom solo não basta e uma boa semente também não chega. Tem de haver
uma combinação das duas coisas. A fé, a partir de uma palavra da boca de
Deus, precisa ser cuidada, alimentada e banhada com a presença de Deus. E
essa presença não pode ser uma presença de ficção - precisa ser real. A
verdade é que a fé falsa cresce muito rapidamente fora da presença de Deus
e, também, quando existe uma mentira que afirma que Deus disse o que não
disse. Quando isso acontece, é óbvio que a fé verdadeira deixa de ser
opção e desejo. Não se admire, pois, se sob essas circunstâncias a fé
verdadeira seja vista e tida como a falsa. E, também, podemos concluir que
a fé verdadeira precisa de abolir todas as esperanças falsas e enganosas
que se formaram no coração de qualquer homem ou mulher. A fé verdadeira
nunca sobreviverá aliada a uma falsa e nem a fé falsa sobreviverá aliada a
uma clara intenção de sermos verdadeiros. São os dois lados da mesma
verdade. A fé falsa é inconstante e emocional, por vezes, emotiva mesmo, enquanto
a real é paciente, objetiva e eterna, isto é, constante (sem altos nem
baixos). A fé falsa busca a força da emoção para se assegurar (busca ser
fé diretamente, saltando o muro para entrar no aprisco), enquanto a fé
verdadeira busca o relacionamento com Deus e uma palavra da boca d'Ele,
seja essa palavra de confirmação ou não. A fé verdadeira assume que deve
ser consequência de um relacionamento e do ouvir de uma palavra verdadeira,
quando a fé falsa se auto fabrica e se cria a ela própria, induzindo-se a
existir. Quanto mais vivo e quanto mais constante for o relacionamento com
Deus, tanto mais espontânea e mais perspicaz será a fé verdadeira, a qual
não usa a força da carne e do auto convencimento para existir e permanecer
para sempre. Aliás, a fé verdadeira anula e despreza tais coisas e tais
maneiras de proceder. Na verdade, a fé verdadeira recusa convencer-se a
ela própria e sente repulsa por tal comportamento. Tenha o cuidado, por
isso, de mudar a sua atitude se está abandonando o fingimento em troca da
realidade. A fé real será sempre fácil de obter e é simples em seu parecer.
As fé falsa serão precisamente o oposto disso e só sobrevivem à custa da
força da carne, da complicação, de desculpas e evasões, as quais precisam
resistir a Deus e à verdade para se estabelecerem como são e onde não
devem.
- As
pessoas têm (ou absorvem) esta ideia de que mansidão é tolerância. Ser
manso não é ser brando ou tolerante quando o pecado bate à porta. Aliás,
quanto menos tolerante a pessoa é para com o pecado, tanto mais mansa ela
se torna. O pecado traz dureza ao coração e a dureza de coração é o oposto
de mansidão. Então, o que é ser manso? Mansa é aquela pessoa que não é
nada branda com o pecado (principalmente o seu próprio pecado) e, ainda
assim, é muito bem aceite e ouvido. A mansidão torna-nos capazes e mais
audazes para irmos mais longe do que aquilo que imaginaríamos ser
humanamente aconselhável ou possível. Exterminar o pecado em nosso coração
torna-nos mansos e nunca duros.
- Aqueles
que falam a verdade e pedem desculpa em seguida por haverem sido
verdadeiros e aqueles que gritam e brigam para dizer uma verdade a alguém
são uma e a mesma pessoa. Ambos buscam justificação para aquilo que fazem
ou dizem. Um pede desculpa para não ficar mal na fotografia e o outro quer
que creiam que a verdade se justifica somente através da ira. São os dois
lados do mesmo coração. Ambos agradam pessoas, pois, só quem as agrada
será capaz de tornar-se desesperadamente desagradável. Todo o tipo de ira
no ser humano é e será sempre uma forma de se justificar a ele próprio.
Ira é auto justificação e quem pede desculpa por haver falado a verdade,
também se está justificando e perdendo a oportunidade de tornar-se útil
ficando calado.
- Agora
vejamos os outros lados da ignorância e da sabedoria. Você já viu alguém
que sofra de ignorância pensar que não sabe nada? É frequente que quem
sabe pouco pense que sabe muito, pois só consegue avaliar as coisas
através dos escassos conhecimentos que tem. Só usa o que tem para pensar e
só pensa com o que tem. Também é frequente vermos que só os sábios
reconhecem saber pouco, pois, fazem uma melhor avaliação das coisas.
Conclusão: quem sabe pouco acha-se sempre sábio aos seus próprios olhos ou
quer mostrar-se sábio; quem é sábio tem sempre a noção de quão pouco sabe.
- A
verdadeira obra de Deus, aquela obra genuína de um avivamento real, só
ocorre quando as pessoas estão aptas a receber e aceitar Deus como Ele é e
quando Ele se manifesta de maneira real e da maneira que Ele quer. Se Deus
se manifestar dessa maneira genuína e as pessoas fugirem, rejeitarem-no ou
optarem por suas próprias vidas de uma forma ou de outra, a maldição de
Deus prevalecerá e ninguém conseguirá impedir a maldição sobre tais
pessoas, por muito que tente. Quem rejeita uma tal manifestação genuína de
Vida Eterna nunca ficará impune. Lemos em Lucas que João Baptista tinha
como missão preparar um povo que estivesse afim do Senhor em Sua vinda. E
Deus disse que enviaria João antecipadamente para não ter de ferir a terra
com maldição, Luc.1:17; Mal.4:6. Queria ter um povo preparado e afim, isto é, "bem disposto
para o Senhor". Contudo, quando Deus desce sobre as pessoas de forma
real como aconteceu em Pentecostes e como ainda acontece em alguns lugares
do mundo - e Deus só desce quando um mínimo de condições e requisitos são
preenchidos - as pessoas começam a crer que se tornaram perfeitas ou Deus
não haveria descido sobre elas. É verdade que é indispensável que haja uma
limpeza de vida, de motivos e de pecados prévia a qualquer avivamento
genuíno. Mas, acontecendo o avivamento desejado, logo todos facilmente
assumem estar acima de qualquer suspeita e que já têm tudo que precisam,
esquecendo que a vida apenas começa com um avivamento. É por essa razão
que alguns avivamentos terminam mal, como foi o caso do Avivamento no
Uganda, entre outros. A tentação após o inicio de qualquer avivamento é e
será sempre a arrogância espiritual. Também é por essa razão que muitos
avivamentos são evitados por muitas pessoas honestas e sinceras em suas
opiniões, pois, esses avivamentos tornam-se torcidos e incoerentes com a
verdade, com a humildade, com a santidade e com a exclusividade da pregação
totalmente centrada em Cristo e em Sua obra no interior de cada homem. A
outra tentação é começarem a crer que não existe mais o que limpar vidas
em quem experimenta um avivamento genuíno e eficaz. Não conseguem crer
facilmente que a limpeza, a purificação total e incondicional, só começa
verdadeiramente após uma experiência genuína com o Espírito Santo. Começam
a crer que, se ainda houvesse algo por limpar, Deus não haveria descido.
Esta é a forma que opera todo o coração. Devemos estar supra atentos contra
estas ciladas de arrogância que caem sobre nós como laços - como redes
sobre presas fáceis, pois, as pessoas que experimentam avivamento podem
tornar-se em presas fáceis. Nunca se candidate à arrogância assim tão
facilmente. Comece com Deus e faça tudo para terminar em Deus ainda.
Lembre-se que seu coração tem e terá sempre dois lados.
- Existe
um grupo de pessoas que gostaria de conseguir estar perto dos outros sem
serem tentados a julgá-los. Mas, também existe outro grupo onde as pessoas
são mais ignorantes sobre a verdade, os quais fazem questão de julgar todo
tipo de aparência do mal para se imporem como separados dos pecados que
tão facilmente julgam e desejam condenar. Também fazem questão de fazerem
crer que estão separados de quem pertence ao mundo e as suas coisas. Estes
dois grupos parecem, na verdade, muito diferentes e distintos em sua
maneira de ser. Mas, é fácil concluir que se trata de um e o mesmo coração
com os seus dois lados. Existem interesses mútuos em ambos. Existem
pessoas que são uma simpatia para o mundo porque as coisas do mundo ainda
exercem um certo tipo de fascínio sobre elas. A sua simpatia para com o
mundo não é uma demonstração de misericórdia ou de amor e é antes um tipo
de amor secreto por coisas que creem não mais amar. "Não é bom ter
respeito à pessoa do ímpio, nem privar o justo do seu direito", Prov.18:5. E aqueles que julgam asperamente toda a
aparência de pecado também provam com isso ter um amor secreto pelas
coisas do mundo e querem fazer crer que desprezam o mundo e seus pecados.
Com essa atitude também demonstram que querem convencer-se a eles próprios
que odeiam tudo que é pecado. Ambos os grupos mantêm amores secretos pelo
pecado. Contudo, parecem ser diferentes. Mas, são apenas os dois lados do
mesmo tipo de coração. Os que se separam também buscam os seus próprios
interesses. Se não fosse verdade, não estariam a julgar todos a torto e a
direito sem se julgarem, preferencialmente, a eles mesmos. Julgar é um
hábito de um coração que esconde e engana-se a ele próprio. Maquina
aparências. Não é um ato de sabedoria - é um ato de auto justificação e de
auto defesa contra a consciência. Julgam por temer serem vistos como
amantes secretos do pecado, como se a opinião das pessoas contasse ou
fosse o poder que convence. "Aquele que se isola busca seu próprio
desejo; insurge-se contra a verdadeira sabedoria", Prov.18:1. Se você é daquelas pessoas que deseja
ardentemente parar de julgar seu próximo, entre fundo em seu coração e
extermine todo amor secreto que ainda nutre pelo pecado e pelo mundo e
deixe o seu próximo em paz. O deixar de julgar e o deixar de buscar
atenção será mais uma consequência óbvia da exterminação desse amor
secreto pelo mundo e seus muitos afazeres. A conclusão de tudo isto
que dissemos aqui é: um coração que se condena ou uma consciência suja e
que condena pode levar alguém a uma de duas coisas. Pode levar a julgar
quem tem os mesmos pecados ou pode levar a agradar pessoas. E nenhuma
dessas opções é uma boa opção. Tente, antes, exterminar todo tipo de amor
pelo pecado e pelo mundo dentro do seu coração colocando tudo na luz e
verá que as duas opções que citei deixam de ter razão de ser, pois, a sua
consciência deixa de condenar.
- Muita
gente esforça-se bastante para ter ou ganhar uma boa opinião sobre algumas
pessoas das quais não gostam. Na verdade, a maioria faz isso apenas porque
existe um desejo carnal de obter um sentimento de segurança (ou amizade)
através dos outros ou, então, através de um confronto ou cumplicidade que
resulte em algum tipo de segurança futura desse gênero. E sabemos que os
dependentes de pessoas vivem independentes de Deus. Os tais, na verdade,
buscam uma opinião para eles próprios, isto é, querem pensar bem deles
mesmos e, para isso, querem agradar outros para serem agradados e tidos em
alta estima para que as opiniões dos outros a seu respeito substanciem as
suas. As opiniões dos outros influenciam as suas. Sabemos que a nossa
opinião sobre nós mesmos raramente é válida, tal como a maioria das
opiniões das outras pessoas sobre nós também não o é. Só através da luz de
Deus podemos e devemos formar opiniões sobre tudo que somos ou sobre
aquilo que nos rodeia. E se é Cristo que vive em nós, que nos importa
aquilo que somos ou o que pensam de nós? Normalmente, as pessoas que
precisam ter uma boa opinião sobre os outros para os conseguirem amar,
além de não amarem verdadeiramente, assumem que é preciso, também, serem
alguma coisa para serem amados por Deus e pelos santos. É o modo do mundo
e a forma do mundo pensar. Também não buscam ver a realidade dos corações
para poderem ajudar melhor e tentam antes confeccionar ou fabricar aquilo
que querem pensar de alguém. Precisam de uma boa opinião (ou mais do que
uma) sobre eles mesmos e sobre outros para se sentirem seguros e
confiantes naquilo que fazem. Também não assumem que somente Deus tem uma
opinião válida sobre tudo e que só através d'Ele nos conhecemos a nós
próprios e, também, só através d'Ele conseguiremos ver os corações dos que
nos rodeiam tal e qual são. Mas, Deus só nos dá a ver toda a realidade dos
corações alheios quando não precisamos mais que alguém seja bom para lhe
termos amor ou consideração. Também não confiam em Jesus se não lhes for
permitido confiarem neles próprios. Precisam saber que a confiança neles
mesmos é sinônimo de desconfiança em Jesus ou em Suas capacidades. Devemos
saber que Jesus nos ama como somos e que devemos amar sem a necessidade de
forma opiniões sobre alguém antecipadamente, isto é, devemos amar
incondicionalmente. Amar também é corrigir. Por isso, concluímos que todo
aquele que procura ter uma boa opinião sobre outros para poder amá-los
também busca que pensem bem dele. São os seus dois lados.
- Não
disse que acharíamos alguma outra coisa para além d'Ele. Lembra-se dos
Israelitas que negaram Deus na intensidade do deserto? Mesmo tendo a Vida
Abundante tão perto, acompanhando-os passo a passo, sempre foram um poço
de queixumes e amarguras. Eles haviam sido pessoas que resmungavam sob o
jugo de Faraó. É óbvio que, se eles houvessem sido perfeitos sob Faraó,
tê-lo-iam sido, também, andando perto de Deus. Aquele que se submete a
Faraó, facilmente se submete a Deus também. Mas, o coração que tinham no
Egito seguiu caminho com eles atrás de Deus. Esse coração não deveria ter
seguido caminho com eles. O coração que temos vai conosco para onde vamos.
