quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Que proibir que nada!



Por: Silvia Amélia
Proibir o namorado ou aceitar uma proibição dele é a coisa mais absurda do mundo. Mas também não vamos jogar pedra em quem já entrou nessa. Isso acontece muito e às vezes sem que se perceba como começou. É comum nos primeiros relacionamentos amorosos ou quando namoramos alguém muito diferente de nós. Ou seja, tem que ter bastante insegurança mesmo como pano de fundo para um casal proibidão. 
Impressionante é que o ato de proibir pode ser entendido como carinho! Tipo a mãe da gente que nos proíbe de fazer algumas burradas quando somos adolescentes. É comum esta associação, a pessoa acredita que o outro a proíbe de algo porque a ama demais e quer protegê-la ou proteger a relação. Erro total! Adultos devem tomar suas próprias decisões, certo? Não quer dizer que vamos fazer tudo o que der na telha sem nunca ouvir a opinião de ninguém. Mas ouvir é uma coisa, obedecer é outra. Quando alguém te proíbe de algo ele te entrega – junto com as algemas – um bilhete imaginário escrito “não confio em você”.   
Por outro lado, acho que um casal deve comunicar coisas que acontecem na vida um do outro. Não é pedir, é avisar, comentar mesmo. Você resolve de supetão ir a um mega show enquanto o namorado está viajando. Acho legal comentar que esteve em tal lugar, tanto para evitar mal entendidos quanto (e principalmente) para compartilhar a vida . Mas pedir é terrível, pedir é delegar ao outro o controle da sua vida, pedir é abrir mão de pensar com a própria cabeça. E quem pede abre espaço para o outro dizer sim ou não, ou seja, para proibir. E se uma parte do casal proíbe um dia vai ouvir decretos proibitivos também. 

- Não vá para o mar, meu amor - E nem você vá para o continente - Melhor ficarmos para sempre assim - Isso mesmo, seremos estátuas, pois estátuas não mudam sozinhas de lugar
O escape mais fácil de uma relação cheia de proibições é a mentira. A parte mais sufocada começa a escapulir, a burlar as regras do outro, a omitir o que faz escondido para não ouvir chateações. Daí quando a parte enganada descobre uma mentirinha, faz aquele escarcéu, lança mais proibições e aperta o cerco na fiscalização se o que foi proibido está sendo cumprido. 
Este controle todo visa muitas vezes evitar que a outra pessoa seja quem ela é. Se é uma pessoa extrovertida, por exemplo, o namorado mandão a proíbe de manter contato com amigos homens na Internet, de cumprimentá-los com abraços efusivos ou de sair com a turma de faculdade depois da aula. A menina obedece e também o proíbe ver futebol no bar com os amigos na quarta-feira a noite. E uma coisa vai puxando outra e outra… 
O fim melhor (e mais complicado de se conseguir) para o casal proibidão é o recontrato. Todo relacionamento tem um contrato invisível. Nele estão escritas as regras, algumas em letras bem miudinhas que a gente assina sem ler. Quando chega num ponto sufocante em que não dá para continuar como está, a saída é sentar, conversar bastante, rasgar o primeiro contrato invisível e fazer um novinho em folha. O complicado disso é que os dois têm que estar super a fim dessa mudança. Ou, ao menos, estarem cientes de que, sem ela, a relação vai morrer asfixiada.  
Eu acho que só temos que pedir quando a decisão afeta diretamente a outra pessoa. Por exemplo, se você mora com o namorado e deseja hospedar uma amiga por uns dias, tem que perguntar “e ai, tudo bem para você?”. O que afeta os dois deve ser decidido em conjunto – e só. Já repararam que até o tradicional pedido de namoro não é um pedido, mas uma sondagem. Não se diz “posso namorar com você?” mas “você QUER namorar comigo”? É que vontade dos outros não é torneira que você vai e desliga. Cada vontade impedida é gás dentro de bexiga de festa. Sopra um pouquinho, enche e pum! A minha opinião é essa, repressão não traz fel
Vamos dizer Não ao Não.....
@silviamelia 

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