Por isso é que se torna necessário mudá-lo. Se não fossem pessoas de
reclamar debaixo do jugo de Faraó, certamente teriam amado Deus
incondicionalmente na areia escaldante do deserto. Também existe o reverso
da medalha: se você for uma pessoa supra fiel a Deus tendo riquezas e
herdades, certamente que não se queixará facilmente quando for provado
pela agonia da perseguição, da dor ou da caminhada. Lembra-se de Jó? Ele
era riquíssimo e nunca negou Deus sob essas circunstâncias. O Senhor mesmo
deu testemunho disso. E o que aconteceu quando ele perdeu tudo? Manteve-se
fiel, pois Deus era realmente a sua única e exclusiva porção - sempre
havia sido, eis aqui outra verdade sobre quando já nos comprometemos
solenemente em conseguir fazer tudo através do Senhor e para Ele. A Bíblia
destaca a necessidade de fazermos tudo aqui na terra da maneira que se
fazem todas as coisas no céu. Conseguir fazer tudo dessa maneira é o selo
de admissão no céu impresso em nossa alma. "Tua vontade seja feita
aqui na terra como no céu". O que mais conta
é a obtenção desse jeito especial, desse caminho, daquele poder da
simplicidade de viver naturalmente com coisas grandiosas e, por vezes,
demoradas e eternas. O que conta é o tipo de fogo que se coloca no altar
de Deus, o tipo de vida que gere os templos d'Ele - você e eu. Anda
colocando fogo estranho no altar de Deus? Cuide-se! Podemos concluir que o
ênfase está mais no modo como se faz a vontade de Deus do que na vontade
em si. É cômodo que se pense que o ênfase está na vontade e não no modo de
fazê-la. É assim que muitos pulam o muro para tentarem entrar no aprisco
das ovelhas, pois, assim, evitam ser trabalhados e transformados por
dentro. E porque as pessoas dão ênfase à vontade e não ao modo de fazê-la,
logo estão a um passo de assumir que tudo quanto Deus quer eles não podem
estar querendo ou, melhor dizendo, tudo que possam querer nunca poderá
estar de acordo com a vontade de Deus. Pensam que, porque Deus quer, eles
não querem; e, quando eles querem, Deus não pode estar querendo
simplesmente porque eles querem. Também assumem por instinto que, aquilo
que querem, nunca poderá tornar-se uma bênção e nem ser abençoado por
Deus. Precisam sentir que se sacrificam e que se negam. Eis aqui um
conselho para aqueles que fazem todas as coisas através de Jesus e,
também, para aqueles que ainda não conseguem fazê-lo. Tudo aquilo que você
conseguir fazer através do poder de Deus é a
vontade de Deus. Só pode ser a vontade de Deus. Deixem-me explicar. Se
ainda existem coisas que consideramos nossas; e se nos aproximamos de Deus
com elas; e se Deus responde a essas orações; e se Ele ainda junta conosco
e não estamos juntando sozinhos; se tudo isso é real e verdadeiro, não
poderemos considerar tais coisas como egoístas e nem mais como nossas,
pois Deus nunca abençoaria qualquer tipo de egoísmo. Quando as coisas são
claramente empreendidas, abençoadas e acompanhadas por Deus não são
egoístas. Ana, a mãe de Samuel, desejava muito ter um filho ao ponto de
tornar-se egoísta acerca dele. Todas as circunstâncias levavam-na a
desejar um filho intensamente. A certa altura ela prometeu entregar aquele
filho a Deus para sempre - e nem Deus aceitaria uma entrega temporária.
Ela viu como a intensidade de seu desejo a havia tornado egoísta. Depois
da criança haver nascido e de ter sido desmamada, ela cumpriu a sua
promessa e entregou-a a Deus. Não parece que ela levou tempo demais a
desmamar a criança para segurá-la por mais tempo do que o necessário. Ela
havia quebrado a praga do egoísmo dentro dela. E para acabar com o
egoísmo, não recusou ter aquele filho ou pedi-lo de Deus. Antes, pediu-o
com lágrimas e maior intensidade. Do outro lado, vemos pessoas tentando
fazer algo que sabem ser a vontade de Deus e que não é a sua. Neste caso,
entram em conflito com Deus de outra forma. E é precisamente aqui onde a
maioria das pessoas comete erros infantis ou crassos. Porque sentem que
devem negar-se ou sacrificar-se, assumem que devem efetuar a vontade de
Jesus na própria força e do sacrifício . Jesus subiu para a cruz sozinho?
Desceu sozinho? Devido ao esforço que aplicam na condução dessa vontade
negando-se a eles próprios, conseguem crer que aquilo é o que Deus quer.
Recusam a rendição total do seu modo de fazer as coisas, preferindo queimar
o sacrifício com fogo estranho no altar. E sabemos que foi por essa razão
que os escolhidos filhos de Aarão caíram mortos.
Então, por saberem que aquilo que fazem é ou seria a vontade de Deus e não
a sua, logo assumem que não existe possibilidade de serem negados e usam
meios fraudulentos para alcançar aquilo que deveria ser feito da maneira
que se fazem as coisas no céu. Socorrem-se "do braço da carne".
Por não ser a sua vontade, logo pensam que o uso do fogo estranho no altar
de Deus justifica-se. Recusam fazê-lo através do Espírito e, assim, evitam
e impedem que a obra do Espírito seja profunda e chegue à raiz do seu ser.
Como não consideram o seu esforço ou intenção como egoísta, esquecem que
estão convidando a carne a tornar-se aliada de Deus. Sabemos que onde a
carne se envolve, o que é santo corrompe-se. A carne pode tornar-se
facilmente uma imitação perfeita do que é santo. Conclusão: tudo aquilo
que o homem faz através do verdadeiro poder de Deus e desfrutando de sua
intimidade e sendo Deus a guiar e dirigir o homem e não o inverso, é
santo. E tudo aquilo que o homem fizer através da carne é corrupto ou
corrompido ainda que seja algo que Deus quer. Esperemos não ser apanhados
a espalhar aquilo que deveríamos estar juntando com Ele. "Aquele que
não junta Comigo, espalha", Mat.12:30, Luc.11:23.
- Eis
aqui mais uma verdade. Se você é daquelas pessoas que se queixam sob
provações e não persiste em buscar Deus por Deus seja sob que
circunstâncias for, mas, busca antes o alívio, pode ter a certeza que tem
um coração capaz de negar Jesus quando estiver a desfrutar de abundância.
E, do outro lado, se você facilmente se esquece de Deus quando tudo lhe
vai bem, certamente que se queixará e resmungará quando for provado. Você
precisa buscar Deus pela pessoa que Ele é e não por aquilo que Ele tem ou
pode dar. Deus disse que o acharíamos a Ele buscando
a Ele. Não disse que acharíamos alguma outra coisa para além
d'Ele quando O buscássemos a Ele. Lembra-se dos Israelitas que negaram
Deus na intensidade do deserto? Mesmo tendo a Vida Abundante tão perto,
acompanhando-os passo a passo, sempre foram um poço de queixumes e
amarguras. Eles já haviam sido pessoas que resmungavam sob o jugo de
Faraó. É óbvio que, se eles houvessem sido perfeitos sob Faraó, tê-lo-iam
sido, também, andando perto de Deus no deserto. Aquele que se submete a
Faraó, facilmente se submete a Deus também. Mas, o coração que tinham no
Egito seguiu caminho com eles pelo deserto dentro. Esse coração não
deveria ter seguido caminho com eles e para isso não acontecer deveria ter
sido mudado há muito tempo. O coração que temos vai conosco para onde
formos. Por isso é que se torna necessário mudá-lo. Se não fossem pessoas
de reclamar debaixo do jugo de Faraó, certamente teriam amado Deus
incondicionalmente na areia escaldante do deserto. Também existe o reverso
da medalha: se você for uma pessoa supra fiel a Deus tendo riquezas e
herdades, certamente que não se queixará facilmente quando for provado
pela agonia da perseguição, da dor ou da caminhada. Lembra-se de Jó? Ele
era riquíssimo e nunca negou Deus sob essas circunstâncias. O Senhor mesmo
deu testemunho disso. E o que aconteceu quando ele perdeu tudo? Manteve-se
fiel, pois Deus era realmente a sua única e exclusiva porção - sempre
havia sido.
- Um
espírito independente também é espírito que busca obter atenções especiais
dos demais. "Aquele que se isola busca seu próprio desejo; insurge-se
contra a verdadeira sabedoria", Prov.18:1. Isolar-se a si próprio é uma forma de
chantagem escondida, pedindo ou mesmo exigindo a atenção dos outros. Por
norma, tais pessoas exigem a atenção que pensam merecer e assumem que não
deveriam ser achadas a buscá-la sequer. Se você é das pessoas que sofre
desse mal de isolar-se por tudo e por nada, creia que também sofre de pecados
como a timidez, fazer exigências secretamente e alguns outros pecados
relacionados com eles. Assegure-se de que lida com eles todos através da
verdade e da luz do Espírito e não de outro modo se quiser obter
santidade.
- Os
tímidos são pessoas orgulhosas por dentro. Os audazes acabam por alcançar
misericórdia precisamente por serem humildes. Por alguma razão Jesus diz
que os tímidos ficarão de fora e que os humildes recebem graça. Se os
audazes conseguem receber, é claro que são humildes e se os tímidos não
recebem, é porque Deus "resiste aos soberbos". Existe uma
estreita ligação entre humildade e audácia e entre timidez e
orgulho.
- Aquela
pessoa ignorante que recusa buscar sabedoria por acreditar que sabe quase
tudo, é seguramente pessoa incrédula e só confia nele próprio. Sabemos que
a fé vem pelo conhecimento (da verdade). E quando alguém confia nele
próprio, desconfia de todos os demais. A ignorância e a incredulidade
fazem parte do mesmo coração, tal como desconfiança está no coração que
confia nele próprio. O ignorante só consegue avaliar usando os escassos
recursos que tem. Por isso, se você realmente deseja parar de ter uma
ideia altiva a seu respeito, basta buscar a verdadeira sabedoria de todo o
coração e em Deus e não na Universidade. Achá-la verdadeiramente
significa demolir todos os preconceitos e conceitos que tem acerca de si
mesmo e daqueles que o apoiam. Por alguma razão se afirma que, "a
sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois pacífica,
moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem
parcialidade, e sem hipocrisia", Tiago 3:17. Ache essa sabedoria, esse tipo de
conhecimento prático e verá se o fruto da humildade não lhe será
acrescentado juntamente com outros logo de seguida porque Deus dá graça
aos humildes. Note-se aqui que a Bíblia diz que Deus dá graça aos humildes
e não que dá humildade aos que creem que receberam graça.
- Todo
aquele que busca obter o seu descanso nas riquezas será sempre pessoa
ansiosa e preocupada por natureza. As riquezas não são segurança para
ninguém - e tão pouco deviam poder tirar as pessoas da verdadeira
segurança porque as suas mentiras e falsidade são óbvias. Por isso, quando
concluir que não deve achar o seu descanso nas incertezas do dinheiro e do
luxo, assegure-se, também, que vai deixar de manter aquele hábito sujo de
manter-se preocupado por tudo e por nada. Precisa lidar com esses
problemas particularmente e autonomamente, embora estejam interligados.
Ou, caso comece da maneira inversa, isto é, lidando com e exterminando a impulsividade
dum espírito preocupado primeiro, faça questão de lidar, logo de seguida,
com aquela ideia fictícia de que as riquezas ou as pobrezas influenciam a
nossa vida em algum aspecto. Muitos querem deixar de ser pessoas
preocupadas para que Deus as enriqueça. Extermine essa ideia mentirosa do
seu coração - ainda que seja somente a ideia. Procure sempre lidar com os
dois lados do seu coração sempre que se coloca debaixo da luz de Deus para
ver tudo mais claramente.
- Todos
quantos procuram fazer algo pelos outros incitados por desejo próprio ou
por algum outro interesse pessoal, seja esse interesse sentimental ou
material, têm uma grande dificuldade em fazer seja o que for pelos motivos
adequados do amor. Não é possível fazermos coisas por Deus e por nós
próprios ao mesmo tempo. Também é igualmente verdade que, quem faz as
coisas usando o braço da carne ou a sua força, experimentará a
impossibilidade de fazer seja o que for através do poder de Jesus. E todos
quantos fazem toda a sua vida prática através de Jesus de forma real e
prática, nunca conseguirão entender-se vestindo a armadura da carne ou
usando a visão curta, instável, pouco clara e pouco objetiva do egoísmo.
Os que estabilizaram a sua normalidade usando e usufruindo do poder pleno
de Jesus nunca se entenderão com métodos da carne e vice-versa. São leis
da natureza às quais ninguém conseguirá fugir.
- A
grande maioria dos crentes já ouviu falar da inimizade recíproca que
existe entre o Espírito e a carne, ainda que nem todos tenham levado a
sério esse aspecto da realidade. Na verdade, são dois inimigos
irreconciliáveis. Não existe paz no lugar ou no coração onde estes dois se
encontrem. Essa arena será sempre um lugar de morte e de guerra
destrutiva. Será um local de total desassossego e desconforto. E, agora,
estando cientes de quão real e quão brutal é essa inimizade entre Deus e
carne (de chegar ao ponto onde a carne precisar de morrer para Deus
sentir-se satisfeito, consolado e Sua obra consumada), vamos ver como
funciona toda esta realidade na prática dentro do coração do homem, a
principal arena dos confrontos dessa inimizade. Muitos sentem grande
dificuldade para lerem suas Bíblias de maneira ávida e esfomeada. Chegam a
adormecer quando a leem. Chegam a ter sentimentos de culpa e repreendem
mesmo todos os pensamentos capazes de desviar sua atenção da sua leitura,
mas, em vão. Permita que lhe conte um segredo: ninguém consegue resolver
definitivamente esse tipo de pensamentos no momento da
meditação, pois, devem ser resolvidos muito antes. Só podemos
resolver esse tipo de problema eficazmente lidando antecipadamente e
previamente com a falta de objetivo no geral, com a falta de amor por Deus
e suas verdades, com o amor pelo mundo e seus muitos afazeres, com o
desejo de companhia e atenção mundana e selvagem, etc. Existem dois lados,
dois aspectos, duas verdades sobre isto: quem ama o mundo, anseia por ele
e se entretém com ele, não consegue amar Deus ou ter desejo por Ele. Ou
ama Deus ou ama o mundo - as duas coisas juntas não são possíveis. Se você
realmente deseja amar Deus e ter respeito por Ele dando-lhe total atenção
durante seu tempo devocional, precisa lidar de maneira séria e eficaz
contra o amor pelo mundo em seu dia a dia. Se ama o mundo, não conseguirá
amar Deus na hora do devocional e se realmente ama Deus, nunca conseguirá
amar o mundo e nenhuma de suas muitas coisas em qualquer hora do dia. Por
essa razão é que precisa lidar com isso antes, para depois esperar
resolver as distrações durante seus momentos de devoção e isolamento com
Deus. E caso deseje viver Deus intensamente, sendo-Lhe supra fiel em todos
os aspectos, precisa levar em conta que existe uma consequente maldição
devido a qualquer tipo de amor pelo mundo. Essa maldição é a falta de
dedicação, as distrações quando deve estar atento e a ausência de amor
verdadeiro por Deus. Toda a vez que tocar em algo do mundo, pode ter a
certeza que em falta de amor por Deus. E essa falta de amor por Ele e Suas
coisas é a principal causa de todas as nossas distrações nos momentos de
devoção. E se isso é verdade, logo podemos facilmente assumir e concluir
que existe uma consequente bênção e impulsão de amor por Deus sempre que
deixamos o mundo ficar mal ou ficar para trás. Ele que chore por nós, mas,
que nós nunca mais choremos por ele. O nosso amor por Jesus renasce sempre
que negamos o mundo dessa maneira. O nosso espírito só pode acordar ou
para Deus ou para o mundo - não será possível acordar para os dois ao
mesmo tempo e nem adormecer para os dois. Por isso, tudo o que você pensar
ou fizer antecipadamente influenciará todos os seus momentos devocionais
também, além do restante da sua vida. Se ama o mundo, distrai-se durante
seus momentos devocionais e de oração. Existem bênçãos e maldições às
quais ninguém conseguirá escapar e essa é uma delas. A qualidade de tudo
que fizermos agora vai depender muito do que fizermos antes. Por isso, a
verdade é esta: se existe amor por Deus em si e a sua consequente
dedicação, é óbvio que isso acontece porque não toca nas coisas do mundo.
E se não toca no mundo, dificilmente seus pensamentos se dispersarão por
tudo e por nada.
- No
tocante ao poder do Espírito e ao poder da carne ou suas respectivas
manifestações, as coisas funcionam com a mesma dualidade. A maioria dos
crentes esperam receber o poder de Deus para que possam vencer aqueles
obstáculos que consideram difíceis de superar. Não consideram que, seja
fácil ou difícil, tudo deve ser feito através do poder e da manifestação
do Espírito de Jesus, incluindo todas aquelas coisas que aparentemente são
fáceis de resolver. Se não for tudo feito através
de Jesus, se Ele não junta conosco e nós com Ele em todos os
pequenos aspectos de toda a nossa existência, é pouco
provável que o faça nas coisas grandes e difíceis quando assim
desejamos e imploramos dele. É tudo uma questão de atitude de nossa parte
ou de mesquinhez, pois, para Deus, não existem coisas difíceis e nem
grandes - são todas iguais. Contudo, haverá sempre uma dupla verdade
acerca deste aspecto: se você permitir que a carne intervenha, interfira,
aconselhe, palpite, impeça, anule, aconselhe, recuse, apoie, ou se associe
a qualquer aspecto da sua vida, é seguramente inevitável que o poder de
Deus morra e desapareça na totalidade de toda ela e em todos os aspectos
dela. Viverá apenas com o fôlego de Adão, pensando que é do Espírito. Não
se lembra de como o braço da carne já uma vez crucificou Cristo? Esse
mesmo braço fará o mesmo ainda hoje e matará Cristo dentro de si. O braço
da carne nunca fará outra coisa com Cristo - crucificá-Lo-á sempre.
Lembre-se sempre disto: se carne tentar ser sua parceira em algum aspecto
de toda a sua vida, a sua única intervenção ou intenção é matar Cristo.
"...Estão crucificando o Filho de Deus de novo...", Heb.6:6. Por outro lado, se você se consagrar por
inteiro a Jesus em todos os aspectos de toda a sua vida, o braço da carne
morre. É uma guerra mortal onde o inimigo não sobrevive. Quem poderá
evitar que assim seja? Não pode ter esperança de vir a experimentar o
poder de Deus nas grandes coisas da sua vida ou naqueles aspectos que só
você destaca como importantes, (sendo que para Deus são todos iguais), se
você é precipitado e não está rendido ou entregue na totalidade a Jesus
até nas coisas pequeninas. A ajuda e a intervenção de Deus nunca dependerá
do tamanho do problema, mas, da qualidade de sua entrega. Já viu algum
soldado render-se entregando os canhões e escondendo uma arma mais
pequena? Que tipo de rendição será essa? Aquilo que você faz ou empreende
contribui para aprender a lidar com Deus? O seu alvo é resolver todos os
seus problemas ou aprender a ser guiado e a ouvir Jesus desde o mais
profundo do seu coração? Qual será mais importante, o problema e sua
solução ou o relacionamento? O seu relacionamento com Jesus é estável? É
duradouro? Lembre-se que, para Deus, conta tudo ou nada e, para a carne,
basta ter somente uma parte de sua vida em sua posse porque sabe que Deus
pede tudo e, se não tem tudo, deixa tudo. Mas, existe um outro aspecto,
isto é, o inverso disto que estamos falando. Existem pessoas, por outro
lado, que só deixam Deus participar naquelas coisas que não consideram
relevantes ou importantes para as suas vidas. Eles nunca se atrevem a
confiar em Deus quando a dificuldade aperta - só quando é ligeira. Fazem
de tudo para escaparem do jugo da dificuldade através de meios próprios.
Consequentemente, não poderá crer que as coisas fáceis são empreendidas e
levadas a cabo por Deus, pois não é verdade. Ou você entrega tudo ou não
entregou nada ainda. Não pode ter uma fé fingida. É muito fácil
"crer" quando é a carne a resolver os pequenos aspectos de uma
vida impura e parcialmente rendida. Seja como for e qual o aspecto de sua
vida que lhe custa render para perder todos os direitos
sobre ela, principalmente onde o braço da carne intervém, o Espírito
retira-se se não render. "O Espírito do Senhor retirou-se de
Saul", 1 Sam.16:14.
Não foi preciso muito para o Espírito sair de Saul - ele só não esperou
por uma hora mais por Samuel! Um ano antes, Samuel havia-lhe dito:
"Descerás adiante de mim a Gilgal (...) esperarás sete dias, até que
eu vá ter contigo", 1 Sam.10:8. "Esperou, pois, sete dias, até o tempo que Samuel
determinara; não vindo, porém, Samuel a Gilgal, o povo, deixando a Saul,
se dispersava. Então disse Saul: Trazei-me aqui um holocausto e ofertas
pacíficas. E ofereceu o holocausto. Mal tinha ele acabado de oferecer e
holocausto, eis que Samuel chegou (...) Então disse Samuel a Saul:
Procedeste nesciamente (...) agora não subsistirá o teu reino...", 13:8-14. Que coisa séria! Mas, onde é dado ao
Espírito todo o poder e todo o direito exclusivo para intervir livremente
como e quando quiser, a carne apodrece. São dois lados da mesma verdade.
- Existem
pessoas que não levam em conta o mal e nem vêm como perigoso caírem nele por
crerem que o mal em nada afetará o seu final 'feliz' de crente. Quão
enganados estão! Mas, também existem aqueles que levam o mal em conta para
o combaterem de tal maneira que ignoraram, desprezam e negligenciam seus
deveres quotidianos normais como se o mal fosse mais forte. Na primeira situação,
as pessoas têm, com certeza, uma ideia errada sobre Deus e Seus princípios
firmes de castigar toda a forma de mal e até mesmo toda a aparência de
pecado. O hábito de terem más ideias afeta a maneira generalizada como
olham para o ambiente que os rodeia. O objetivo claro de Deus é que se
entreguem a Ele em total submissão para que saiam ilesos de tudo quanto
lhes possa acontecer. Pena que muitos queiram ser heróis! Deus não busca
heróis - busca rendidos a Ele. Não é verdade que temos de fazer a vontade
de Deus. A verdade é que temos de fazê-la n'Ele, com Ele, através d'Ele e
para Ele. Todos devem ser achados firmes n'Ele, serenos, confiantes e
quietos para serem revestidos de todo o Seu poder. Estando n'Ele, a Sua
vontade deixa de ser difícil. Só é difícil antes por uma razão: o objetivo
é estarmos n'Ele, fazendo através d'Ele e não apenas fazer. Agora, as
pessoas que não levam em conta o mal e não vêm como verdadeiro o fato de
que estão em território inimigo, tentando viver para Deus e falar d'Ele,
têm um outro lado: não estão aptos para viver para Deus sendo
exclusivamente dedicados e fiéis à obra que Jesus delegou em suas
mãos apesar das circunstâncias. Quando são atacados
pelo mal não sabem o que lhes está a acontecer. Logo ali se vê que a sua
raiz não é funda e sua vontade de viver para Jesus não é muita. Querem
antes que Jesus viva para eles. Mas, se tivessem levado em conta a
realidade do mal que os espera mais adiante, diriam ou decidiriam algo
assim: "Serei fiel a qualquer custo. Não começarei a bater em meus servos
fiéis, não serei impaciente com Deus, nem comigo próprio e nem com os que
me rodeiam. Levarei em conta que posso escorregar e desesperar a qualquer
momento", Luc.12:45.
Paulo confirmou-nos, tal como Jesus o fez, que o mal certamente viria. Não
podem existir margens para dúvidas em nós a esse respeito. "Portanto,
tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia
mau e, havendo feito tudo, permanecer firmes", Ef.6:13. Paulo não falou aqui do dia mau como uma
mera possibilidade, mas, como uma dura realidade. E eis aqui uma outra
verdade aterradora: se não levarmos em conta o mal, se não o tivermos como
uma realidade presente e futura, nunca nos iremos preparar para a sua
chegada inesperada. E as pessoas que não se encontrem preparadas e prontas
para ficar quietas em Jesus, reagirão mal e não poderão ser achados mais
simples e mais leves depois de tudo haver passado. Jesus quer-nos mais
leves e mais simples no final que no início. Concluindo: o outro lado de
um coração despreparado e conformado com o mal é reagir de surpresa quando
o mal se aproxima e será mau gestor do bem quando vier. Foge de um lado
para o outro e recusa ficar quieto e calado, apenas segurando em Jesus. Na
verdade, não sabe ficar quieto - não está preparado.
- Qualquer
homem que se convence a ele mesmo no tocante à fé raramente está apto a
ser convencido por Deus. Escuto frequentemente pessoas tentando
animarem-se a elas próprias, algo que, na verdade, nem sempre está errado.
A parte errada é quando começam a acreditar que isso é fé. Fé é ser
convencido por Deus através da clareza da verdade em toda a sua pureza. Se
você deseja ser realmente convencido por Deus de modo a ter fé capaz de
vencer qualquer obstáculo, precisa parar o hábito de se convencer a si
próprio. As coisas ou são verdade ou não são. O outro lado da fé é a investigação,
a comprovação de fatos e de tudo quanto Deus disse da maneira clara que
disse. Quando se convence a si mesmo, pode estar a convencer-se de algo
que entende como verdade e não se deixará convencer pela verdade em si.
Pode não ser Deus falando e sim você próprio. Certamente que irá recusar a
opinião da verdade, quando ela chegar, por já haver formado a sua.
- Muitos
creem que a admiração e o elogio à obra de homens de Deus - ou de outros -
é uma forma de sujeição e de reverência a tais pessoas. Mas, não é. Pode
ser precisamente o oposto. Lembra-se de Simão? "E creu Simão e
(...) admirava-se"? At.8:12,13. Foi precisamente esse homem quem ofereceu
dinheiro a Pedro incitado pela amargura escondida de seu coração. Ele
queria obter o que Pedro tinha sem passar por uma purificação total.
Queria saltar o muro para entrar no aprisco das ovelhas. Assim, evitaria
entrar pela porta da consagração pessoal. Nunca confie em admiradores -
são falsos. São pessoas desonestas e são pessoas igualmente capazes de
guardar rancores e esconder amarguras dentro de seu coração de uma maneira
ou de outra, mais tarde ou mais cedo. Basta só o vento mudar e verá essa
outra faceta claramente. Quem elogia é pessoa capaz de criticar. E, por
outro lado, se você ainda é capaz de guardar raiva ou rancor em seu
coração contra alguém, creia firmemente que tem um coração igualmente
capaz de admirar os outros porque deseja para si o que os outros são ou
têm. É simplesmente assim que funciona tal coração! Admirador esconde
dentro de si o desejo de ser igualmente admirado e aplaudido. Olhe para os
santos como pessoas dentro da vontade de Deus e não como pessoas de outro
mundo. Torne-se fiel a Deus, também, anseie por ser você próprio dentro da
vontade que Deus tem para si. Assim sendo, evitará muitos dissabores e
muitos tropeços em sua vida.
- Existe
uma grande associação entre os motivos certos e o encorajamento vindo de
Deus. Muitos desejam ser apoiados e encorajados por Jesus sem haverem,
antes, passado por uma purificação integral e exclusiva de todos os seus
motivos. Não devemos apenas ser encorajados por Jesus - deveremos obter os
mesmos motivos que Ele tem. Deus nunca nos pode motivar, a menos que
nossos motivos sejam os Seus. Só assim funciona. Sempre que buscar o apoio
e o colo de Jesus, lembre-se que não pode usufruir desse privilégio sem
antes haver posto o seu coração em conformidade com os motivos de Deus.
- Existe
outra lei da qual nunca conseguiremos escapar. Assim que começamos a
discordar de Deus ou a não nos entendermos com Ele, também iremos estar em
desacordo com todos os irmãos que permanecem santos diante do Senhor e
iremos, com toda a certeza, estar de acordo com os impuros e com os irmãos
mais mornos e mais mundanos. Contudo, não pense que irá estar sempre
consciente de estar em desacordo com Deus. Nem sempre se dará conta disso.
Vamos ver um outro lado desta verdade. Assim que começarmos a estar em
desacordo com irmãos santos que andam em intimidade simples com Jesus,
certamente que iremos estar em desacordo com Deus e fabricaremos um outro
deus da nossa cabeça, o qual estará de acordo conosco e consentirá com
aquilo que somos ou fazemos. É claro que Deus estará em desacordo conosco
também. E assim que estivermos de acordo com pessoas mundanas, deixaremos
de estar com Deus e com os santos. "Andarão dois juntos se não
estiverem de acordo?" Amos 3:3.
- Já
alguma vez viu um marido (ou uma esposa) exigir do parceiro(a) que as
coisas sejam discutidas entre ambos antes que as decisões sejam tomadas?
Sempre que essa exigência é feita por algum deles pode ter a certeza que,
quem exige, é precisamente quem não deseja discutir as suas próprias
decisões e somente as do outro. Teste-se a si próprio e verá que é assim.
E sempre que alguém discute com seu parceiro todas as decisões importantes
que devem ser tomadas, pode ter a certeza que o outro será tentado a fazer
o mesmo. Se as pessoas se desencaminham, é óbvio que também se podem
encaminhar. Lembre-se que a Lei e os Profetas se resumem a isto: faça com
os outros aquilo que desejaria que fizessem consigo. Discutir decisões não
é dominar os outros, mas, buscar a verdade e o melhor de Deus para todos.
- Eis
aqui um pensamento aterrador para aqueles que ainda se debatem se ter sexo
antes do casamento é pecado ou não. Existem mais coisas erradas no sexo
antes do casamento que possamos imaginar. As consequências estender-se-ão
muito para além do ato adúltero em si. Existem muitas consequências
interiores que afetarão quem comete tal ato. Sexo pré-marital significa
sexo fora do casamento. A pessoa que cria esse coração também herdará a
maldição de, após o casamento, ser tentado a obter sexo fora do seu
casamento. Ninguém poderá evitar tal coisa, pois não apenas criou-se um
coração permissivo e adúltero, como também descansará sobre a cabeça de
tais impuros uma maldição contra a qual haverão de debater-se futuramente
em forma de tentação. As tentações e as oportunidades para a infidelidade
surgirão com certeza. A única coisa que poderá evitar tais tentações ou atos
adúlteros após o casamento de quem praticou sexo pré-marital, é uma
transformação de coração alcançada através da misericórdia de Deus antes
que aconteça. (Nenhum coração se transforma verdadeiramente de outra
maneira). Os praticantes de sexo pré-marital criam uma besta dentro deles
próprios (ainda que não a consigam reconhecer) e esse monstro será, mais
tarde, tentado a comer daquilo que gosta, isto é, sexo fora do casamento.
Se seu parceiro pratica sexo consigo antes de se haverem casado, que o
impedirá de fazê-lo com outras pessoas após o casamento? Se não tem moral
agora, por que haveria de tê-lo mais tarde? Quem busca sexo antes de
casar, busca traição ou ser traído mais tarde, pois, mesmo que consiga
controlar-se, terá um parceiro cúmplice de seus atos anteriores e co herdeiro
da mesma maldição. Jesus avisou que colheremos aquilo que semeamos. Ou
Jesus mentiu ou isso acontecerá como Ele disse. Libertinagem chama mais
libertinagem, pois ninguém vive sem o coração que criou. Por isso, se você
é daquelas pessoas que pratica sexo com seu futuro parceiro ou parceira,
lembre que as promessas de amor eterno não durarão muito tempo, pois, a
frieza no casal chegará mais cedo do que espera e será mais um pecado se
não conseguir cumprir a sua promessa de amor eterno. Sexo pré-marital
torna os casais frios e desapontados a prazo. É uma sentença a prazo da
qual ninguém escapará. Você está preparado para isso? Se não está, por que
razão se entrega à boca do lobo fazendo aquilo que é ilícito e amaldiçoado
por Deus? Sexo foi um presente de Deus para os casados obedientes e não
para os solteiros. Sexo pré-marital é uma usurpação, um roubo desse
presente e qualquer roubo será punido severamente. Lembre-se que esta
verdade tem seus dois lados: sexo pré-marital leva à traição futura e só
não cairão nela aqueles a quem a misericórdia vier transformar a tempo de
evitá-lo.
- Eis
aqui outra verdade sobre humildade e orgulho. Aquilo que Deus sabe ser
humildade ou orgulho, nunca é considerado como tal pela carne. A carne tem
sempre uma opinião diferente. Apenas usam o mesmo vocabulário e as mesmas
palavras para descrevem situações distintas. Humildade é transparência. A
carne busca humildade na aparência. E sabemos que a aparência é o oposto
da transparência. Sermos transparentes e claros é a maior evidência de
humildade. Eu creio que a base da humildade é sermos nós próprios, isto é,
sermos como somos. A carne encobre e recomenda a aparência para parecer
humilde. Esconder é a base principal de qualquer tipo de orgulho. Tendo
isto em conta, você deve ter em mente o seguinte: se ganhar um coração
igual ao de Deus, deve preparar-se para ver a "humildade" da
carne como orgulho e, também, estar preparado para que a carne considere a
verdadeira humildade como orgulho e insensatez. Ninguém conseguirá evitar
que isso aconteça. O mesmo princípio pode ser aplicado em relação a
qualquer outra virtude ou defeito. Por exemplo: os que permanecem em Deus
serão vistos como desistentes, pois desistem do mundo e de todas as suas
maneiras de ser. Os perseverantes em Deus serão tidos como teimosos e os
que têm a audácia de se entregarem e renderem a Jesus integralmente
poderão ser vistos como cobardes, tolos e medrosos.
- Cada
pessoa deve ter, obedecer, provar e beber de seus próprios rios de água
viva e aprender a beber deles pessoalmente. Não podemos beber dos rios de
outros e, consequentemente, não esperar que sejam os outros a beber dos
nossos quando os temos. Uma mentalidade leva à outra e o outro lado desta
verdade é: quem quer beber dos rios dos outros achará que o procedimento
normal será pregar para os outros sempre que ele próprio tiver rios de
água viva. Não podemos querer ser admiradores, pois isso significaria que
temos uma certa apetência para ser admirados. Quando aprendemos que
devemos beber dos rios dos outros, instintivamente aprendemos a ideia de
que os outros devem beber dos nossos, pois, as duas coisas estão
intrinsecamente interligadas e associadas. Seria o mesmo que ouvir para
aplicar nos outros o que aprendemos de Jesus. Quem prega para os outros
normalmente tenta escapar do laço que foi lançado para ele para salvá-lo.
E deveríamos saber que, se Jesus nos ensina, ensinará os outros
pessoalmente também. "O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a
gozar dos frutos", 2Tim.2:6. Os outros beberão quando o nosso cálice transbordar. Você tem
aquele hábito feio de desviar a palavra que Deus tenciona aplicar em si,
pregando para os outros tudo que aprende d'Ele? Não seja um desviador da
verdade.
- É
verdade que tanto o orgulho quanto a humildade são próprios do coração e
não se devem a circunstâncias exteriores. Um pobre pode ser humilde ou
orgulhoso, tanto quanto o rico também pode ser pessoa orgulhosa ou
humilde. O orgulho e a humildade devem-se ao coração que o homem tem e não
a circunstâncias externas. A hiper consciência impede qualquer um de vir a
Deus, seja ele pobre ou rico. Discípulo torna-se consciente de Cristo e
não dele mesmo. A hiper consciência pode nascer tanto via pobreza quanto
via riqueza. Então, temos estes dois lados do coração do homem: quem está
ou é somente consciente de Cristo, morre e morto não é orgulhoso - nem
pode ser. A humildade é aquela onde o homem nunca aparece, mesmo quando
está em primeiro plano no palco. Discípulo é pessoa consciente de Cristo e
discípulo falso é pessoa consciente dele próprio. Podemos, ainda, agregar
outra verdade a esta: a desmotivação ou desânimo de alguém que está em
Deus deve-se à hiper consciência. Pode comprovar que não existe desânimo
em qualquer pessoa que tem somente a consciência de Cristo dentro de si.
Já viu algum morto desanimado? Hiper consciência e desânimo andam de mãos
dadas e são companheiros inseparáveis. E será fácil concluir, então, que a
perseverança está inquestionavelmente associada à consciência de Cristo
dentro de nós quando Sua presença é verdadeiramente real e
não é uma mera suposição fictícia.
- Tenha
extremo cuidado sempre que achar duras as palavras de Jesus. Se isso
estiver acontecendo consigo, ou se tem ideias de encontrar ou de inventar
outro evangelho mais fácil e mais cômodo para si, pode ter a certeza que
ama o mundo e que não é Deus quem está sendo duro consigo e antes você a
querer escolher o mundo acima d'Ele. Você é quem está agindo de forma dura
para com Ele. O duro é você. É você quem está endurecendo o seu coração em
relação a Deus. Você prefere que Barrabrás seja solto. Então, sempre que
você disser que existe dureza em alguma palavra de Jesus, siga meu
conselho e diga ao seu coração: "Coração, és duro!" Coração duro
achará as palavras de Deus duras e sabemos, pela verdade, que Ele é manso
e suave - sempre foi. Você não pode desejar palavras mais doces e mais
aprazíveis sempre que Deus fala. Basta desejar um coração diferente. Que
terrível será quando Deus o proclamar como mentiroso diante de todas
aquelas pessoas perante quem você tentou atenuar as Suas palavras por
haver dureza no coração! Assim que o seu coração mudar, todas as palavras
de Deus lhe soarão bem aos ouvidos. "E não é assim que fazem bem as
minhas palavras ao que anda retamente?", Miq.2:7.
- Por
norma e pela lei da espiritualidade, toda a pessoa que entende certas
coisas já as pratica de certa forma. É uma lei da criação. Por essa razão
é que Jesus disse que, "todo aquele que pratica, saberá
(entenderá)" e não disse que todo aquele que entende, fará. Se você
entende o pecado é porque pratica o pecado. Se deixar de o praticar
certamente deixará de o entender. O mesmo princípio pode ser aplicado à
santidade, à sabedoria ou a qualquer outra forma de vida, seja oração,
linguagem, idioma ou outro. Se você entende o inglês é porque já o pratica
ou não o entenderia. Ganhe ânimo se já entende a santidade. Procure
vivê-la e entenderá melhor os caminhos de Deus. Tenha em mente que só
entenderá aquilo que pratica. Por essa razão é que, muitas vezes, as
pessoas hesitam em lançarem-se para a santidade ou para Jesus, pois não
entendem porque ainda não praticaram. E é difícil
entregarmo-nos a qualquer coisa que não entendemos. Parecerá arriscado
demais. Mas, haja fé! Haja quem pratique as coisas certas da maneira certa
sem entendê-las, pois, isso significa que haverá mais pessoas sábias ou,
então, pessoas mais sábias depois de se aventurarem na solidez da
obediência. Por isso é que o temor do Senhor é o princípio da verdadeira
sabedoria, pois, as pessoas, ao temerem, praticam e, ao praticarem, ganham
sabedoria e entendem melhor as coisas de Deus. A sabedoria é a principal
consequência de quem pratica, pois "àquele quem tem, ser-lhe-á dado
mais", Mat.25:29.
- Nunca
tema recusar adiantar os tempos que Deus
determinou para certas ocasiões específicas, pois, todo aquele que recusa
o adiantamento dos tempos facilmente recusará os seus adiamentos.
Recusando adiantar as coisas não é adiá-las - é colocá-las no lugar certo
dentro do esquema e do tempo de Deus. Contudo, querendo adiantar os tempos
de Deus atrasá-los-emos porque, enquanto a pessoa está ocupada tentando
adiantá-los, não se ocupa com o dia de hoje e nem com aquilo que a prepara
para receber os amanhãs como coisas naturais e muito esperadas. Então,
temos esta lei com dois lados: quem recusa adiantar o relógio pontual de
Deus, certamente recusará atrasá-lo também. E quem tenta adiantar, atrasa,
pois, o dia de amanhã depende inteiramente da perfeição daquilo que se faz
hoje!
- 105.
É frequente ouvirmos a queixa de que alguém tem falta de fé. (Aqui
deveremos distinguir entre o dom da fé, o qual opera milagres dentro das
especificidades dos tempos e ocasiões de Deus e sob Sua orientação
exclusiva; e o fruto da fé, o qual todo o crente deve manifestar,
independentemente de quem seja. Os que têm o dom também devem ter o fruto.
O fruto é a característica - o dom manifesta-se ocasionalmente pela obra).
Existem crentes que não têm fé, os quais tentam pular o muro evitando
entrar pela porta que dá acesso direto a essa fé. Se não entrarmos pela
porta, seremos considerados ladrões e salteadores. Normalmente, é algum
pecado que mancha a consciência o responsável pela falta de fé, o qual
impede a fé de existir. A fé afunda sempre que a consciência não permanece
limpa. A única alternativa para tais pessoas que se recusam limpar é
tentarem crer pela via da força e da falsidade. Forjam fé, criando emoções
e sentimentalismos enganosos, ditando a Deus as coisas nas quais desejam
crer. Eles decidem no que vão crer - e que vão crer. Sua fé não se baseia
em algo que possam ter ouvido de Deus. Que tipo de fé é a que não está
sustentada em algo que Deus é ou disse? Pense por si e responda. Mas,
sempre parece mais fácil tentar crer sem ser pela via da verdade no
íntimo. Devemos saber que a verdadeira fé existe devido a uma
comunhão real e continuada com Jesus. É essa
comunhão que fornece a segurança àquelas palavras de Deus que entraram no
homem para lá habitarem. Por essa razão é que Jesus fala daqueles
que podem crer. Existem os que não conseguem crer.
"Aquele que pode crer...", Mar.9:23. Contudo, isto é apenas uma parte da verdade.
O outro ponto é que a fé também nasce através de uma verdade expressa, a
qual conseguimos tomar lucidamente como verdade. Essa fé também pode, ocasionalmente,
começar a existir através de uma mentira que consigamos rejeitar como
mentira. Conseguir crer na verdade e descrer da mentira são ambas fé. Mas,
existe uma coisa que nunca podemos esquecer: a fé está intrinsecamente
ligada e relacionada à verdade. Sem verdade, não existiria fé. E o outro
lado desta verdade é este: a falta de fé ou a incredulidade está, também,
diretamente relacionada com o pecado e a transgressão. Onde houver pecado,
existe falta de fé nos mais sinceros e existe fé falsa nos desonestos e
enganadores. Onde houver pecado por limpar, com certeza que haverá falta
de fé ou incredulidade, muitas vezes, atenuada por fé falsa e esperanças
sem sustentação na verdade. Também sabemos que, para alguém poder aceitar
a verdade como verdade, precisa ter ou obter um coração verdadeiro. O
coração que é mentiroso desconfia da verdade e confia preferencialmente na
mentira. "Andarão dois juntos se não estiverem de acordo?" Amos 3:3. A conclusão é esta: para alguém poder crer,
tem necessariamente de ser verdadeiro ou estar em vias de tornar-se
verdadeiro por dentro. Existe uma ligação profunda entre a verdade no
íntimo e a verdadeira fé, uma cumplicidade profunda entre a verdade
expressa e um coração verdadeiro. Caso você descubra que não consegue confiar
em Jesus, deverá ter em mente que a verdadeira fé não é somente uma
decisão do coração. Fé, a real, é sustentada pelo Espírito Santo tanto
quando é assegurada através da verdade no mais íntimo da pessoa. Se quiser
crer de maneira normal, profunda e natural, precisa trabalhar a sua
sinceridade e a sua espontaneidade nela. Se quiser crer de forma
legalista, não precisa ser sincero consigo próprio e nem com os outros.
Para ter fé real, não fingida e simples, precisa conseguir crer
naturalmente sempre que Deus diz alguma coisa, reagindo até às Suas meias
palavras, as quais provocam em nós a busca de sabedoria e da verdade; e
precisa conseguir ficar naturalmente quieto e calado, expectante e
resoluto em alcançar essa palavra sempre que Deus
permanece calado. Só depois dela poderá afirmar que Deus fará aquilo que
deseja ardentemente. Deus não se calará para sempre. Quando você tem esse
acesso à fé, esse relacionamento exclusivo e sincero com Jesus, seu
coração pode decidir crer na verdade e descrer abertamente da mentira sem,
com isso, estar a enganar-se a si próprio. Mas, para isso ser válido,
lembre-se dos dois lados da semente da fé: você precisa ser sincero em sua
comunhão real com Jesus; e precisa realmente ouvir
alguma palavra da boca d'Ele. O sustento da fé é a verdade. O jardim da fé
é um coração verdadeiro e sincero. O coração que mente para si mesmo, que
altera as palavras de Deus por conveniência, que esconde a mentira ou o
pecado e refuta a verdade, que se empolga com discursos e doutrinas, é e será
sempre incrédulo e não importa quantas vezes diga e afirme que
crê. Por isso, sempre que quiser crer em Jesus, lembre-se de que
precisa ser sincero e ouvir a verdade. É necessário existirem essas duas
coisas para haver fé genuína e para que a sua decisão de confiar e crer
possa ser vinculativa, segura, constante e decisão essa que não se altera
no decorrer do tempo.
- Caso
você seja uma daquelas pessoas que vê erros onde Deus não os vê, também
será pessoa para colocar virtudes onde elas não existem. São os dois lados
da mesma verdade. Você agrada pessoas? A pessoa que agrada uns, certamente
julga outros. Aplaude o que Deus condena? Endurece seu coração para aquilo
que vem de Deus? Assim que começar a ver mais claramente através das
névoas dos seus motivos e formas de pensar, precisará levantar os juízos
de onde os costuma colocar e, também, as supostas virtudes. Certamente que
deixará, também, de condenar os inocentes e de soltar Barrabrás. Não terá
mais interesses próprios sempre que olhar para alguém. Será pessoa isenta.
Também deixará de usar os erros dos outros para encobrir os seus,
acusando-os para desviar de si a atenção e de seus pecados. Não alimentará
a amargura e nem a admiração. Como vê, existe um sem numero de pecados que
serão extintos assim que abandonar na luz esse tipo de pecado, isto é, o
de achar defeitos e virtudes onde não existem - ou onde você desejaria que
existissem. Por essa razão é que somos purificados através da luz.
- Existem
aqueles que, vindo a Jesus e experimentando aquilo que é a transparência
de ver e viver na luz, ficam abismados com a impureza de seus próprios
corações. Esses, ou se desculpam e continuam como estão, ou arranjam
maneira de ser transformados devido à vergonha que sentem. Se você é uma
daquelas pessoas que deseja ser transformada, lembre-se de levar em conta
os dois lados desta questão: quem tem um coração perverso é pessoa
independente de Jesus, por muito que se ache dependente d'Ele. Para
exterminar toda a impureza, precisa aproximar-se de Jesus, limpando tudo na
medida que for enxergando e isso logo a partir dos primeiros raios de luz
que começam a cair sobre seu coração, motivos, pensamentos, etc. Um
coração enganoso é a consequência mais óbvia e mais natural de um
afastamento de Deus. O problema é que muitos não se consideram distantes
de Deus. A Bíblia também afirma que as pessoas consolidam esse tipo de
engano através da sua forma de olhar para as coisas e suas maneiras de
pensar. Quando pensam como o mundo, distraem-se com o mundo e passam
muitas horas do seu dia a pensar nas coisas do mundo ou a pensar nas de
Deus da maneira que o mundo pensaria nelas, é óbvio que conviverão com um
coração enganoso sem se darem conta disso. Defendem tal coração esquecendo
que guardam um leão dentro do seu próprio peito. "O engano existe no
coração dos que pensam no mal", Prov.12:20. Pense no mal e fará nascer o engano. E se
isto é verdade, podemos facilmente concluir o inverso desta verdade: todos
aqueles que se entregam a meditar na palavra em sua pureza, experimentar a
verdade e transformá-la em vivência prática diária, certamente que só
podem vir a ser justos ou cheios de justiça. "Quem respira a verdade
manifesta a justiça", Prov.12:17. "Bem-aventurado o homem que (...) na Sua lei medita dia e
noite", Sal.1:1,2.
"Meditarei nos teus estatutos", Sal.119:48. Justiça, isto é, sermos justos, não é algo
que se obtêm directamente. A justiça é uma consequência de um conjunto de
coisas que começam a acontecer em nós. Justiça é uma cidade que precisamos
conquistar passo a passo, pensamento a pensamento, indo de glória em
glória e de pureza em pureza. Mas, para haver em nós "a mente de
Cristo", a independência de Deus precisa ser exterminada. E a
independência de Deus significa a dependência de pessoas e, também, a
criação de um enganador dentro de nós.
- Lemos
assim: "O caminho do insensato (tolo) é reto aos seus
olhos", Prov.12:15. É
obvio que alguém que se considere certo a seus próprios olhos nunca
acreditará ser insensato ou tolo. Paulo fala em buscarmos a aprovação de
Deus e em abandonar a nossa própria convicção e aprovação até que tenhamos
a mente de Cristo formada em nós e nos sintamos bem com ela. Buscá-la não
basta. Se assim fizermos, certamente teremos uma outra visão sobre muitos
dos assuntos que prezamos ou desprezamos. Eu creio que é impossível
convencer um tolo de que ele é tolo. Nunca consegui tal proeza. Ao
considerarmos os nossos PRÓPRIOS caminhos corretos a nossos próprios
olhos, atropelamos a questão chave do Evangelho: submissão e rendição
incondicionais a Jesus, sejam os nossos caminhos corretos ou incorretos.
Então, caso você descubra (ao fazer pleno uso da Luz) que tem alguns
caminhos próprios como certos, pode preparar-se para, também, ter de
reconhecer que existe muita tolice e muita frivolidade em seu coração. É o
outro lado desta questão. Tem necessariamente de existir algum tipo de
tolice no coração de quem tem caminhos próprios e que, ainda assim, se
ache correto e certo. Só um coração tolo tem aquela capacidade de achar
que vida própria é vida, que caminho próprio é caminho, que amor carnal é
amor, que o egoísmo é um direito, etc. É necessário que quem pensa assim
tenha a certeza da necessidade incontornável de lidar, também, com a
frivolidade de seu coração (por muito escondida que esteja), pois, sabemos
todos que nenhum tolo terá o fim que espera ter. Agora já sabe o que fazer
sempre que sai em defesa de seus pontos de vista devido à
atitude que tem enraizada em si (e não por causa do ponto de
vista em si). O ponto de vista não é a razão por que as pessoas se insurgem
argumentando e defendendo. O coração é o principal responsável por essa
forma medíocre e míope de agir. Assegure-se de que faz uma obra completa
assim que deixar de ter caminhos próprios que lhe pareçam bem a seus
próprios olhos, lidando com a tolice também. Rendição está intimamente
ligada à sabedoria. Por isso, a tolice só pode estar associada à falta de
rendição a Jesus.
- Sabia
que buscar e achar a sabedoria de Deus aplica uma sentença de morte ao
orgulho e à soberba no homem? "A sabedoria que vem do alto é,
primeiramente, pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de
misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade e sem
hipocrisia", Tiago 3:17.
Muitos dizem que ser pobre é ser humilde. Com isso, assumem, ainda que
indiretamente, que os ricos são orgulhosos. Na verdade, não vemos a Bíblia
dizer que os pobres são humildes e nem que os ricos como Jó ou Davi foram
orgulhosos. Você já alguma vez pensou em tornar-se verdadeiramente humilde
de coração, seja rico ou pobre? Então ache, viva e experimente a sabedoria
de Deus e verá quais as consequências! A humildade é uma característica do
coração e não se deve a circunstâncias externas. Um rico orgulha-se da sua
riqueza quanto um pobre se pode orgulhar da sua pobreza. O orgulho busca
sempre algo onde se apoiar ou manifestar, seja riqueza ou pobreza. Então,
se você é daquelas pessoas que deseja ardentemente tornar-se humilde de
coração, leve em conta que ser humilde é essencialmente ser aquilo que
você é. Se seu coração anda na luz e não tem o que esconder, enfeitar ou
realçar, seja para bem ou para mal, está no encalço da humildade. Tente
associar isso a uma vivência prática daquela sabedoria de Deus que lhe é
revelada e a humildade completará toda a sua obra. Humildade é não fingir
- é ser.
- Jesus
disse: "Em verdade vos digo que nenhum profeta é aceito na sua
terra", Luc.4:24.
Todos sabemos que isto é verdade, seja através de experiência pessoal ou
através do reconhecimento de uma simples verdade. Não quero alongar-me
muito nas razões porque um profeta é rejeitado em sua própria casa.
Contudo, quero somente mencionar que isso ocorre porque as pessoas que
cercam esse profeta habituaram-se demais à pessoa, ao ponto de se
desinteressarem da verdade. O mal assume-se como é por estar à vontade
para fazê-lo. E sabemos que o mal sabe sempre melhor. Se houver algum
membro de sua família cujas palavras se cumprem com regularidade através
de Deus, deve deixar de olhar para essa pessoa como um membro da
sua família e passar a olhá-la como a boca de Deus. Precisa olhar muito
para além dos laços familiares e recusar as tentações de ser parcial,
optando pela pureza no ouvir. Você precisa ter a certeza que acredita no
que Jesus disse a esse respeito, isto é, que é bem possível que você
recuse ouvir um profeta quando ele é seu familiar ou conhecido. Por isso,
se houver uma boca de Deus perto de si cujas palavras são cumpridas pelo
próprio Jesus e nunca caem por terra, certifique-se que não é apanhado na
contra mão. Não recuse ouvir de forma instintiva devido a laços familiares
ou a estar habituado demais à pessoa que está do seu lado a toda hora.
Existe este perigo: quem tem profeta em casa pode ter coração que recusa
ouvi-lo. E se recusa ouvir o profeta de Deus em casa, assumimos que ouvirá
o falso profeta de fora de casa somente porque é de fora e, provavelmente,
de parecer diferente. Creia que é possível acontecer consigo isto que
Jesus disse: "Nenhum profeta é aceito na sua terra". É possível
que você rejeite tal profeta.
- Lemos:
"Porquanto, quanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, o
coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o
mal. Mas, ainda que o pecador faça o mal cem vezes e os dias se lhe
prolonguem, contudo eu sei com certeza que bem sucede aos que temem a
Deus, porque temem diante dele", Ecl.8:11,12. Caso conheçamos Deus verdadeiramente, também
sabemos que mil anos a seus olhos são iguais a um dia, embora um dia seja
como mil anos também. E Deus pode castigar o mal agora ou somente mais
tarde. Ananias e Safira caíram mortos no dia da transgressão, mas,
existiram outros que só foram castigados muito tempo depois. Contudo, caso
o mal seja castigado só mais tarde e permaneça impune durante um certo
tempo, não nos podemos deixar enganar pela visão curta de nossa
perspectiva. Tenha a certeza que o diabo irá tentá-lo nesse aspecto
também. Se o mal se gabar e persistir, assegure-se que você fala com o seu
coração dizendo que tarde ou cedo qualquer tipo de mal será punido. Não se
deixe enganar por falsas visões de impunidade e torne-se sábio. Queira
Deus que você O tema e não se deixe enganar pela aparente impunidade do
mal. Não brinque com fogo, pois o outro lado de um coração que vê que o
mal tarda em ser punido, é baixar a guarda para pegar na abominação.
"Pelo que, saí vós do meio deles e separai-vos, diz o Senhor; e não
toqueis coisa imunda e Eu vos receberei", 2Cor.6:17. Recuse entrar no jogo da sonolência para não
ser apanhado de surpresa. O castigo de Deus só virá uma vez e não chega
com pré-avisos. Viva cada momento de toda a sua existência como se pudesse
acontecer consigo tudo aquilo que aconteceu com Ananias e Safira e do
mesmo modo, (At.5).
Neste momento, os dois desejam muito achar uma maneira de saírem do
inferno, mas, em vão. Que não aconteça o mesmo consigo! E para não acontecer,
lembre-se que a aparente impunidade do mal levará o seu coração a baixar a
guarda. Não se deixe enganar.
- Estagnação
espiritual significa atividade carnal e vivência espiritual significa que
a carne morreu. A estagnação espiritual também ocorre sempre que as
pessoas não sabem ou não desejam esperar em Deus para agirem somente no
momento certo e oportuno. Não saber andar e conviver com Deus leva à
estagnação espiritual. Foi o que aconteceu com os Israelitas no deserto.
Eles tinham Deus tão perto, contudo, não conseguiam ser reinados por Ele
devido ao tipo de coração que tinham e o qual defendiam freneticamente.
Ter Deus perto não é o mesmo quer ter um coração sujeito. Uma coisa não é
a outra. Ter Deus por perto é ter um Rei querendo reinar - não é ter um
servo querendo ser reinado. O outro lado desta verdade é: todas as pessoas
que sabem esperar e receber da carne, nunca se sentirão aptos a esperar e
receber de Deus. As maneiras e os modos do mundo são distintos - tal como
o tipo de coração que espera de Deus e espera da carne são diferentes. Não
pode esperar que uma coisa venha da direita e da esquerda ao mesmo tempo.
Não pode esperar que duas coisas opostas se processem da mesma forma. Isso
seria tolice. Deus afirma que, quem não junta ou não sabe juntar com Ele
ou através d'Ele, espalha. Deus e a carne são e serão sempre campos
opostos, pois, são inimigos irreconciliáveis, são formas de viver
incompatíveis. Quem sabe operar através da carne fica inativo sempre que a
força do Espírito lhe é disponibilizada ou oferecida. Leve isso em conta
se é carnal e não tente fazer as cosias de Deus do seu modo. O outro lado
desta verdade é: a pessoa espiritualmente madura não sabe ou não consegue
agir da maneira da carne. Leve isso em conta se é espiritual e se ainda
cai na tentação de fazer as coisas do modo da carne. A criatura
espiritualmente adulta fica atordoada e confusa sempre que a força da
carne lhe é apresentada como alternativa. Não sabe trabalhar através de
qualquer meio, mecanismo, motivo, perspectiva ou outra coisa qualquer
vinda da carne. Estas são as duas principais causas da estagnação
espiritual e são os dois lados de duas verdades.
- Quando
a mente está ativa, normalmente a pessoa está parada e fisicamente
estagnada. Já ouviu a expressão "parar para
pensar"? Temos um outro lado inverso: quando o corpo começa a correr
a mente deixa de estar pensativa, pois o corpo exige a orientação da mente
na atividade física que faz. A mente é necessária para estar a cooperar
com a atividade para que a pessoa não tropece ou não pise em alguma
pedrinha enquanto corre. Ninguém consegue funcionar de outra maneira.
Fisicamente, as pessoas agem e reagem melhor sempre que sua mente se
encontra disponível para a atividade que se propõem fazer. É por essa
razão que todos os atletas de alta competição levam um certo tempo para se
prepararem antes de cada prova. Eles dizem que é concentração naquilo que
estão prestes a fazer. Na verdade, não estão propriamente a concentrar-se
em algo, mas, a tirar de sua cabeça tudo o que não tem a ver com a prova.
Isso disponibiliza a mente para direcionar pernas ou braços. Pensar ou
pensar em outras coisas certamente atrapalharia a sua prestação na prova.
Atividade física e atividade mental são incompatíveis quando em simultâneo
porque os recursos da mente são exigidos para a coordenação motora e a
mente não pode fazer duas coisas ao mesmo tempo. Se não acredita que isto
seja verdade, tente jogar futebol e pensar em outra coisa ao mesmo tempo.
Esta é uma das razões porque muitos creem que a atividade física dá
descanso à mente, além de oxigenar o cérebro. Já viu alguém parar de
repente no meio da estrada porque lhe surgiu uma ideia ou algo que o fez
refletir ou pensar profundamente? Já lhe aconteceu isso pessoalmente? É
assim que funcionam as coisas: ou temos atividade física ou mental. As
duas juntas é difícil ter, a menos que estejam relacionadas. Quando temos
um misto das duas coisas, ou a pessoa tropeça em coisas que não vê ou
desconcentra-se quando as vê. Não faz bem nem uma e nem a outra coisa. E
agora você me pergunta: o que tem isto a ver com as coisas de Deus? Isto
significa muito se levarmos em conta que a Bíblia fala muito em andarmos no
Espírito e em meditarmos na verdade e na Palavra.
Isso significa que pensar e meditar muito na Palavra de Deus não é andar
no Espírito, ainda que seja um fato que o Espírito também nos pode
assistir na compreensão e na pesquisa da verdade. As duas coisas são
importantes, mas, dificilmente ocorrem em simultâneo. Meditação
concentrada e dedicada é uma necessidade incontestável e inegociável
em todos os seres que se querem tornar verdadeiramente santos. Os
pecadores não pensam muito no pecado quando ainda não o estão praticando?
Contudo, você deve ter a certeza dentro de si que sabe que a meditação é
meditação e que andar no Espírito é andar no
Espírito. Quantas pessoas se contentam havendo passado um tempo lendo a
Bíblia para, depois, partirem para as atividades mundanas pensando da
maneira que o mundo pensaria e agindo de uma forma a que Deus se opõe? É verdade
que a meditação em oração transforma o nosso ser pelo lado de dentro. Mas,
será que transforma os hábitos e os modos exteriores também? Temos de
saber que, sempre que o nosso coração ou maneira de pensar sofre
alterações profundas, devemos saber adaptar nosso agir e nossa forma de
viver, colocando todo o nosso viver em conformidade com a verdade revelada
ao nosso coração durante aqueles momentos de meditação abençoada. Obter
conhecimento ou o reconhecimento da verdade pede muito mais de nós do que meditação
sobre a verdade. Quando somos justificados, isto é, quando somos tornados
justos, as coisas mudam no lado de dentro. A santificação é o mudar
externo da nossa vivência normal, colocando em prática exteriormente
aquilo em que já nos tornamos por dentro - se é que nos tornamos! É
preciso muito mais que meditar e orar para que a nossa atividade e
santidade se tornem uma parte espontânea de nós, isto é, que se tornem a
nossa única e exclusiva maneira de ser. Deve ter em mente que andar não
é meditar. Quanto mais a sua conduta for espontânea e ativa
na santidade, menos você medita - enquanto anda e caminha no Espírito,
menos medita e mais se concentra na sua prestação. E quanto mais você
meditar, menos anda. Por essa razão é que não pode confundir as duas
coisas, embora haja certas misturas delas que nos podem beneficiar. É
indispensável a meditação em oração. Mas, isso não chega. "Procurai a
santificação, sem a qual ninguém verá Deus", Heb.12:14. Embora a meditação profunda seja uma
condição para conseguirmos andar pelo Espírito em
toda a santidade, temos de ter em conta que andar não é meditar e
vice-versa. É assim que nos congratulamos com muitos homens de Deus quando
ouvimos que eles andaram com Deus. "Anda na
minha presença e sê perfeito, Gen.17:1. E que dizer de Enoque que andou com Deus
trezentos anos ininterruptamente!? "Enoque andou com Deus trezentos
anos...", Gen.5:22.
- Os
temerosos e cobardes costumam prestar muita atenção à sabedoria. Mas,
preferem obedecer à tolice em sua vida prática. A grande maioria dos
medrosos escuta a sabedoria por causa do aconchego da sua companhia e não
porque queiram tornar-se sábios em seu caminhar e viver. A sua conduta
será sempre determinada pela força intuitiva do coração que têm. Essa é
uma das razões por que preferem agradar pessoas. O medo nunca será
obediente a Deus. Não importa por que perspectiva se olhe para o medo -
nunca servirá o reino de Deus. Se você continuar com medo sabendo que Deus
está perto - se estiver perto - precisa reconhecer que o medo é uma atitude
ofensiva e decepcionante de sua parte. Bastaria pedir proteção a Quem pode
todas as coisas e alcançá-la. Mas, se você quiser que todo o seu coração e
o seu proceder mudem logo, deixando de ter medo, precisa levar em conta
que existe um outro lado deste problema igualmente fatal: quem tem medo,
também sofre do egoísmo de buscar atenção nas pessoas e de fazer-se
dependente delas. Sempre que se aproxima dos sábios, fá-lo buscando apoio
carnal e não uma conduta ou resolução permanente para o seu problema. Se o
problema for resolvido de forma permanente, o medroso teme não mais ter
como buscar a companhia da sabedoria. Por isso, sempre que você lidar com
o medo de forma definitiva, leve a Deus o problema de querer ser
dependente dos afetos também. Aproveite e salve-se desses dois pecados em
simultâneo, pois, andam juntos.
- Já
percebeu quantas vezes as pessoas afirmam que não são amadas sempre que
lhes é negada alguma coisa? "Não me dás porque não me amas!"
Pura chantagem! Contudo, as pessoas nunca se atrevem a dizer abertamente
que Deus não as ama quando as suas orações são negadas ou quando estão
sendo provadas, embora creiam que Deus as despreze de alguma maneira ou as
ame menos que aos outros. Outros afirmam, ainda, que Deus não lhes dá isto
ou aquilo porque devem ter cometido algum pecado do qual não estão
conscientes. E isso até pode ser verdade. Contudo, quando a fé não
naufraga devido a qualquer pecado cometido, o qual faz surgir pensamentos
espiritualmente suicidas, Deus opera em nós a paciência e a virtude sempre
que demora a entregar a resposta aos nossos pedidos conscientes que
estejam de acordo com Sua vontade. Deus nunca se submeteu ao relógio da
impaciência e nunca haverá um dia que o fará. Na verdade, sempre que as
pessoas reclamem da falta de amor para com eles, é sintoma da existência
de direitos próprios dos quais ainda não abdicaram. A obra mais difícil de
ser alcançada no homem é a perda de todos os seus direitos para Jesus. A
rendição a Cristo significa isso mesmo: a entrega de todos os direitos
sobre nossa vida, estejam esses direitos nas mãos de quem estiverem. Por
isso, todos aqueles que usam circunstâncias para provarem que não são
amados por Deus detêm muitos de seus direitos ainda em sua posse. A falta
de fé, ou aquilo que comummente chamam de falta de fé, não é nada mais que
a retenção dos direitos sobre uma vida que se afirma haver sido entregue a
Jesus. Concluindo: quem reclama da falta de amor ou de compreensão da
parte de Deus, segura seus direitos. Não os deseja entregar a Jesus para
Ele fazer o que quiser. Essa vida não é uma vida rendida a Jesus.
- Existe
uma vida que salva humanos, tal qual existe outro tipo de vida que se
esforça para ser divina sem conseguir sê-lo de verdade. Uma é celestial e
a outra é terrena. A vida de Deus nos salvos expressa-se como a própria
vida de Deus, não como uma vida humana que se esforça para ser divina. A
vida que se esforça para ser divina é falsa. Contudo, essa vida falsa acha
que a outra é a falsa, pois faz as mesmas coisas de outro jeito e tem outra
essência. Jesus veio até nós como alguém sem qualquer aparência e sem nada
n'Ele que nos fizesse desejá-Lo. Contudo, não deixou de ser santo por
isso. E isso só pode significar uma coisa: Ele ainda é igual e ainda faz o
mesmo. "O reino de Deus não vem com aparência exterior, nem dirão: Ei
lo aqui! ou Eí lo ali! Pois, o reino de Deus está dentro de
vós", Luc.17:20,21.
Aquela pessoa que tem uma vida terrena que se esforça para ser divina,
também terá um coração entregue aos sonhos daquelas coisas que não se
realizam e as quais gostaria que se realizassem sem ter de mudar nem de
coração, nem de vida interior. Deus não é devedor a quem não muda e Suas
promessas nunca se cumprirão com os tais. Se você tem uma vida terrena que
se esforça para ser divina, lembre-se que precisa mudar duas coisas: o
sonhar de olhos abertos e trocar urgentemente a sua essência e a sua vida
terrena pela celestial. Esforçar-se para aparentar vida divina não é o
mesmo que esforçar-se através da vida divina. A vida que se esforça para
parecer divina é carnal.
- "Ninguém
há que invoque a justiça com retidão, nem há quem
pleiteie com verdade", Is.59:4. É possível invocar justiça sem ser através de retidão, tal como é
possível defender uma causa importante sem ser pela via da verdade no
coração. É isso que lemos neste versículo. Seu coração é reto e verdadeiro
ou pleiteia as causas próprias? Existem pessoas que pleiteiam
'honestamente' as causas do egoísmo, como há aquelas que pleiteiam as
causas de Deus mentirosamente, isto é, sem que todo o seu coração esteja
realmente conseguindo rever-se na causa que pleiteiam. Fazem por fora
aquilo que o coração não assimila por dentro. Mas, se pleiteiam causas
próprias sem isenção, por norma, confiam em mentiras e no vento como se
fossem realmente causas fortes e justas. Nunca se deixe enredar em tais
caminhos de morte. "...Confiam na vaidade e falam mentiras; concebem
o mal e dão à luz a iniquidade (...) As suas teias não prestam para
vestidos...", Is.59:4,6.
Tais pessoas experimentam vários problemas. Leiamos: 1."O caminho da
paz não conhecem". Isto significa que estão constantemente em guerra
interior, a qual facilmente se exterioriza. 2."Fizeram para si
veredas tortas". Era de esperar que isto acontecesse, pois ninguém
pratica a justiça sendo injusto. Logo, para aparentarem justiça precisam
adaptar seus caminhos. Existem mais consequências lógicas quando não se
pratica a justiça com retidão, isto é, não sendo justo. Este capítulo de
Isaías fala em muitos deles. E é óbvio que as pessoas irão tentar fabricar
uma paz onde ela não tem como existir, ou tentar aparentar que são retos
sendo tortos. Isso acontece apenas porque recusam mudar e ser
transformados desde dentro e, por isso, cuidam das aparências. Todo aquele
que não é justo, envereda por caminhos de aparência e, assim, concluímos
que todo aquele que aparenta ser, não é justo por dentro. O outro lado da
pessoa pecadora ou sem justiça é a aparência. Que outra saída teria?
- Deus
não respeita o mau humor. Por norma, o 'respeito' e a consideração é uma
das maiores exigências de todo tipo de pessoa entregue ao mau humor.
Comprove isso e verá que é realmente assim. Contudo, quando o humor muda
para o lado do mal, Deus não muda junto e continua trabalhando sem deixar
em paz quem o tem, pois, Ele assume que o humor não deveria ter mudado
sequer! O mau-humor firma-se sobre o direito que pensa ter de continuar a
ser mau. O outro lado do mau humor é não ser capaz de reconhecer que está
errado. Auto justificação é onde se firma e a cegueira é a consequência.
Deus não tem tempo para conversar com tal atitude e assume que ela deve
ser prontamente expulsa a pontapé de nosso coração e que somos nós
próprios quem deve fazê-lo sem qualquer tipo de hesitação ou meias
demoras. Leve todas estas verdades em conta sempre que achar estar de mau
humor. Certifique-se que coopera com Deus para alcançar todas as atitudes
e virtudes celestiais no mais curto espaço de tempo possível.
- Muitos
questionam aquilo que ouvem, ficando na dúvida se vem de Deus, do diabo ou
da carne. A única maneira de resolver esse problema é entrarem no
santuário e aproximarem-se muito bem de Deus e isso de forma real. Será ali
onde nos aperceberemos se foi Deus quem falou ou não. Seria como ver os
lábios de alguém mexerem pronunciando certas palavras e seria como
reconhecer a voz de quem fala. Nunca iremos ter a certeza da fé sem nos
aproximarmos para nos certificarmos. O problema é que Deus não admite
qualquer um em Sua presença. Por isso, você precisa obter o evangelho de
Deus e abandonar o seu. Você está realmente perto de Deus? Sua presença é
real e permanente? Lembre-se que existem estes dois lados: para ouvir
Jesus, você precisa estar próximo d'Ele. Não tente ouvir - tente tornar-se
ovelha e aconchegue-se! Só quem é ovelha será capaz de ouvir.
- Viver
aquela vida que Deus pede de nós aqui na terra, sendo humanos, deve ser a
coisa mais fácil de todas, pois os fracos e incapazes são os melhores
candidatos a viverem essa vida de plenitude porque ela é vivida através de
Cristo e, também, porque a vida própria é uma concorrência à vida eterna
dentro de nós. Ora pense comigo: quem se sente forte, busca
fortalecimento? Quem acha que sabe, busca conhecimento? Quem se acha
capaz, busca ser ajudado? Por vezes chega a recusar ajuda! E quem acha que
crê em Deus busca confiar n'Ele? Sendo que ou vivemos a nossa própria vida
ou vivemos através da Vida Eterna em nós, fica claro que os humanos mais
fracos e mais frágeis tornam-se automaticamente os melhores candidatos a
essa vida de plenitude. Sermos humanos não é, por isso, desculpa para não
vivermos a vida de Cristo e sim razão para vivermos uma vida santa - se é
que Cristo realmente vive em nós. "Ora, diga o fraco, 'Eu sou
forte'".
- Muitos
assumem que uma coisa difícil deve ser feita através da graça de Deus
enquanto as fáceis podemos realizá-las sozinhos. Na verdade, o segredo é
fazer tudo através da graça, seja a tarefa fácil ou difícil. A chave de
tudo, o mandamento principal do evangelho, é que as coisas se processem cá
na terra do mesmo modo que se processam no céu: pela graça. Você necessita
ter em conta que sempre que alguém manifesta aquela atitude de que precisa
orar muito ou lutar muito quando algo parece ser uma dificuldade enorme,
logo assumirá que aquilo que considera fácil poderá ser desprezado ou ser
feito usando o braço da carne. Não existe melhor maneira de manter a carne
viva do que fazer qualquer coisa através da sua força, dos seus motivos,
dos seus modos e através da sua intuição. O objetivo de Deus é que vivamos
somente pela graça, usando todos os seus recursos, seja sob que
circunstância for. "Aqui na terra como no céu", isto é, do mesmo
jeito. É muito importante aquilo que fazemos, mas, é muito mais importante
como o fazemos e através de que poder. Por isso, deve saber que todo
aquele que se aplica muito para achar graça sob circunstâncias difíceis
terá de resolver um problema paralelo sério sempre que as coisas se tornem
fáceis e simples, pois, negam Deus e Seu poder quando tudo está bem e
baixam a guarda, tornando-se, assim, presas fáceis para Satanás. Recuse
alimentar a carne, seja de que maneira for e não a deixe sobreviver.
"...Derribando raciocínios e todo baluarte que se ergue contra o
conhecimento de Deus e levando cativo todo pensamento à obediência a
Cristo", 2Cor.10:5.
- Tem
lutado com a impulsividade ultimamente? As pessoas impulsivas são,
normalmente, pessoas mimadas e estragadas pelos outros, sejam esses outros
pais, avós ou filhos. São pessoas que não dão valor à paciência e a outras
virtudes como a persistência e o labor, os quais nunca abdicaram de todos
os direitos sobre sua vida. Desejam (exigem) tudo do modo mais fácil e
mais rápido. Impulsivo é mimado. Impulsividade é superficialidade.
- Somos
facilmente perturbados pela ideia de que devemos fazer coisas
extraordinárias para Deus. E todo aquele espírito que se entrega a essa
ideia, normalmente, fica amuado ou irado contra a ideia de que, ao invés
de fazer coisas extraordinárias, deve mudar por dentro. Não devemos fazer
coisas excepcionais e antes ser excepcionais para Deus. Você quer ser
herói ou salvo? Deseja salvar gente ou salvar de maneira excepcional?
Tenha a certeza que se você busca ser herói e fazer coisas excepcionais
resistirá à ideia de ter de ser você a mudar por dentro e por fora. Esses
são os dois lados da mesma verdade.
- Não
podemos crer que uma pessoa frívola e superficial seja incapaz de ser
séria. Isso não corresponderia à verdade. Essa pessoa é capaz de ficar
séria sempre que o assunto seja superficial ou frívolo e sem importância.
As pessoas frívolas só demonstram serem superficiais sobre assuntos
importantes e sérios. Tenha sempre estas coisas em conta, pois, a pessoa
superficial pode enganar e induzir em erro através de seu sério aspecto
ocasional quando os assuntos não têm importância eterna. Precisa comprovar
sobre que assuntos ela é séria e sobre quais se torna frívola. Deve levar
em conta esses dois lados de cada pessoa.
- Jesus não disse
que a pessoa nas trevas não anda e nem que ela acha que não sabe para onde
vai. A pessoa anda e acha que sabe para onde vai. Só "não sabem o que
fazem". Um perdido que acha estar perdido, busca uma saída, um
caminho, uma alternativa. Mas, o perdido que não se ache perdido, não
busca o caminho e segue confiante para a destruição. Você vê os perdidos
buscarem o Caminho? Se não buscam, só pode significar que eles acham que
estão no caminho. Existe maior maldição que essa? Jesus disse: "Quem
anda nas trevas não sabe para onde vai", João 12:35. Mas, isto não significa que a pessoa pense
que não sabe para onde vai e sim que está enganada sobre como irá
terminar. Dito isto, deixe-me sublinhar alguns segredos com dois lados: a
pessoa que anda nas trevas confia somente quando a luz não brilha e quando
não ilumina seu caminho. O homem da luz sente-se abalado sem luz. Já
imaginou a grande adaptação à luz de um cego que começa a ver? Ele contava
os passos para andar, confiava nos sons, no tacto, no olfato, nas outras
pessoas que o guiavam e outras coisas mais. Quando recebe a visão não
saberá, momentaneamente, viver dela. Não estará habituado à luz. Vê
precipícios onde nunca viu nada e outras coisas mais que podem assustar
quem andava nas trevas. Deve ser uma grande adaptação e um enorme desafio
para o cérebro e para a personalidade de um ex cego. Quem nunca usou a luz
saberá usá-la? É lógico que precisará aprender a confiar ganhando outra
maneira de ser e de estar na vida. Espiritualmente, acontece precisamente
o mesmo. As pessoas têm medo da luz. Todo o cego que não sabe o que é luz,
faz a sua própria ideia de como ela é. E quando abre os olhos tudo é
diferente daquilo que imaginava. Além do mais, tudo aquilo que aprendeu a
ser até se abrirem seus olhos fica momentaneamente desatualizado e
torna-se inutilizado para sempre. Já não conta os passos para andar e já
não apalpa paredes. Isso seria o mesmo que perder a vida própria. É uma
vida nova, uma outra maneira de viver. Vamos ver o inverso desta verdade.
As pessoas da luz não sabem andar onde existem sombras ou lugares
sombrios. Estes também precisam aprender a segurar na mão de Jesus, pois
caminharão pelos lugares tenebrosos deste mundo. Saberão eles andar
segurando em Alguém que os guia, como os cegos faziam, tendo luz? Que
farão tendo luz de sobra ou sabendo como a luz funciona? Segurarão na mão
de Jesus?
- A
confusão e a inoperância encontram-se em quem não sabe esperar no Senhor.
Quem não espera no Senhor ou quem espera as próprias coisas d'Ele torna-se
facilmente inoperante e confuso. Devemos ver a impaciência, a ocupação e a
inquietação como inoperância, pois, os que parecem muito ocupados,
normalmente, são ou tornam-se pessoas inoperantes e enganadas através de
suas próprias ocupações. Não chegam a lado nenhum com tanta ocupação, pois
são ativos falsos.
- Cansaço
é nadar contra a corrente. Já viu alguém nadar contra a corrente de
um rio sem cansar-se? "Ai que canseira!" É o que acontece sempre
que um injusto tenta aparentar justiça, que um egoísta tenta amar e que um
mentiroso tenta ser verdadeiro. Por essa razão é que os casamentos do
mundo costumam dar errado, pois dizem amar quando se amam a si mesmos.
Ninguém pratica a justiça sendo injusto. Ninguém ama sendo egoísta. Por
essa razão é que a maioria das pessoas se sente esgotada nos caminhos de
Deus e não consegue voar como as águias. Andam contra a corrente. Por essa
razão é que deve ter em conta que, quando se cansa nos caminhos de Deus,
você está a nadar contra a corrente. Contudo, ao invés de desistir, tente
mudar de coração. Seja uma nova criação, conforme a Sua imagem e não
nadará mais contra a corrente.
- Vamos
ver o outro lado de um coração hesitante. Todo aquele que hesita é pessoa
que ainda acredita (ainda que escondidamente) que alguma coisa depende
dele. Isto é, quando podemos e devemos fazer o impossível, ao hesitarmos,
mostramos que ainda temos a crença enraizada que as coisas dependem de nós
e não de Deus. Assim que tivermos a certeza de que, realmente, todas as
coisas dependem de Deus, deixaremos de ser hesitantes medrosos e
arriscaremos tudo lançando-nos sobre Jesus e Suas capacidades. Através
d'Ele faremos o impossível juntamente com o possível, pois todas as coisas
devem ser feitas através d'Ele. E quem não faz o impossível, certamente
que faz o possível através de meios próprios, pois não conhece o poder de
Deus e não tem experiência própria desse poder.
- Exibicionismo
significa engano próprio, o qual forja a aparência da verdade e cria a
crença. Exibir ou ser exibicionista, seja sob que pretexto for, é o maior
perigo para o verdadeiro cristianismo e para a verdade de Deus. Isso
significa que toda a verdade que não seja clara só por si e que não se
torne experiência real, intuitiva e natural, será exibicionista. Só
através do exibicionismo falará, pois não terá outra forma de expressar-se
e nem de se impor sobre os demais. Contudo, sabemos que a verdade fala bem
mais alto sem qualquer forma de exibicionismo. Exibicionismo é um sinal
que diz: "Eu não vivo nada do que ensino!" O interpretador da
verdade raramente a vive. Quem realmente vive a verdade não interpreta
nada - explica, expressa e tenta colocar em palavras tudo aquilo que se
passa em sua própria alma e coração e, quando lê as Escrituras, recebe as
explicações que lhe faltavam sobre tudo que se passa dentro de si.
Exibicionismo e engano próprio muito vivem sempre lado a lado em um mesmo
coração. Qualquer exibicionista é enganador ou sofre de engano. Muitas
andam untados com a verdade, mas, não são a verdade. Com ela tentam
engodar os outros e enganam-se a eles próprios.
- Já
alguma vez viu um crente supostamente honesto dizer sim num dia e no outro
dizer não com a mesma convicção? Não consultou Deus e aconselhou-se com a
carne. "...Não deliberar segundo a carne, para que não haja o sim e o
não...", 2Cor.1:17.
Torna-se óbvio que a indecisão ou as mudanças de atitudes, opiniões ou
decisões devem-se muito ao fato de alguém não deliberar segundo o
Espírito, isto é, não ser guiado por Jesus, consultando-O. "O coração
do homem propõe o seu caminho; mas o Senhor lhe dirige os
passos", Prov.16:9.
Isto significa que Deus pode transtornar as decisões e as deliberações que
o homem tomou sem consultá-Lo. O outro lado da verdade sobre quem não
consulta Deus sobre sua vida é que irá mudar de opinião muitas vezes. Existem
outras verdades sobre quem muda de decisões e atitudes de um momento para
o outro. Sempre que alguém tem um coração instável, não se revê na firmeza
de Jesus e muito menos no que Ele diz. Logo, esquece facilmente a palavra
vinda de Deus. Irá, com certeza, mudar de posição, opinião ou atitude
sobre muitas coisas muitas vezes. No dia seguinte esquece as palavras de
Jesus e segue seu rumo com incertezas e com mentiras confortantes. Só os
firmes nas palavras de Deus deixarão de ser incertos e inseguros. E
existem os inseguros a nível de emoção e aqueles que se sentem firmes
sendo seus caminhos inseguros e incertos.
- Quem
não faz a vontade de Deus (ou de outra pessoa), nunca é pessoa inativa.
Porque existem dois lados nesta moeda, também existem duas faces em uma
vida pura: uma é fazer e a outra é não
fazer. Ninguém pense que devemos - ou podemos somente a aprender a
vontade de Deus. Precisamos ser desativados da nossa própria também. E
quando isso acontecer, para muitos seremos preguiçosos desinteressados que
buscam seus próprios lazeres. O mundo dirá: "Vai! Ninguém pode ficar
assim sem fazer nada! Que Deus é esse? Não fiques parado!" E tenhamos
a coragem de dizer: "Meu tempo ainda não chegou", João 7:3-6. Contudo, todo aquele que ainda se encontra
muito ativo em sua própria vontade, será desativado da vontade de Deus.
Nunca saberá fazê-la. E cada coração obterá sua corresponde recompensa ou
castigo.
- Quem
não faz a vontade de Deus, faz a sua. Quem faz a vontade de Deus nunca faz
a sua, a menos que a vontade de Deus já seja exclusivamente a vontade do
coração e da alma do homem.
- A
Bíblia fala-nos muito sobre discernir entre espíritos. E é muito bom
termos esse dom raro de discernimento. O dom do discernimento seria dos
dons mais úteis atualmente. É contudo, dos mais raros e dos menos
desejados. Mas, é preciso que, aqueles que o desejam, o pratiquem e que o
usem independentemente das circunstâncias e das pessoas que possam ser
atingidas pela espada de dois gumes. Dito isto, vamos ver os dois lados do
homem ou da mulher de discernimento. Existe uma grande associação ou
cumplicidade Ativa entre o discernimento e a imparcialidade ou isenção. Só
isento poderá discernir como convém. Ninguém saberá discernir corretamente
sem ser isento e imparcial. É óbvio que são necessárias outras coisas,
também, tal como caminhar na luz, discernir o próprio coração de forma
isenta, andar com Deus continuamente, etc. Mas, levemos sempre em conta
que nunca se poderá separar o discernimento da isenção, o entendimento da
imparcialidade, o crescimento espiritual da obediência.
- Falemos
agora de mudanças de humor. Não existem mudanças de humor sem falta de
entendimento. Toda a falta de entendimento ou de disposição para aprender
e entender resultará, obviamente, em mau-humor ou em mudanças bruscas de
humor. Será a consequência mais óbvia. Por norma, tais pessoas buscam ser
entendidas pelos outros quando a sensatez e a verdade afirmam que são elas
que necessitam entender-se e esclarecer-se a elas próprias. Todos os males
de coração resolvem-se definitivamente de joelhos através da obediência e
amenizam-se (camuflam-se) resistindo-os. E quem resiste continuamente
persistirá nesse erro de camuflar, escondendo o sol com a peneira e
tornando-se hipócrita esforçado fazendo semelhanças do que há no céu.
Sabia que Jesus salva verdadeiramente de qualquer
tipo de pecado e torna qualquer pessoa verdadeiramente livre
dele para sempre? Isso é a verdadeira doutrina da salvação - quando somos
salvos do pecado.
- Vivemos
na era do "desconhecimento" onde as pessoas acham que sabem
porque interpretam tudo do jeito que lhes convém, torcendo as palavras de
Jesus e achando-se sábios a seus próprios olhos. E quem se acha sábio não
procura aprender, pois pensa que já sabe. E, com este tipo de coração,
quem não se acha sábio teme porque (só) tem aquela capacidade de confiar
em si próprio. "Confia no Senhor (...) e não sejas sábio a teus
próprios olhos". São duas coisas difíceis de fazer para quem ainda
confia na carne: confiar no Senhor de todo coração e não ser sábio aos
próprios olhos. É um drama forte para quem é sincero de coração e, ainda
assim, consegue viver da carne.
- Todo
aquele que se gloria também nutre a ideia de que o que é bom e certo dura
pouco, ou que a bondade é algo invulgar. Não fosse isso, dificilmente se
gloriaria. Os que se gloriam e se congratulam não têm a noção de que as
coisas de Jesus duram para sempre. "Por que te glorias na
malícia, ó homem poderoso? Pois a bondade de Deus permanece
continuamente", Sal.52:1.
- Muitos
roubam da glória de Deus e atribuem-na a eles próprios com algum intuito
secreto de atraírem pessoas a eles para, com isso, preencherem seus vazios
causados pela ausência de Deus. A lei da natureza determina seu outro lado
consequente: todo aquele que busca a sua glória afasta as pessoas de si,
seja a longo ou a curto prazo. Não existe glória própria que subsista por
muito tempo. Só a de Deus dura para sempre. Além do mais, quem se gloria,
dificilmente obtém a atenção dos outros, pois, todos buscam a glória
própria e não prestam atenção à de outros. Ninguém está disposto a dá-la a
outro neste mundo. Concluindo: somente os humildes, quietos em seu canto
silencioso e modesto, serão capazes de atrair todo aquele que está cansado
do barulhento mundo da glória própria. Eles sabem da verdade e vivem-na,
pois, sabem que a glória realmente pertence somente a Deus. Nunca
deveremos esquecer esta combinação: quem rouba glória para atrair, entra
na lei de afastar pessoas de si.
- Toda
a pessoa dominante e controladora também é possessiva. Será sempre
necessário lidar com as duas faces de tais pessoas, porque senão, um dos
pecados parceiros fará o outro voltar.
- Existe
um outro lado naquelas pessoas que, muitas vezes, não conseguem crer que
podem alcançar certos patamares da vontade de Deus. Existem pessoas, por
exemplo, que não acreditam poder chegar à santidade ou estar à altura dela
e de tudo que isso implica. Sentem-se inferiorizados. São essas mesmas
pessoas que se sentirão orgulhosas caso logrem alcançar aquilo que nunca
creditavam ser-lhes possível. Logo, existe uma certa combinação e uma
certa conivência entre o orgulho e os sentimentos de inferioridade ou de
incapacidade. A verdade é que Deus também não pode dar a quem se vai
sentir orgulhoso recebendo. A pessoa com complexos não receberá de Deus e
isso parecerá ser uma confirmação daquilo em que acreditava: que não iria
conseguir tudo quanto Deus pede dele. Podemos, por isso, concluir que
todos quantos são orgulhosos sofrem de algum tipo de complexo de
inferioridade e o seu orgulho é a força que lhes 'dá' seu 'equilíbrio'.
- Há fatos que não podemos evitar. Um deles é que quando alguém tem preferências em favor de uma determinada pessoa, ele certamente tem próprias opiniões contra alguém. Se escolhermos entre as pessoas, isso significa que nós escolhemos a favor e contra alguém. Não podemos simplesmente escolher em favor de alguém sem ser contra alguém. Eu acho que ele simplesmente não pode funcionar dessa maneira.
- Você já viu alguém que não é fiel no seu trabalho de forma contínua? Segundo a Bíblia, essas pessoas também gastar e gastar sem necessidade. "Aquele que é remisso na sua obra é irmão do que é destruidor", Prov.18: 9. Creio que pode ser verdadeira. Pessoas infiéis são infiéis em todos os aspectos, mesmo com o dinheiro que Deus permitiu que eles têm ou dado a eles.
- Lemos na Bíblia algo como isto: "Eles gostaram de andar errantes, não restringiram os seus pés", Jer.14: 10. Pessoas perdidas são sempre tentadas e mudou-se para continuar até o fim dessa maneira. Eles só não vai reprimir seus pés. O outro lado desta verdade é, no entanto, se as pessoas têm o hábito de não restringir seus pés quando eles estão perdidos e parar de tentar descobrir por que suas vidas não estão funcionando, então, que certamente irá restringir-se de pé quando não são perdidos. Isto significa que eles vão fazer durante o curso da verdade que eles não têm sobre a forma que se encontra a eles. Eles vão colocar a verdade para a dúvida e fica no alto da vida prática. Se você não restringir seus pés no caminho para o pecado e para o inferno, você vai contê-los no caminho para a santidade. Graças a Deus ele também funciona ao contrário: se você restringir seus pés e parar de encontrar o caminho de volta à verdade quando você está se desviando, você não vai conter seus pés uma vez que são encontradas no caminho que conduz à paz e para o céu .
- Todo
aquele que tem falhas na obediência ou em termos de fidelidade no trabalho
ou em sua obra, também sofre de exageros para, por vezes, tentar compensar
as suas falhas. A verdade é quem tem exageros, tem falhas e quem tem
falhas sobre de exageros também. Isso também é uma forma de inconstância e
de caminhos hesitantes e inconsequentes.
Existem muitas mais maneiras e muitas mais facetas de nossa vida
quotidiana onde esta verdade sobre os dois lados de cada atitude (O lado
visível de qualquer atitude e o seu lado consequente). A única coisa que tentei
fazer aqui, foi expor minha visão sobre esta verdade do outro lado de cada
coisa ou ação. Estava em meu carro quando, um dia, Deus revelou-me esta
verdade. Se cada um de meus leitores andar com Deus, seguramente que Deus
mostrará muitas mais facetas desta verdade à qual nunca alguém escapará - seja
para bem ou para mal. Deus ensina até ao ser que menos merece nesta terra. E,
por isso, agradeço a Jesus e ao Seu Espírito. Amém.


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